Cookie Consent
Natal
Greve dos servidores da saúde é mantida e afeta atendimento
Publicado: 00:00:00 - 13/04/2022 Atualizado: 06:47:47 - 13/04/2022
Os servidores da saúde de Natal não chegaram a um acordo com o Município para encerrar a greve da categoria, iniciada na última segunda-feira (12). Os trabalhadores se reuniram com o prefeito Álvaro Dias (PSDB) na sede da prefeitura para apresentar a pauta de reivindicações, que tem como carro-chefe a cobrança de uma revisão salarial. De acordo com representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do RN (Sindsaúde), a proposta apresentada pelo Executivo não agradou os servidores e, por esse motivo, a tendência é de que o movimento grevista continue.

Magnus Nascimento
Com a greve, sindicato pretende manter apenas 30% do efetivo. Pacientes reclamam

Com a greve, sindicato pretende manter apenas 30% do efetivo. Pacientes reclamam


Para ratificar a posição, os membros do sindicato vão se encontrar na manhã desta quarta-feira (13), na Praça dos Três Poderes, às 9h. Ainda segundo o Sindsaúde, o prefeito pediu que a greve fosse encerrada e afirmou que a equipe técnica de planejamento financeiro da Prefeitura está elaborando um estudo para verificar a viabilidade da concessão do reajuste salarial. O executivo estabeleceu o dia 29 de abril como data limite para levar uma proposta à mesa de negociação. A posição desagradou os servidores da saúde, que aguardaram o encontro acampados em tendas na frente do Palácio Felipe Camarão.

A técnica de enfermagem Soraya Pessoa foi uma das servidoras que participou da manifestação. “Eu moro no Alecrim e trabalho no Guarapes, com a gasolina a R$ 8 não tem condições. Não temos direito a vale-alimentação, nós é que fazemos nossa comida. Nosso salário de técnica é R$ 1.400 e sem reajuste há oito anos. Existe uma necessidade da gente viver dignamente e poderíamos estar vivendo se houvesse respeito com a nossa categoria. Eu tenho 57 anos, 36 anos trabalhando no município. Nós fundamos a saúde pública do Rio Grande do Norte e somos tratados dessa forma. É inadmissível”, desabafa.

A greve da saúde entra hoje no terceiro dia e afeta hospitais, unidades de pronto atendimento e unidades básicas de saúde. Quem já sente os efeitos da paralisação é a cuidadora Cleide Souza, que saiu de casa na manhã de terça-feira (11) para trabalhar e passou mal dentro do ônibus lotado, no trajeto entre os bairros de Nossa Senhora da Apresentação, na zona Norte, e Felipe Camarão, na parte Oeste da capital. Ela apresentou sintomas de pressão alta, dores na nuca e náuseas. Ao descer do transporte público, ela ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não foi atendida devido à paralisação dos profissionais da saúde.

“O ônibus tava muito cheio porque nessa hora é sempre assim e eu comecei a suar frio, com a pressão alta, muita dor na nuca e pra completar sentir um nervoso. Eu desci na 9 [Avenida Coronel Estevam] e pedi o Samu e a Samu disse que não podia vir porque tava em greve”, contou a profissional. 

A cuidadora reclama da falta de insumos na unidade. “Quando eu cheguei lá dentro não tinha todos os medicamentos que eu precisava”, disse Cleide, que aguardava na recepção da unidade.

A TRIBUNA DO NORTE solicitou posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) sobre a greve e a denúncia de filas e falta de medicamentos nas unidades, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Com a greve, apenas 30% dos servidores continuam atuando nas unidades. A greve tem apoio do Sindicato dos Odontologistas do Estado do RN (Soern), Sindicato de Enfermeiros do Estado (Sindern) e Sindicato dos Farmacêuticos (Sinfarn). 

Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte