Governo do RN negocia com facção

Publicação: 2017-01-19 03:41:00 | Comentários: 0
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Aura Mazda
repórter

O Governo do Rio Grande do Norte negocia com o Primeiro Comando da Capital (PCC) para retomar o controle da penitenciária estadual de Alcaçuz.  A transferência de presos para outras unidades carcerárias, supostamente ligados a facção rival Sindicato do RN, é parte dessa negociação. Os contatos com os líderes do PCC estão sendo conduzidos por uma delegada da Polícia Civil e um major da Polícia Militar. O objetivo da negociação é evitar que haja um novo confronto entre os integrantes das facções em Alcaçuz.
Adriano AbreuNa segunda (16), homens da PM dialogam com um dos líderes do PCC. Seria o início da negociação para retomar controle de presídioNa segunda (16), homens da PM dialogam com um dos líderes do PCC. Seria o início da negociação para retomar controle de presídio

Os negociadores nomeados pelo Governo potiguar querem saber quais as exigências  dos presos, além da transferência de ontem, e devem analisar a possibilidade de atendê-las. “Dialogar” com as facções criminosas em conflito  é uma das oito diretrizes de trabalho fixadas para lidar com a crise no sistema penitenciário estadual. A maioria dessas diretrizes foi discutida na reunião do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), na manhã de quarta-feira.

O setor de inteligência do Governo do Estado teria escolhido negociar com a chefia do PCC, porque o Sindicato não teria mais força no Estado. A ordem foi para manter diálogo com os detentos cabendo ao delegado geral de Polícia Civil e ao comandante geral da Polícia Militar indicar os dois negociadores. Outro ponto é delegar à secretaria de administração do Estado, junto à Procuradoria Geral do Estado (PGE), as providência para a contratação de agentes 700 penitenciários em regime temporário. Também foi decidido  nomear o procurador Frederico Martins para ser o responsável pelo trâmites jurídicos da crise no sistema penitenciário. O Departamento de Estradas e Rodagens (DER) concluirá a perimetral externa de Alcaçuz com brita e asfalto. Também será feito um pedido de tubos de aço, com tamanhos de 9 a 12 metros, à Petrobras para construir um muro separando os presos do Pavilhão 5 e do pavilhão 4. A PGE  vai apreciar com urgência as minutas do antiprojeto de lei de convocação dos reservistas da Polícia Militar, o que deveria ser enviado ao GAC até ontem (18). Também está em análise convocar a Assembleia Legislativa, antes do fim do recesso previsto para fevereiro, para votar a convocação dos reservistas e também de professores temporário para educação.

Diálogo
Quanto aos contatos com as lideranças do PCC, fontes ouvidas pela TRIBUNA DO NORTE informaram que a transferência para presídios federais dos cinco detentos identificados como chefes do PCC dentro de Alcaçuz faz parte das negociações para o fim do conflito no presídio. O Estado já enviou, ao Departamento Penitenciário Federal (Depen), a solicitação de transferência desses detentos.

Os integrantes do PCC ocupam, principalmente, o presídio Rogério Coutinho Madruga, conhecido como pavilhão 5 de Alcaçuz. Dos quatro pavilhões de Alcaçuz, três abrigam integrantes do Sindicato do RN, facção rival do PCC. Os dois grupos disputam o comando de unidades prisionais e, principalmente, o tráfico de drogas no Estado. Do pavilhão 5 ninguém foi transferido. 

Os dois interlocutores da Polícia Civil e da Polícia Militar vão tentar conversar com os chefes das duas facções. A negociação com os líderes do PCC, por parte da PM, começou já na segunda-feira (16), quando homens do Batalhão de Choque entraram em Alcaçuz e separaram, por algumas horas, os dois grupos em confronto. Em seguida a esse primeiro contato, uma reunião tensa entre os secretários de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed), Caio Bezerra, e de Justiça e Cidadania (Sejuc), Wallber Virgolino, com a participação de outros integrantes do setor de inteligência do Governo do Estado, decidiu que as negociações deveriam continuar. A decisão não foi consensual.

O secretário Wallber Virgolino já declarou, em entrevistas à imprensa, que não aceita negociar com detentos. Para ele, parte da crise atual no sistema prisional, no RN e em outros estados brasileiros, tem origem na concessão feita pelo poder público em dividir as unidades prisionais entre as diferentes facções que atuam no crime organizado. A opinião não é compartilhada pelo secretário Caio Bezerra.

Procurada para comentar as informações dessa reportagem, a Assessoria de Imprensa do Governo do RN, confirmou que o Executivo designou duas pessoas como representantes, mas não para  negociar e sim para "conversar e manter um contato" com os detentos. Segundo a Assessoria é preciso existir comunicação. "É o que a polícia chama de verbalização". O possível atendimento às exigências dos detentos, ainda segundo as declarações da AI, deveria ser tratado com o delegado responsável pelo caso.

Pronunciamento do governador
No final da noite de ontem, através de uma rede social, horas após a conclusão da apuração dessa reportagem (as informações da TN são baseadas em fonte interna do Executivo), o governador Robinson Faria postou vídeo com a seguinte mensagem à população potiguar:

“Eu quero me dirigir a você neste momento tão difícil que estamos vivendo. Essa crise, talvez a pior crise da história da segurança pública de nosso Estado, motivada por esta briga de facções criminosas em todo país que infelizmente chegou até nós. Nosso Governo não recuou. Por não ter negociado, por não ter se intimidado, eles querem agora levar o pânico à população. Não vamos aceitar. Nosso governo não negocia com bandido, não recua. Confie no governador, confie na nossa polícia e juntos, com o apoio de vocês, com o apoio do povo, nós vamos vencer essas facções. Jamais eles serão maiores do que o Estado. Vamos nos unir e vamos vencer mais este desafio.”



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