Grupo de infectologistas analisa eficácia de medicamentos usados para Covid-19; veja resultado

Publicação: 2020-07-09 09:21:00
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O uso de medicações para prevenção a infecção pelo novo coronavírus e também para o tratamento de pessoas com Covid-19 foi analisado por uma comissão de especialistas do Departamento de Infectologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Na reunião, foi definida uma recomendação assinada por 10 infectologistas (sendo cinco com PhD na área) onde o entendimento é de que nenhum medicamento se mostrou eficaz na prevenção da doença. Sobre o tratamento, também houve análise de diversas drogas.
Créditos: Arquivo TNUso de Ivermectina não é recomendado por grupo de infectologistasUso de Ivermectina não é recomendado por grupo de infectologistas

Em virtude do uso de fármacos para profilaxia pré ou pós-exposição ao novo coronavírus, além do uso também com a finalidade de tratar a Covid-19, o DINF realizou a reunião plenária, onde compareceram todos os professores, com o objetivo de apresentar dados da literatura que justificassem o uso das medicações.

Sobre o uso de medicação profilática pré-exposição, os especialistas apontaram que, até o momento, não há dados na literatura que justifiquem o uso de qualquer fármaco para evitar a infecção pelo novo coronavírus, assim como também não há qualquer evidência de que os medicamentos possam impactar na gravidade da doença antes que ela se estabeleça, como por exemplo a ivermectina. Segundo os especialistas, "o tema profilaxia pré-exposição não tem sido contemplado por ensaios clínicos".

Já sobre o uso de medicação para profilaxia pós-exposição, que é quando a pessoa teve contato com o novo coronavírus, o ponto tem sido contemplado por chamados "ensaios clínicos randomizados" e, de acordo com os especialistas, os resultados até agora apontam para ineficácia. Os profissionais deram como exemplo de medicamento ineficaz a hidroxicloroquina. "Aguardamos por publicações científicas que justifiquem a intervenção preventiva medicamentosa", disse a nota.

Com relação ao uso de medicações que controlem ou reduzam a replicação do novo coronavírus em humanos, os especialistas apontaram que os estudos sobre o uso da cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina ou lopinavir/ritonavir "não se mostraram eficazes no controle da replicação viral em ensaios clínicos em humanos". Ainda de acordo com a recomendação, "não há evidência de impacto no curso clínico e prognóstico da doença" e não foi identificado nenhum ensaio clínico em humanos relacionado ao seu uso da ivermectina no tratamento da Covid-19.

Os especialistas apontaram ainda que há estudos que apontam que o Remdesivir, que não está disponível no Brasil, "parece ter uma ação no controle da replicação viral". O grupo, no entanto, afirma que seu uso estaria recomendado somente para casos hospitalizados e graves.

Na análise sobre uso de medicamentos "que interfiram no curso clínico da enfermidade por agirem sobre o sistema imune, incluindo imunoterapia", os especialistas apontaram que há evidência preliminar de um estudo ainda não publicado que sugere que baixa dose de dexametasona (6mg/dia) tenha benefício no manejo de pacientes graves, com necessidade de oxigênio suplementar. Até o momento, ainda de acordo com a nota dos profissionais, o uso de corticoide nos casos leves não está indicado, "devendo-se enfatizar que o seu uso em fases iniciais da doença tem potencial de dano".

Quanto ao uso de inibidores de interleucina-1 e inibidores de IL-6 (sarilumab, siltuximab e tocilizumab), os especialistas afirmaram que ainda não há dados suficientes que respaldem a eficácia na Covid-19. Porém, "admitimos seu uso compassivo em pacientes graves e/ou contexto de ensaios clínicos randomizados e aprovados pelas agências regulatórias".

Já sobre a a imunoglobulina anti-SARS-CoV-2 ou soro de convalescente, o departamento também disse que não devem ser empregados por falta de dados da literatura que justifiquem o seu uso.

Assinam a recomendação:

Prof. Kleber Giovanni Luz – PhD Infectologia – Chefe do departamento.
Profa Mônica Baumgardt Bay – Mestre em Ciências da Saúde – Vice Chefe do departamento.
Prof. Andre Luciano de Araújo Prudente – Especialista em Infectologia.
Profa Eveline Pipolo Milan – PhD em Infectologia.
Prof. Hareton Teixeira Vechi – Especialista em Infectologia.
Prof. Henio Godeiro Lacerda – PhD em Ciências da Saúde.
Prof. Igor Thiago Borges de Queiroz e Silva – PhD em Infectologia.
Profa Manoella do Monte Alves – Mestre em Ciências da Saúde.
Profa Marise Reis de Freitas – PhD em Infectologia.
Profa Mirella Alves da Cunha – PhD em Infectologia.