Gravações colocam em xeque atuação de Rodrigo Janot

Publicação: 2017-06-17 00:00:00 | Comentários: 0
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A atuação do procurador-geral da República pode não ser motivada somente por interesses republicanos. É o que aponta conversa entre procuradores da República que foram registradas em investigação e divulgadas pela revista Istoé. Em conversa com o procurador Ângelo Goulart, preso em maio deste ano, a procuradora Caroline Maciel, que atua no Rio Grande do Norte, disse que Rodrigo Janot estaria perseguindo pessoas ligadas à procuradora Raquel Dodge, que disputará a sucessão de Janot. Entre as pessoas que estariam como alvos do procurador-geral da República estaria o senador José Agripino (DEM).

Nas gravações obtidas pela revista IstoÉ e divulgadas em sua página na internet, Caroline Maciel demonstrou preocupação com a situação de Ângelo Goulart, porque ele supostamente teria declarado apoio a Raquel Dodge na sucessão de Janot, apontada como 'inimiga' do atual procurador-geral.

Janot conduz as investigações que envolvem foro privilegiado
Janot conduz as investigações que envolvem foro privilegiado

"Estou te avisando porque parece que a guerra está num nível que eu não consigo nem imaginar porque eu não sou desse tipo de coisa. Inclusive, pelo que eu senti, a tática de Janot é apavorar quem estiver do lado de Raquel. Claro que tem gente que nem liga. Mas tem gente que…", disse a procuradora.

No diálogo, Goulart afirma que não tem contato com Raquel Dodge e que não há motivos para temer. Além disso, o procurador também afirmou que Rodrigo Janot tratou normalmente com ele sobre uma demanda no Tribunal Superior Eleitoral. Uma semana após a conversa entre Janot e Goulart, no entanto, o procurador foi preso por suspeita de vazar informações sobre processos sigilosos.

No trecho divulgado pela revista sobre Agripino, Caroline Maciel falou que o senador também seria alvo por ter acenado para apoio à candidatura de Raquel Dodge. "É o seguinte. O Rodrigo (Rodrigo Telles de Souza, outro procurador da Lava Jato no STF) está muito preocupado porque ouviu (…) ele disse que se fala lá nessa história de (senador) José Agripino ter prometido apoio a Raquel. E de alguma forma agora querem lascar José Agripino", disse no áudio reproduzido.

Através de nota, Caroline Maciel afirma que a revista deturpou as conversas "privadas e sigilosas" entre colegas da diretoria da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). Segundo a nota, "os diálogos, na verdade, diziam respeito à adoção de postura de membros da diretoria no sentido de evitar apoio a qualquer candidatura ao cargo de procurador-geral da República, cujo processo de inscrição estava aberto, entretanto com período de campanha ainda não iniciado".

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