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Natal
Governo quer respostas da Petrobras
Publicado: 00:00:00 - 07/11/2017 Atualizado: 21:25:23 - 06/11/2017
Mariana Ceci
Repórter

A série de desinvestimentos da Petrobras no Rio Grande do Norte e que, de 2009 a 2016, apontou uma queda de 77% no valor investido preocupa empresários e integrantes do Governo do Estado. Nesta segunda-feira (5), após uma reunião entre o secretário de desenvolvimento econômico do Estado, Flávio Azevedo, e o governador Robinson Faria (PSD), o governo decidiu solicitar uma reunião com o presidente da Petrobras, Pedro Parante, para discutir a questão do Estado. A reunião ainda não tem data definida e depende da agenda do presidente da estatal. O secretário de desenvolvimento econômico do Estado, Flávio Azevedo, afirmou que “o Governo do Estado vai cobrar de forma enérgica respostas da Petrobras" e considerou os efeitos dos desinvestimentos “desastrosos, especialmente para o Oeste do Estado".

Magnus Nascimento
Flávio Azevedo, titular da Sedec, disse que os efeitos dos desinvestimentos são

Flávio Azevedo, titular da Sedec, disse que os efeitos dos desinvestimentos são


Flávio Azevedo, titular da Sedec, disse que os efeitos dos desinvestimentos são ''desastrosos''

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O programa de desinvestimentos da Petrobras é parte de um projeto nacional, evidenciado pelo seu Plano de Negócios 2017-2021. O plano, que pretende reduzir de US$ 5,4 bilhões para US$ 2,5 bilhões a dívida interna da empresa, vai englobar redução de gastos com pessoal através de demissões, venda de ativos, desaceleração da perfuração de novos postos de exploração e foco maior no pré-sal.

Todas as medidas afetam diretamente o Rio Grande do Norte, um dos maiores produtores de petróleo em terra no país. Localmente, a empresa já está realizando uma série de demissões, tanto de funcionários diretos como de terceirizados que atuam na área. Para o secretário Flávio Azevedo, as consequências disso para o Estado, que tem cerca de 40% de seu Valor Bruto de Produção Industrial (VPBI) provenientes de suas atividades, são desastrosas.

“Conforme está demonstrado na prática pela diminuição das atividades da empresa na região Oeste do Estado, essa situação é desastrosa. Não acredito que essa diminuição da atividades deva-se exclusivamente à redução da nossa capacidade de produção nos campos de petróleo, porque os campos não tem como ter uma redução dessa ordem do dia para a noite. Existe, de fato, uma redução da nossa capacidade de produção, mas não desse tamanho. Essa coisa toda está muito mal explicada, e a empresa tem uma responsabilidade para o Estado, não apenas de ordem econômica mas, principalmente, social, e nós já estamos sentindo seus impactos em função das demissões em massa que estão sendo realizadas", disse o secretário.

A redução da capacidade de produção dos poços do Rio Grande do Norte deve-se ao fato de que a produção no Estado  ocorre desde a década de 1970 e muitos desses poços já são considerados “maduros", ou seja, atingiram o auge de sua capacidade de produção e precisam de alguns mecanismos para continuar produzindo em quantidades vantajosas.

Esse fato, no entanto, não é considerado um motivo plausível para abdicar dos investimentos no Estado de forma tão repentina, de acordo com o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Amaro Sales:  “Da década de 1980 para cá a Petrobras utilizou grande parte dos recursos naturais do Estado e agora, de uma forma até melancólica, está deixando o Rio Grande do Norte em terceiro plano”, disse ele. Para o empresário, a alternativa viável seria apostar no setor de energias renováveis, no qual o Estado também se destaca nacionalmente, especialmente na  parte de energia eólica.

“Claro que deveria haver mais investimento na parte de energia, o Estado é um grande produtor de energias renováveis e eu acho que a Petrobras tem como missão trazer para o RN investimentos em outras energias. O que não pode é abandonar o Estado completamente, como vemos que está sendo feito progressivamente”, completa.

Em nota, a Petrobras afirmou que está investindo aproximadamente R$ 800 milhões no Rio Grande do Norte nas atividades de Exploração e Produção e Refino no ano de 2017. Para eles, os desinvestimentos representam a redução dos endividamentos da empresa para garantir a sua sobrevivência a médio e longo prazo.

“O programa de parcerias e desinvestimentos da Petrobras tem como principal motivador contribuir para diminuir o endividamento da empresa e garantir a sustentabilidade da companhia no médio e longo prazos. A Petrobras tem hoje os seguintes projetos de desinvestimentos em andamento nos estados do Rio Grande do Norte: dois polos terrestres (Riacho da Forquilha e Macau) e um polo marítimo (Rio Grande do Norte Mar). Uma vez concluídos os desinvestimentos, os novos concessionários continuarão desenvolvendo as operações e atividades inerentes às concessões desses polos”, afirmou a estatal.


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