Governo isola Ernesto Araújo em negociações

Publicação: 2021-01-21 00:00:00
O chanceler Ernesto Araújo foi excluído das negociações com a China para a compra de vacinas e insumos contra a covid-19. Depois que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), conversou ontem com o embaixador chinês Yang Wanming para tratar do assunto, o governo divulgou nota para afirmar que é "o único interlocutor oficial com a China" nas negociações.

Créditos: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Maia, porém, disse ter ouvido de representantes chineses que ninguém do governo federal havia procurado a embaixada até então "Agora, nesse momento, não podemos olhar para conflitos políticos e todos que têm relação com a China podem ajudar", acrescentou o presidente da Câmara.

Quase ao mesmo tempo, o governador João Doria deu (PSDB) deu entrevista na qual anunciou que o escritório de São Paulo em Xangai também está atuando nas negociações.

O presidente Jair Bolsonaro reuniu ontem ministros, no Palácio do Planalto, e pediu que todos saíssem em defesa do governo na guerra das vacinas. Apesar de gostar de Ernesto Araújo, um integrante da ala ideológica do governo, Bolsonaro avalia que ele não deve conduzir qualquer tratativa com a China sobre as vacinas. Mesmo escanteado, porém, o chanceler disse que divergências políticas não foram o motivo do atraso na entrega de insumos para a produção do imunizante.

"Temos relação madura, construtiva, muito correta, tranquila com a China", afirmou o ministro, ontem, ao participar de uma reunião fechada com deputados, por videoconferência.

Mais tarde, foi divulgada uma nota preparada pelo Ministério das Comunicações, comandado por Fábio Faria, dizendo que "outros ministros do Governo Federal têm conversado com o Embaixador Yang Wanming". O texto menciona que, ontem mesmo, o próprio Faria e os ministros da Saúde, Eduardo Pazuello, e da Agricultura, Tereza Cristina, haviam participado de "conferência telefônica" com o embaixador.

"O Ministério das Relações Exteriores, por meio da embaixada do Brasil em Pequim, tem mantido negociações com o Governo da China", destaca a nota. Amigo do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho "zero três" do presidente, Araújo já se referiu à covid-19 como "comunavírus" e se envolveu em polêmica com Wanming, no ano passado.

Em novembro, por exemplo, o chanceler saiu em defesa de Eduardo, que, nas redes sociais, havia associado o governo chinês à "espionagem" por meio da tecnologia 5G. Na ocasião, o presidente chegou a elogiar Araújo pela iniciativa.