Graffiti, samba e Navarro no Centro

Publicação: 2019-01-10 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Nem só de sol e mar se curte o verão. Entre janeiro e fevereiro, quem quiser dar um tempo da praia e ir bater perna no Centro Histórico encontrará três exposições de artes visuais abertas. Na Fundação Capitania das Artes (Funcarte), a Galeria Newton Navarro apresenta uma série de trabalhos em que o samba dá o tom das cores, figuras e movimentos. A obras fazem parte da 6ª Edição do Graffiti Expo Natal, reúne diversos artistas identificados com a arte urbana. No outro lado da rua (avenida Câmara Cascudo), a Galeria do Sesc Cidade Alta abriu a exposição “Do Mar ao Sertão”, com obras de Newton Navarro. E no Museu Café Filho, o artista Jennison José Vilaça apresenta “Infinito Particular”.

Grafites, instalações, esculturas e telas de vários artistas visuais do RN compõem a coletânea em cartaz na galeria da Funcarte, numa homenagem a figuras do samba potiguar e do Brasil
Grafites, instalações, esculturas e telas de vários artistas visuais do RN compõem a coletânea em cartaz na galeria da Funcarte, numa homenagem a figuras do samba potiguar e do Brasil

Aberta desde o dia 27 de dezembro, a Graffiti Expo Natal reúne, entre outros convidados, os artistas Arbus, Gabriel Gago, Lucas MDS, Marcelo Borges e Inaldo Werneck, Joto Gomo, Daniel Torres, Carlos Sérgio Borges e Rita Machado. Alguns trabalhos, como as telas abstratas e luminosas de Riacrdo Bahia, não se comunicam com o tema samba, boemia, música. O artista Joto Gomo, por outro lado, com sua série de caixas coloridas defendeu sua linguagem pictórica, aproximando-a do tema ao homenagear personalidades da música brasileira, como Pixinguinha, Clementina de Jesus e Grande Otelo.

Homenagens diretas a ícones do samba não faltam na exposição. Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Alcione, Dudo Nobre, Jamelão, Arlindo Cruz, Paulinho da Viola, Elza Soares e Leci Brandão, por exemplo, aparecem em ilustrações numa série de banners. Mas das homenagens a que chama mais atenção, logo de cara, por sinal, é o grande grafite com o rosto de Mestre Zorro, compositor das Rocas que lançou seu primeiro disco, “Filme Eterno”, no ano passado, aos 65 anos. Também chama atenção a instalação com uma vestido grafitado que baila com o vento no centro da sala expositiva.

Segundo o idealizador da mostra, o produtor Marcelo Veni, o objetivo com referências a nomes de destaque do samba servem para despertar a curiosidade no público mais jovem. “Recebemos muitas crianças. Então é legal ter conteúdo de fácil percepção pra esses visitantes. E assim também estamos valorizando os personagens do tema homenageado”, comenta.

Bonecas de Plínio Faro compõem a mostra de arte urbana
Bonecas de Plínio Faro compõem a mostra de arte urbana

De negativo, a exposição tem a montagem. Alguns trabalhos não se comunicam com as obras do lado, às vezes nem dá para saber quando se termina uma série de um artista e começa a do outro. A falta de informação impossibilita até a identificação do autor de algumas obras. Falta também detalhes sobre linguagem, material, temática, contextualização. De todo modo, a Graffiti Expo Natal fica em cartaz até fevereiro. Os horários de visitação são das 8h às 12h, e das 14 às 18h. A entrada é gratuita e as peças são comercializadas.

Navarro entre o mar e o sertão
A Galeria do Sesc Cidade Alta abre a temporada 2019 expondo um apanhado de obras do grande artista potiguar Newton Navarro (1928-1992). As 24 peças que compõem a mostra, todas do acervo do Sesc, se comunicam com o litoral e o interior. Por isso o nome “Do Mar ao Sertão”. A exposição foi aberta no dia 8 de janeiro e fica em cartaz até o dia 15 de fevereiro. O horário de visitação é sempre das 9h às 17h, com entrada gratuita.

Das exposições visitadas pelo VIVER, a da Galeria Sesc é a única  que dispõe de mediador – no caso, mediadora: a jovem professora de artes Hianna Camilla. Foi ela quem deu detalhes sobre os quadros e sobre o artista, lembrando também que a biblioteca da instituição dispõe de livros do e sobre Navarro, e que o mural de grafite no lado de fora do Sesc dialoga com a obra do potiguar. “Nesta série, ele pintou quatro praias potiguares. O legal é que além da ótica do artista, a  gente vê a praia como ela era na década de 70. Você consegue identificar que praias são essas”, provoca a mediadora.

Do Mar ao Sertão mostra principais temáticas de Navarro
“Do Mar ao Sertão” mostra principais temáticas de Navarro

A mostra abrange um período que vai de 1960 até 1990. Os trabalhos são em aquarela, óleo, guaxe, nanquim. Na telas os visitantes podem ver a forma peculiar de Navarro de retratar figuras e costumes sertanejos, como vaqueiros, rendeiras e a cultura popular. Da parte litorânea ele retrata a Redinha, Santos Reis, o Rio Potengi, os pescadores.

Infinito Particular
Funcionando como galeria enquanto não é montada a exposição museográfica sobre o único potiguar a assumir o posto de presidente da República, o Museu Café Filho está ocupado com a individual “Infinito Particular”, do artista visual  Jennison José Vilaça. A exposição foi aberta no começo de dezembro e segue em cartaz até fevereiro. As visitas vão de terça a sexta, das 8h às 17h, e das 9h às 16h, nos sábados e domingos.

Ex-diretor do museu, Jennison apresenta ao público uma série de três dezenas de pinturas. Os tamanhos são variados, assim como os temas. Há retratos de mulheres não identificadas e conhecidas, como Frida Kahlo. A presença de animais é marcante, em especial os gatos. A exposição também vai além das pinturas de Jennison e reúne obras de outras artistas que pertencem a sua coleção particular. Quanto a essas peças, vale ressaltar uma série de cabeças de alce com intervenções pictóricas.

O conjunto de obras ocupou bem o espaço do museu, mas faltou construir um percurso visual pelos estilos e temas das obras. A montagem deixa o visitante um pouco confuso sobre aonde começa e termina o que pertence ao Jennison e ou que é de sua coleção.


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