Grã-Bretanha anula convite para embaixador da Síria

Publicação: 2011-04-29 00:00:00
Londres (AE) - A política global superou ontem o protocolo cerimonial, quando a Grã-Bretanha anulou o convite para o casamento real ao embaixador da Síria, em razão dos violentos ataques do governo sírio contra manifestantes no país árabe. Mas críticos continuam a se perguntar a razão pela qual a lista de convidados tem espaço para déspotas enquanto os ex-primeiros-ministros Gordon Brown e Tony Blair, ambos do Partido Trabalhista, ficaram de fora. Grupos de direitos humanos haviam criticado a decisão de convidar o embaixador sírio Sami Khiyami para o casamento do príncipe William e Kate Middleton na abadia de Westminster na sexta-feira. Mais de 450 pessoas foram mortas desde meados de março no levante contra governo autoritário do presidente sírio Bashar Assad. Só no final de semana, 120 pessoas morreram.

desfile Guarda britânica acerta passo para em frente ao Palácio de Buckingham, um dia antes do casamento do príncipe William. Cerimônia será transmitida pelas TVO governo disse que embaixadores de todos os países com os quais a Grã-Bretanha tem “relações diplomáticas normais” foram convidados para o casamento, cerca de 185 no total, e que o convite não analisa comportamento dos governos. Mas o Ministério de Relações Exteriores informou que “tendo em vista os ataques contra civis das forças de segurança sírias nesta semana, os quais condenamos, o secretário de Relações Exteriores decidiu que a presença do embaixador sírio no casamento real seria inaceitável e que ele não deve comparecer”. Segundo o comunicado, o Palácio de Buckingham compartilha essa opinião.

Khiyami disse não estar surpreso com a decisão, que ele atribuiu ao “efeito da mídia sobre decisões de governo”. “Eu acho que foi um pouco embaraçoso, mas não considero isso uma questão que vá pôr em risco as atuais relações e discussões com o governo britânico”, disse ele à BBC.

O governo britânico tem expressado fortes críticas à violência na Síria e na quarta-feira convocou Khiyami ao Ministério de Relações Exteriores para uma reprimenda. Também não estão na lista de convidados os embaixadores da Líbia - a Grã-Bretanha está envolvida na missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra o governo de Muamar Kadafi - e do Malavi, cujo enviado foi expulso de Londres nesta semana como uma espécie de punição diplomática. Dentre os convidados criticados por ativistas de direitos humanos estão o monarca absolutista da Suazilândia, rei Mswati III; o embaixador do governo do presidente Robert Mugabe do Zimbábue; e o príncipe Mohamed bin Nawaf bin Abdulaziz, da Arábia Saudita.

Manifestantes planejaram a realização de um protesto do lado de fora do Palácio de Buckingham para condenar a participação da Arábia Saudita na repressão a dissidentes no vizinho Bahrein. O príncipe   Al Khalifa recusou o convite, dizendo que não quer que os protestos em seu país manchem a celebração. Os governantes do Bahrein impuseram uma lei marcial e são apoiados por uma força militar saudita que tenta conter o levante iniciado em fevereiro.

Súditos acampam nas ruas à espera  do casamento

Londres (AE) - Centenas de pessoas acamparam nos arredores da abadia de Westminster à espera do casamento real entre o príncipe William e Kate Middleton. A cerimônia de hoje foi planejada como uma operação militar, e na verdade é. Cada passo da cerimônia foi minuciosamente ensaiado, cada flor meticulosamente colocada no corredor da igreja, transformada numa via cheia de árvores floridas. Os obstinados fãs se acomodam em barracas e sacos de dormir nas proximidades da abadia, de 1.000 anos.

Dentre eles está India Marlow-Prince, londrina de 17 anos que fazia um piquenique com amigos. “Ela é a Diana de nossa geração. E Will é um lindo”, disse ela. “Estamos um pouco bravas com ela por tê-lo agarrado, mas ainda existe o Harry.”

Sarah White lembra que “é uma coisa que só acontece uma vez na vida. Não muitos futuros reis vão se casar em breve, disse a moradora de Londres de 26 anos que está acampada em frente à abadia com sua irmã, Liz.

Quando Kate Middleton e o padrinho, príncipe Harry, fizerem a passagem final no interior da abadia onde ela vai se casar com o príncipe William, uma crescente multidão de turistas curiosos, monarquistas dedicados, vendedores de suvenires e pessoas que querem ver a família real transformarão as ruas ao redor da igreja numa cena de caos festivo.

Para a segurança do casamento foram convocados mais de 1.500 soldados, marinheiros e integrantes da Aeronáutica para o trabalho cerimonial pela rota por onde o casal vai passar entre a abadia e o palácio de Buckingham, que ficam a 1,6 quilômetro de distância um do outro. Outros 5 mil policiais uniformizados e à paisana ficarão atentos para potenciais ameaças de dissidentes irlandeses, extremistas muçulmanos, antimonarquistas, pessoas com obsessão pela família real e hooligans bêbados.

A cerimônia do casamento real vai oferecer pompa e circunstância em grade escala, começando com uma lista de convidados com 1.900 pessoas de todo o mundo que incluem reis e rainhas, astros do esporte e da música, amigos da universidade, pilotos da Força Aérea Real e funcionários de entidades de caridade, além de amigos e familiares.

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