Guardiões de imagens

Publicação: 2019-02-02 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Os desafios da preservação da memória coletiva, a maneira como as pessoas lidam com a conservação de imagens, são questões que inquietam o fotógrafo potiguar Pablo Pinheiro. Desde 2010 registrando vaqueiros tradicionais do Seridó do Rio Grande do Norte e da Paraíba, ele tem buscado formas de fazer com que sua pesquisa documental circule entre diferentes públicos. E, atento as possibilidades das redes sociais, resolveu experimentar.

Gerações de vaqueiros de Acari, cidade do Seridó de forte tradição de apartação, foram tema de pesquisa e premiação para o fotógrafo
Gerações de vaqueiros de Acari, cidade do Seridó de forte tradição de apartação, foram tema de pesquisa e premiação para o fotógrafo

Pablo lançou a poucos dias o projeto “E_N_T_E_S". A proposta consiste em encontrar “guardiões de imagens”. No caso, pessoas que topem abrigar uma imagem de vaqueiro durante o ano de 2019. Sendo que a imagem deverá fixada no lado externo da casa (ou estabelecimento), de modo que fique sujeita ao sol, à chuva e a qualquer outro elementos de interferência, naturais ou não.

As fotografias serão impressas pelo próprio fotógrafo, no formato lambe lambe, no tamanho de 2 metros de altura por 1,3 metros de largura. A instalação também será feita por Pablo. Depois, ele fará visitas periódicas para registrar a ação do tempo sobre a imagem. A ideia, segundo o fotógrafo, é mostrar a deterioração do material ao longo do tempo, em exposição com o sol, o vento, a chuva e o contato humano. “A proposta é mostrar o aspecto efêmero, ver como o guardião lida com a imagem e como a sociedade lida com a preservação, porque pode acontecer de alguém riscar, fazer algum tipo de intervenção na fotografia”, comenta.

De acordo com Pablo, o projeto  “E_N_T_E_S" é um trabalho de preservação, mas vai além. “Coloca o público para participar da circulação das imagens e gera um relacionamento físico com a imagem”, diz o fotógrafo, que já chegou a fazer algumas ações de circulação do trabalho. Por exemplo, fez retratos com iluminação de estúdio dos vaqueiros e deu de presente para eles terem em casa. Também entregou uma série de fotografias dos vaqueiros de Acari para o Museu de Acari.

“Estou fazendo uma pesquisa documental sobre o vaqueiro tradicional. Já fiz exposições e ganhei prêmios. Mas é um trabalho que tem sido mais consumido fora do que na minha cidade. E isso me gera alguns questionamentos. Como meu trabalho está chegando nas pessoas, como as pessoas lidam com as imagens? O vaqueiro tem uma relação forte com as nossas raízes. É um tema familiar e que tem simbolismo. Mas como esse registro está sendo preservado aqui? Essa é uma das questões que me faço. Como vou preservar isso, para que minha filha, lá na frente, possa ter acesso?”, reflete o Pablo.

Todo o processo será compartilhado no Instagram. É nesta plataforma também que a primeira leva de imagens já está disponível para ser adotada – restam poucas, mas nas próximas semanas novas imagens serão disponibilizadas, até o todo de 60. A pessoa/entidade que topar ser guardiã de uma imagem (ou mais) assinará um termo de compromisso e autorização para a fixação da imagem em sua casa ou estabelecimento. Ao mesmo tempo, será citado o nome como guardião(ã) da imagem e identificado o local, quando autorizado, para que outros possam ir acompanhando o processo. Para consultar e acompanhar as imagens do projeto, basta seguir no instagram o perfil: “@e_n_t_e_s”.






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