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Natal
Grande Natal: epicentro da pandemia da covid-19 no RN
Publicado: 00:00:00 - 09/03/2021 Atualizado: 21:45:02 - 08/03/2021
Felipe Salustino
Repórter

A Região Metropolitana de Natal é hoje o epicentro da pandemia de covid-19 no Rio Grande do Norte. A afirmação consta no relatório 'A Região Metropolitana de Natal/RN: o epicentro da covid-19 no RN', do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN) divulgado no final de semana passado. Segundo o documento, 92 mortes ocorreram nos últimos 15 dias na região em decorrência da doença. Esse número corresponde a um terço do total registrado de janeiro até a semana passada na Grande Natal, já que o acumulado de óbitos nesse período ficou em 324. 

Alex Régis
Conforme dados da Plataforma Regula RN, o Hospital de Campanha de Natal é um dos que estão com lotação máxima nas UTIs

Conforme dados da Plataforma Regula RN, o Hospital de Campanha de Natal é um dos que estão com lotação máxima nas UTIs


O quantitativo, porém, pode ser ainda maior. Os dados do dia 18 de fevereiro até hoje ainda estão em análise pelos especialistas ligados à Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN). A continuar nesse ritmo, aponta o relatório, o Rio Grande do Norte atingirá a marca dos 4 mil mortos por covid-19 ainda neste mês. Conforme o Boletim Epidemiológico mais recente da Sesap, o Estado contabiliza 3.749 óbitos pela doença, sendo 11 entre o domingo (7) e essa segunda-feira (8). Existem outras 791 mortes em estudos, pois são suspeitas.

O relatório analisa a situação da crise no RN desde o dia 1º de janeiro de 2021 até a última sexta-feira, 5 de março, e recomenda que todos os municípios potiguares sigam o mais recente decreto estadual a fim de evitar restrições ainda mais severas do que as atuais. O relatório indica que a situação em toda a Grande Natal se agravou após o período de Carnaval, época que o Estado registrou grandes aglomerações, como as que foram veiculadas pela mídia na capital e em Pipa, no litoral Sul potiguar.

De acordo com o relatório do LAIS/UFRN, dos 18.136 casos de covid-19 confirmados no Estado entre janeiro deste ano e a semana passada, 5.246 ocorreram em aproximadamente 15 dias, nos dias posteriores ao Carnaval. O número de casos recentes equivale a quase 29% das confirmações em todo o RN em 2021. O aumento dos números, segundo o documento, é resultado da alta taxa de transmissibilidade (Rt) da doença, que ficou em 1,40 no dia 20 de fevereiro, quatro dias após a terça-feira de Carnaval. O índice foi o mais alto do ano até o momento. O ideal, segundo especialistas, é que a Rt esteja abaixo de 1.

 O diretor executivo do LAIS/UFRN, Ricardo Valentim, explica que a orientação, a partir do relatório, é a de que os municípios acatem as regras estabelecidas pelo decreto estadual que impõe medidas restritivas como o toque de recolher das 20h às 6h do dia seguinte, de segunda-feira a sábado, e em tempo integral aos domingos e feriados. “Não estamos pedindo para o gestor fazer lockdown. O relatório recomenda que os municípios todos sigam o decreto do Estado, porque essa é a única forma que nós temos de evitar medidas restritivas ainda mais rigorosas. Se não houver sinergia das autoridades com o decreto do Estado e se os indicadores não melhorarem, será necessário impor medidas mais rigorosas na Região Metropolitana, podendo chegar até o bloqueio total”, alertou o cientista.

Valentim comentou em quais circunstâncias o Estado deverá optar por medidas mais extremas. “Para que haja um lockdown é preciso planejamento. E não adianta fazer um bloqueio total sem preparar a população para isso. Daqui para o dia 15 (de março), a ocupação de leitos tem que estar abaixo de 90%. Se não for assim, terão que ser impostas medidas mais restritivas ou o bloqueio total. Da mesmo modo, se até o dia 22, a taxa de ocupação não estiver abaixo de 80%, o documento faz as mesmas recomendações”, declara.

O pesquisador reforçou o convite a uma adesão ao toque de recolher, conforme decreto estadual em vigência e elogiou o comportamento dos potiguares durante o primeiro final de semana com a nova medida. Segundo ele, a orientação é que haja toque de recolher também no feriado da Páscoa, que acontece no começo de abril, mesmo que os índices da pandemia no Estado estejam em queda.

Divulgação
Ricardo Valentim chama atenção para medidas mais enérgicas

Ricardo Valentim chama atenção para medidas mais enérgicas


“Propomos o toque de recolher na Páscoa, porque, no final de março, a gente pode estar numa situação melhor da crise sanitária e não pode relaxar sob pena de acontecer o que aconteceu no Carnaval. O toque de recolher é uma medida que se mostrou bastante efetiva. No domingo, o RN foi o Estado com maior taxa de isolamento social (em todo o Brasil). Isso mostra que o decreto está indo no caminho correto e que a população aderiu”, sublinha.

Alinhamento de decreto não tem definição
A Prefeitura não comentou se pretende alinhar as medidas do Município ao decreto estadual. “O comitê cientifico municipal e a Secretaria Municipal de Saúde acompanham diariamente o quadro da pandemia na cidade e no Estado e novas medidas dependem da evolução da situação”, esclareceu em nota.

Outros municípios da Grande Natal também não aderiram ao decreto estadual recente.  É o caso de Parnamirim, cidade que tem a segunda situação mais crítica da RMN. O município fez sete transferências de pacientes com covid para outras cidades neste ano. Foram internados 4 em Pau dos Ferros; 1 em Mossoró; 1 em Caicó e 1 em Currais Novos. Atualmente, Parnamirim segue um decreto municipal do dia 2 de março, onde as determinações para o funcionamento do comércio são as seguintes: a maioria das lojas funciona das 9h às 17, de segunda a sexta-feira, e das 9h às 13h aos sábados; shoppings podem abrir das 9h às 22h; e bares, restaurantes e similares, funcionam das 11h às 22h. A Prefeitura de Parnamirim informou que um novo decreto será publicado nesta terça-feira (9), mas não quis adiantar se estarão alinhadas com o decreto estadual.

Em São José de Mipibu vale decreto de 2 de março. Por lá, já existe toque de recolher das 22h às 5h do dia seguinte. A Prefeitura  informou  que membros de um Comitê Municipal iriam se reunir na noite dessa segunda (8) para debater sobre medidas de enfrentamento à covid, mas também não quis informar quais medidas seriam discutidas.

O diretor executivo do LAIS/UFRN, Ricardo Valentim, comentou sobre a incompatibilidade entre o decreto estadual e os decretos municipais na Grande Natal e disse que os gestores municipais podem ser responsabilizados em caso de prejuízos à rede hospitalar do Estado. “As flexibilizações em relação ao decreto do Estado poderão ensejar em responsabilização do gestor municipal que fizer isso, porque poderá colocar em risco toda a rede assistencial do Estado”, alertou.

Natal está em situação crítica, diz LAIS/UFRN
Em Natal, o prefeito Álvaro Dias assinou um decreto no sábado (6) com regras próprias para o funcionamento do comércio, logo após o início da validade das medidas implementadas pelo Governo do Estado. O decreto municipal determina a ampliação dos horários de funcionamento de alguns estabelecimentos comerciais e, na contramão das medidas estaduais, deixou de fora o toque de recolher. 

A capital tem o cenário mais crítico da Região Metropolitana, segundo o LAIS. Com a alta demanda por leitos, pacientes tiveram que ser transferidos para  outras regiões. Três pacientes  em Mossoró; 2 em Guamaré; 3 em Caicó; 1 em Pau dos Ferros e 1 em Santa Cruz.A Prefeitura do Natal informou que “o fato de 10 pacientes da Região Metropolitana terem sido transferidos para outras regiões do Estado está dentro dos princípios de universalidade do SUS. Tanto assim, que a SMS registra que somente no Hospital de Campanha, referência exclusiva para tratamento de pessoas acometidas pelo coronavírus, mais de 1,6 mil pacientes foram internados de junho do ano passado para cá”. 

Desse total, segue o documento da Prefeitura, 206 pacientes (12,78%) foram pessoas de outros municípios e Estados. “Os municípios que mais receberam essa assistência compartilhada no Hospital de Campanha foram: Parnamirim (26), São Gonçalo do Amarante (16), Extremoz (13) e Ceará-Mirim (6). Além disso, em janeiro de 2021, alguns dos leitos do Hospital de Campanha foram colocados à disposição do Ministério da Saúde para receber pacientes amazonenses diante da crise de falta de oxigênio que ocorreu na região Norte do país. Entre os brasileiros que já receberam atendimento no HC, 34 deles vieram do Amazonas, seguido do Rio de Janeiro (8), Paraíba (7), São Paulo (5) e Pernambuco (5)”.

A nota diz ainda que, nas quatro Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) da cidade, mais de 15 mil pessoas de outras cidades foram atendidas de um total de 206.990 pacientes, de junho de 2020 do a fevereiro último. A Prefeitura do Natal afirmou ter ciência de que o momento é de extrema gravidade, mas esclareceu que tem reforçado a própria atuação, com a abertura de Centros de Enfrentamento à Covid-19, instalação de leitos em hospitais da cidade, além de ampliar o horário de atendimento de 10 Unidades Básicas de Saúde.  Prefeitura do Natal lembrou que em breve irá abrir um Hospital Dia no Palácio dos Esporte e disse que “tem reforçado a fiscalização da obediência às regras”.







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