Guardiola

Publicação: 2019-08-18 00:00:00 | Comentários: 0
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Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Guardiola comanda o City que corre o risco de ser excluído

Guardiola
A idolatria a Pep Guardiola é minha gratidão por um homem que fez da arte, seu idealismo no futebol. Guardiola amava a seleção brasileira de 1982, de Zico, Sócrates e Falcão e nela inspirou o Barcelona, exibindo ao mundo um jogo deslumbrante a olhos cansados de tanta correria e chutão.

O futebol cultural, fascinante, resiste em Guardiola. Militante do sonho do ataque sempre e da beleza acadêmica dos toques de primeira no meio-campo. Seu Barcelona apaixonava com Iniesta, Xavi e Messi, o Pleonasmo, costurando adversários no ritmo de uma trituradora suave.

Tocar de primeira. Jogar de primeira. Amar, de primeira,  o deslizar sinfônico da bola. Ocupar espaços sempre buscando o gol. Guardiola é um brasileiro honorário das antigas. Todos os nossos técnicos são paupérrimos, medrosos, petulantes. Guardiola exibia a graça que a prostituição do esporte no Brasil transformou em carranca.

Nada é mais belo que um corte habilidoso. Um drible seco e descadeirante. Um passe de régua. Um gol trabalhado na poesia dos sobrenaturais de chuteiras. Inspirados por um amante da pureza de um jogo que perdeu, por aqui, a sensação de orgasmo de um lance fatal, de repente, apaixonante.

Hoje é domingo, dia de retrancas, esquemas e computadores. Prefiro Guardiola, na simplicidade cativante da posse da bola como instrumento de fazer de bobo o adversário. Dar olé, botar na roda, caprichar na batida de chapa, não é humilhação como dizem os idiotas do pragmatismo. É inspiração.

“Como pode um time entrar em campo pensando em não vencer?”, perguntou Guardiola após enfiar 5x0 no Real Madrid. Uma frase de indignação cívica, de um profissional capaz de fazer de um clássico, brincadeira de criança. Guardiola é o único autor intelectual brasileiro do futebol mundial. O último idealista.

Seleção
Gabigol não entrou na seleção. Mas Neymar voltou. O mais antipático ser humano a vestir um uniforme desde Charles Miller, o inglês que trouxe o futebol ao Brasil. Neymar é um chato, sua expressão azeda causa engulhos. Seus dribles improdutivos, nunca serão os de Garrincha. Nem mesmo de Robinho, sua inspiração. Robinho era um bobo. Um ególatra. Sem o caráter anfíbio de Neymar.

O caso Salton
O ABC que pariu o “executivo” Giscard Salton, que cuide. O homem, de esforço titânico no fracasso do clube este ano, quer ser pago. Algo acima de R$ 400 mil. E se combinaram, cumpram. Só existe o sabido porque tem também o otário.

ABC mãe
O ABC hoje tem 138 funcionários. Chegou a ter 35 em 2010. É uma mãe. Sofrida e explorada. Uma boquinha bem interessante.

A bomba esquecida
A bomba que soltaram destruindo o portão de vidro do América parece aqueles finais incompletos de história mal contada: entrou pela perna de um pinto, saiu pela de um pato, quem quiser conte mais quatro. Bem ali, vizinho ao Comando da PM. Pela ousadia dos marginais e a dormência  com que o assunto vem sendo tratado, não duvido que tentem desmoralizar o próprio Quartel. Aí seremos notícia negativa nacional, um costume dos últimos cinco anos.

Carlão
No dia 6 de abril de 1988, quando pisei à redação da Tribuna do Norte, aos 17 anos, Carlos de Souza era copidesque, ou seja, o cirurgião dos textos do jornal. Figura doce, anárquica. Ficamos amigos. Fomos editores na Tribuna e na TV Cabugi(hoje InterTV).

Revolta
Carlão morre de câncer. E a notícia me abate. Escrevo numa tristeza imensa. No dia em que me conformar com a morte, serei um crápula, não um homem. Daí, extravasar meus sentimentos, até aqueles utópicos. Morte escolhe de preferência os bons. Carlão não merecia um câncer. Nunca fez mal a ninguém. Saudade de Carlão.

S.A.
Há uma forte tendência de mudança, com os clubes hoje falidos sendo transformados em Sociedades Anônimas. É assim no Ceará, o Sport vai partir para o modelo e o Vitória, também.

ABC de verdade
Hoje faz 43 anos da decisão ABC 0x0 América, que valeu o Campeonato estadual de 1976 ao alvinegro, impedindo o tricampeonato do América. O paulista Dulcídio Wanderley Boschilla apitou. Público pagante de 31.310 pessoas no assassinado Castelão(Machadão).

Times gloriosos
O ABC jogou com Hélio Show; Fidélis(Orlando), Pradera, Vágner e Vuca; Draílton, Joel Maneca e Danilo Menezes; Noé Silva, Zé Carlos Olímpico(Reinaldo) e Noé Macunaíma. Técnico: João Avelino, o “71”. América: Otávio; Olímpio, Joel Santana, Odélio e Cosme; Juca Show, Alberi e Hélcio Jacaré(Garcia); Ronaldinho, Pedrada(Santa Cruz) e Ivanildo. Técnico: Sebastião Leônidas, melhor zagueiro da história do Botafogo(RJ).








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