Grupo espera expansão no fluxo de brasileiros

Publicação: 2017-03-19 00:00:00 | Comentários: 0
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O fluxo de brasileiros em Portugal caiu no primeiro semestre do ano passado, mas na segunda metade do ano reagiu, diz Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do grupo Vila Galé, rede com 20 hoteis instalados no país  e outros sete no Brasil. O brasileiro é  o quinto em termos de presença nos hoteis do grupo em Portugal - correspondendo a uma fatia de 3% - e o primeiro público entre os que estão fora da Europa. “Houve queda no primeiro semestre nesse fluxo (do Brasil), mas um crescimento de 15% a 20%”, diz Almeida. A projeção para este ano é de expansão de 10%. A rede não divulga números nem faz estimativas específicas para os estados. De forma geral, acredita que “a manter-se a situação atual e se não registrarem variações significativas nas taxas de câmbio, é previsível que o número de brasileiros nos hoteis continue a crescer”. Em cinco dos que a rede mantém em Portugal, o número duplicou em janeiro e foi o segundo mais importante, após Portugal. “O Brasil foi o primeiro emissor de hóspedes internacionais nesse mês”, observa a companhia, explicando que isso se justifica pelo fato de ser época de baixa na Europa  - em que os europeus viajam menos - e época de férias dos brasileiros.

O economista e professor doutor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), William Pereira, também aponta a sazonalidade das férias entre os fatores que explicam o crescimento no início do ano. Segundo ele, é cedo para falar em crescimento tanto na economia do país, quanto nesse setor.
Stand do Rio Grande do Norte na BTL, feira de turismo realizada em Lisboa: Estado emite mais turistas, mas também quer atrair
“O que estamos vendo é certa recuperação do que foi perdido em anos anteriores”, pondera.  para que haja um crescimento sustentado dos indicadores, observa ele, é preciso haver recuperação da renda e do emprego dos brasileiros, o que não é previsto para ocorrer em curto prazo. “Esses são fatores importantes para a classe média, um dos públicos que ajudam a puxar o setor de viagens”, analisa.

A professora da Universidade Potiguar (UnP) e mestre em Turismo, Jurema Dantas, também vê a aparente reação do setor internacional com cautela. “Infelizmente os dados sobre a economia do Brasil, apesar de melhoras muito pequenas e pontuais, ainda são pessimistas”, diz ela e acrescenta: “Eu não vejo como nessa crise e com salários de funcionários atrasados, pode estar havendo o crescimento desse fluxo de turismo emissivo. Ou temos realmente uma faixa da população de renda alta, que não é atingida pela crise”. Para a professora, “os dados sobre turismo internacional são muito frágeis”.

Para companhias aéreas brasileiras, a Agência Nacional de Aviação Civil aponta recorde em oferta e demanda por voos internacionais. A Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), que reune GOL, TAM, Azul e Avianca, diz que as empresas ganharam participação em um mercado que diminuiu.

RN investe na Europa e América do Sul

O turismo de Portugal tenta atrair mais brasileiros - e potiguares - ao mesmo tempo em que o Rio Grande do Norte busca uma maior captação de europeus. O estado está investindo R$ 2,10 milhões para promoção do destino em feiras de turismo. Em 2016 foi em torno de R$ 1,5 milhão, diz Nayara Santana, gerente de promoção internacional na Empresa de Promoção de Turismo do Estado (Emprotur).  Ela é uma das representantes do estado na BTL (Bolsa de Turismo de Lisboa), uma das principais feiras europeias do setor. O evento será encerrado hoje.

O presidente da Associação da Indústria de Hotéis no RN (ABIH-RN), José Odécio, que também  participa da feira, observou que o Rio Grande do Norte ficou quase 10 anos sem divulgação internacional. Os investimentos na área, segundo ele, começaram a ser retomados em 2015. E os resultados, afirma, estão sendo colhidos. A procura por Natal aumentou em média 25% em 2016, em relação a 2015 - estima, com base em informações recebidas de operadoras. 

Em 2017, já há sinais também de crescimento e ele projeta que a maior parte da movimentação turística será puxada, ao longo do ano, pelo turismo internacional, seja o europeu ou o sul-americano. “Temos sol, mar, infraestrutura, voos diretos - para Portugal (com a TAP) e para a Argentina (com a GOL) - diversidade de hoteis e restaurantes e investimentos para promover o destino”, diz Odécio.

Para este ano, a projeção, segundo o secretário estadual de turismo, Ruy Gaspar, é de que o turismo internacional cresça em torno de 20% e o nacional 10%.

“A gente tem expectativa grande de crescer no mercado internacional principalmente porque parou um pouco de se falar em Zika e chikungunya”, diz. A estratégia, acrescenta ele, continua sendo de crescimento no mercado argentino, mas com investimentos também em outros países: Chile, Uruguai, Paraguai, Peru e Colômbia. O secretário também diz esperar a estreia de um voo diário da TAP até 2019. O assunto foi discutido durante a BTL com executivos da companhia aérea. Segundo a TAP, no entanto, a possível ampliação da oferta no destino vai depender da demanda. Hoje há quatro voos por semana.

“O voo diário é o ideal que a TAP quer atingir, mas para isso é necessário criar procura que sustente esse aumento, que ainda não se justifica. Através de campanhas de promoção conjunta com o RN, gostaríamos de atingir esse objetivo, mas não há qualquer certeza que isso venha a acontecer. É preciso um grande trabalho para que seja possível”, disse a companhia, em nota.

A professora Jurema Dantas, da UnP, observa que o estado precisa se preparar e melhorar. “Temos que preparar melhor o nosso destino para receber os turistas, sejam eles nacionais ou internacionais. O destino Natal precisa se atualizar, oferecer novos produtos. Precisamos melhorar a qualidade e a competitividade dos nossos produtos, e isso passa por ações de qualificação, de mão de obra e dos nossos equipamentos e atrativos turísticos”, enumera.

Para Mário Carvalho, diretor geral da TAP no Brasil, os órgãos de turismo do país - de forma geral - “têm de abrir os olhos e ver que há oportunidades para o  país, uma vez que outros destinos internacionais estão passando por alguma turbulência”. O presidente da companhia acrescenta:  “É hora de investir”.

Em 2016, setor aéreo teve recuo de 3,96%, diz Abear


Em 2016, o segmento internacional registrou recuo de 3,96% da demanda, diz a Abear, que representa as companhias aéreas brasileiras. “Com o desaquecimento do mercado brasileiro, as companhias estrangeiras optaram por realocar seus voos para outros mercados mais aquecidos, abrindo espaço para o crescimento das brasileiras”, acrescentou. As estatísticas relativas a janeiro devem ser divulgadas no dia 21.

Dados da Anac, segundo a associação, apontam crescimento do mercado internacional detido pelas companhias aéreas Brasileiras, que representam 26% das viagens internacionais. “Mas o mercado internacional em si, com estrangeiras e brasileiras, teve queda”, ressaltou a entidade. A Abear preferiu não comentar estratégias  do setor para aquecer as viagens para outros países - “por se tratarem de estratégias específicas de cada negócio”.

No RN, dados da Polícia Federal mostram que 18.028 brasileiros viajaram para outros países em 2016 a partir do estado, em meio a 46 mil embarques internacionais contabilizados pelo Inframérica - que administra o terminal.

Em 2015, 15.478 brasileiros seguiram para o exterior a partir do aeroporto potiguar.

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