Governo federal irá distribuir cloroquina para tratar a covid-19

Publicação: 2020-03-26 00:00:00
Uma medicação usada no combate à malária, a chamada cloroquina, vai ser produzida em larga escala e distribuída em hospitais de todo o País para ser testada em pacientes que estão em situação grave, contaminados pelo novo coronavírus.

Créditos: Marcello Casal Jr/ABRGoverno federal quer usar a cloroquina no tratamento de pacientes de covid-19 em estado graveGoverno federal quer usar a cloroquina no tratamento de pacientes de covid-19 em estado grave


O Ministério da Saúde informou nesta quarta-feira, 25, que serão liberadas 3,4 milhões de unidades do remédio até a próxima sexta-feira, 27, para envio a hospitais. O próprio governo reconhece que ainda não há comprovação sobre o resultado efetivo da cloroquina para a covid-19, mas os primeiros testes já mostraram, segundo o governo, que o saldo é “mais positivo que negativo" em pacientes em situação de risco.

De acordo com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o remédio não será vendido em farmácias para a população em geral, porque não há nenhum benefício comprovado em sua utilização entre aqueles que não estão em estado grave pelo coronavírus. Já se sabe, por exemplo, que a cloroquina pode causar arritmia cardíaca, dores agudas nos rins, entre outros efeitos colaterais
Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro gravou um vídeo para divulgar o produto como uma forma de tratar pacientes de coronavírus. A divulgação causou uma corrida às farmácias e prejudicou pessoas que, efetivamente, fazem uso regular de remédios baseados na substância.

Conforme anunciado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira, seu uso, portanto, é restrito aos médicos, que poderão optar pelo tratamento com a substância, caso achem necessário.

“Estudos sobre cloroquina ainda são preliminares, será analisado no dia a dia, em casos graves", comentou Mandetta. “Se o médico entender que o paciente grave pode se beneficiar, terá a cloroquina disponível."

O secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos do Ministério da Saúde, Denizar Viana, disse que se trata de “um medicamento muito promissor" e que já é usado há décadas no Brasil. Ele reconheceu, porém, que não se trata de uma cura da covid-19. 

“Os estudos clínicos em humanos ainda estão em curso. Então, o que estamos oferecendo é uma opção terapêutica. É uma indicação complementar, com o máximo de controle. Os benefícios superam os riscos para esses pacientes. O Ministério da Saúde está propondo um protocolo somente para pacientes em situação grave", disse.

Bolsonaro
Em nova manifestação nas redes sociais sobre a pandemia do covid-19, o presidente Jair Bolsonaro voltou a mostrar esperança de que a solução venha a partir do tratamento com remédios. No Twitter, Bolsonaro disse que o tratamento com dois fármacos, a hidroxicloroquina e a azitromicina, tem mostrado eficácia e pode trazer tranquilidade à população.

“O tratamento da COVID-19, a base de Hidroxicloriquina (sic) e Azitromicina, tem se mostrado eficaz nos pacientes ora em tratamento. Nos próximos dias, tais resultados poderão ser apresentados ao público, trazendo o necessário ambiente de tranquilidade e serenidade ao Brasil e ao mundo", tuitou o presidente.