Governo do RN prorroga isolamento social até o dia 4 de junho

Publicação: 2020-05-20 00:00:00
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Luiz Henrique Gomes
Repórter

O Governo do Rio Grande do Norte prorrogou as medidas de distanciamento social para o combate ao coronavírus até o dia 4 de junho. Segundo o secretário de Tributação, Carlos Eduardo Xavier, o decreto mantém as mesmas medidas em vigor e não tem maiores alterações. Apesar da pressão que surgiu sobre o governo para instaurar o isolamento social total, o ‘lockdown’, o Estado seguiu o entendimento do Comitê Técnico da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap/RN) de que ainda há espaço para aumentar o isolamento social dentro das regras atuais.

Créditos: Magnus NascimentoPelas ruas do Centro Comercial do Alecrim, o vai e vem de populares e ambulantes em nada lembra um dia de isolamento socialPelas ruas do Centro Comercial do Alecrim, o vai e vem de populares e ambulantes em nada lembra um dia de isolamento social


O Comitê Técnico é formado por representantes da Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap/RN) além de pesquisadores  e médicos infectologistas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Juntos, eles enviaram uma recomendação ao governo estadual nesta terça-feira, 19, que não inclui o decreto de isolamento social total (lockdown). A informação foi confirmada pela médica infectologista Marise Reis, participante do grupo. O entendimento é que essa medida é um último recurso a ser decretado por ser mais radical, depois de esgotada todas as outras possibilidade de mitigação do contágio do novo coronavírus.

“O posicionamento da governadora segue sempre a avaliação das medidas de restrição analisadas pelo Comitê Científico, e no momento a avaliação do comitê científico é que ainda não é o caso de lockdown. Isso está em permanente monitoramento e pode ser sim uma medida tomada mais na frente”, afirmou o secretário estadual de Tributação, Carlos Eduardo Xavier, à TRIBUNA DO NORTE.

O entendimento do Comitê Científico sobre o lockdown é o mesmo da semana passada, mas passou por uma reavaliação nesta segunda-feira, 18, após o número de mortos em 24 horas superar as projeções realizadas semanalmente e a ocupação dos leitos chegar perto do total. Na semana passada, o pesquisador e cientista Ricardo Valentim, membro do Comitê Científico, afirmou que “o Governo já tem um decreto muito restritivo”. “Deve se trabalhar para cumprir o que está no decreto e o Estado já está trabalhando para isso. Se fizer o ‘lockdown’ e não houver melhora, qual seria o próximo passo?”, declarou.

Adesão em queda
O isolamento social do Rio Grande do Norte foi considerado o segundo pior do Nordeste no último domingo, 17, pela empresa de tecnologia InLoco, que faz o georreferenciamento dos dados. Nesta segunda-feira, o isolamento social foi de 42%. O percentual é menor que o registrado na segunda-feira anterior, de 43,35%.  Pelas ruas do Alecrim, por exemplo, o clima é de normalidade. 

A TN procurou o Comitê Científico para questionar quais medidas ainda podem ser tomadas antes do isolamento social total e como o índice de isolamento social pode aumentar, mas não conseguiu contato até o fechamento desta edição.

Com a lotação dos leitos gerais de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusivos para pacientes com Covid-19 em hospitais de Natal pela primeira vez no dia 11 e o isolamento social total adotado em outros Estados, incluindo no Nordeste, a pressão sobre o governo estadual para decretar o lockdown aumentou por parte do Comitê Científico do Consórcio Nordeste. Nas redes sociais, omparações com Pernambuco são feitas desde domingo, quando o Estado vizinho atingiu o maior índice de isolamento social do país com o lockdown. Por outro lado, entidades ligadas ao setor empresarial consideram a medida um equívoco e pressionam o governo a não decretá-lo.

Histórico
O primeiro decreto de distanciamento social do governo estadual foi publicado no dia 22 de março. Com fechamento de escolas, paralisação do comércio, parte da indústria e recomendações de prevenção aos serviços essenciais que continuaram funcionando. O decreto surtiu uma adesão de 50% da população na primeira em semana em vigor.

No dia 24 de abril, ele foi renovado com a retomada de alguns serviços, como indústrias, construção civil e reabertura de salões de beleza, barbearias e manicures - esses últimos serviços sem recomendação do comitê de especialistas. A adesão ao isolamento caiu e ficou na faixa dos 40% em todo Rio Grande do Norte. 

Esse mesmo decreto foi renovado no dia 5, com a inclusão do uso obrigatório de máscaras - e permaneceu em vigor até a publicação do novo. A adesão ao isolamento social não voltou a crescer.