Greve dos médicos tem 30% de adesão

Publicação: 2019-11-21 00:00:00 | Comentários: 0
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Cerca de 30% dos médicos concursados do município de Natal aderiram à greve da categoria, que teve início no dia 19 de novembro. A principal pauta dos médicos é o pagamento da totalidade dos salários estipulados pela Prefeitura que, de acordo com os médicos, estão sendo efetuados apenas pela metade, sem as gratificações por atendimento ambulatorial e adicional de insalubridade.

Na Policlínica da zona Oeste da cidade, sete médicos aderiram à paralisação e, segundo a administração da unidade a cada dia aumenta a adesão
Na Policlínica da zona Oeste da cidade, sete médicos aderiram à paralisação e, segundo a administração da unidade a cada dia aumenta a adesão

De acordo com os médicos, o não pagamento da totalidade dos salários tem gerado desistência dos médicos aprovados no último concurso feito pela Prefeitura, que foram convocados para atuar no município. “A prefeitura não está fazendo o pagamento, e isso está levando as pessoas a desistirem do concurso. Na prática, isso faz com que eles tenham que gastar cada vez mais com médicos cooperados, que recebem o dobro do salário dos concursados”, relata o médico Anecildes Arruda, um dos que participa do movimento.

De acordo com ele, dos 35 médicos que foram convocados pela prefeitura, mais da metade já desistiu do concurso em decorrência do pagamento parcial.  “A Cooperativa paga o dobro do valor, enquanto os médicos que estão diretamente vinculados ao município estão recebendo metade dos salários que deveriam receber, que já é inferior ao dos cooperados”, explica.

O vice-presidente do Sindicato dos Médicos, Francisco das Chagas, afirma que a adesão à greve é “expressiva principalmente entre os médicos que ingressaram através do último concurso, que estão sendo diretamente prejudicados pela situação”. De acordo com ele, o movimento ainda é recente, e a expectativa é que não apenas outros médicos, mas outras categorias da saúde que estão prejudicadas também possam aderir ao movimento.

Ele afirma, ainda, que o diálogo com a Secretaria Municipal de Saúde vem se mostrado insuficiente. “Nas reuniões que tivemos com a Prefeitura, o prefeito não se fez presente em nenhum momento, e as respostas que temos é de que faltam recursos financeiros.”.

Durante a manhã dessa quarta-feira (20), a TRIBUNA DO NORTE esteve em postos de saúde da capital potiguar a fim de verificar a situação do atendimento à população diante da paralisação.

Na Policlínica Sul, no bairro de Neópolis, onde a maior parte dos médicos são concursados da SMS, a paralisação atingiu a maior parte dos serviços oferecidos pela clínica. Ao todo, 15 especialidades ficaram paradas, como cardiologia, ginecologia, urologia, endocrinologia e alergologia. Outras 6 continuaram funcionando.

Já na Unidade de Pronto-Atendimento de Cidade da Esperança, onde 100% dos médicos são cooperados, o atendimento funcionou normalmente à população. O mesmo não aconteceu na Policlínica Oeste, que fica há um quarteirão de distância da UPA: lá, 7 médicos aderiram à greve. O número, de acordo com a administração da Policlínica, está crescendo com o passar dos dias.

“No primeiro dia eram cinco médicos. Hoje, foram sete”, afirma Alexandre Magnus, administrador da Policlínica. Lá, foram afetados, alguns parcialmente e outros totalmente, serviços como ultrassonografia,  endocrinologia, pneumologia, oftalmologia e mastologia.

A SMS, por sua vez, se manifestou através da assessoria de comunicação, que afirma que “o diálogo sempre existiu, o impasse são recursos financeiros”. Sobre os motivos pelos quais a Prefeitura é capaz de efetuar o pagamento dos médicos cooperados, que recebem salários muito superiores ao dos concursados, mas não conseguirem pagar o salário completo dos médicos vinculados à SMS, a Prefeitura afirma que a questão “está sendo avaliada pelo Município com as secretarias envolvidas”, e ainda não há um posicionamento definitivo.




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