Política
Guedes vê recuperação clínica da economia encomendada
Publicado: 00:00:00 - 14/11/2020 Atualizado: 01:03:38 - 14/11/2020
A recuperação cíclica da economia neste e no próximo ano está encomendada, disse ontem o ministro Paulo Guedes. O que precisa ser feito, segundo ele, é o governo tomar medidas para transformar esta recuperação cíclica em um crescimento sustentável para os próximos anos.

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Paulo Guedes afirma que recebeu a notícia de a economia brasileira está saindo da recessão

Paulo Guedes afirma que recebeu a notícia de a economia brasileira está saindo da recessão


"Temos que trabalhar a recuperação sustentável nos próximos anos", disse Guedes, que participou do 39º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex). 
Para ele, isso passa pela redução do custo Brasil, o que se vier acontecer recairá na industrialização da economia, o que já acontece no setor agropecuário. No agro, de acordo com o ministro, o Brasil não é mais um mero exportador de commodities, mas também de produtos processados.

O ministro da Economia afirmou também que recebeu a notícia de a economia brasileira está saindo, oficialmente, da recessão. "Nossa hipótese de trabalho é que a pandemia está descendo e a vacina está chegando. São duas notícias positivas do lado da saúde e da economia", comemorou, no início da sua participação no segundo dia do 39º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex). 

Do lado da economia, ele citou como um dos indicadores que corroboram a saída da recessão a geração de 300 mil empregos em setembro, seguida da abertura de 100 mil novos postos em julho e outros 200 mil em agosto. "O ritmo é tão forte que acho difícil mantê-lo", disse Guedes. 

O ministro, no entanto, completou que como a economia está saindo da recessão, a tendência é a de ocorrer menor perda de empregos daqui para frente do que se perdeu nas duas últimas recessões. 

"Estamos atravessando esta crise com menos prejuízos que nas crises anteriores, o que mostra que nossos erros de políticas econômicas foram mais prejudiciais à economia do que a pandemia" afirmou Guedes.

Mudança de mix 
O ministro da Economia voltou a enfatizar que a recuperação da economia brasileira ainda em meio à pandemia do coronavírus está muito associada às medidas que o governo Bolsonaro e a equipe econômica adotaram no último um ano e meio de gestão.

Durante participação no 39º Enaex, ele voltou a dizer que o governo mudou a dosagem de política macroeconômica e alterou os dois principais preços críticos da economia ao se referir à taxa básica de juros (Selic) e no câmbio.

"Mudamos o mix de nossa política macroeconômica. Reduzimos o juro e teremos uma economia de R$ 400 bilhões com despesas de juro. Nossa expectativa é a de que nos próximos anos economizaremos mais uns R$ 200 bilhões", disse o ministro, repetindo uma das frases que mais gosta de dizer, que "o Brasil está ficando difícil para os rentistas e mais fácil para a população".

Quanto ao câmbio, Guedes disse que a taxa é favorável às exportações.

Moeda 
O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ainda que o câmbio vai descer quando o Brasil tiver o sucesso suficiente para atrair mais investimentos externos. Mas, segundo ele, o Brasil continua sendo o quarto maior destino de investimentos diretos no mundo.

Paulo Guedes, que participou do segundo dia do 39º Enaex, também falou sobre a aprovação no Senado do projeto que confere independência ao Banco Central, o que ocorreu em resposta à ameaça da volta da inflação. "Como não transformar aumentos de preços em permanente? Com autonomia do BC", disse. Para ele, os aumentos de preços setoriais são transitórios.

O ministro voltou a defender que a classe política deveria assumir o controle dos gastos públicos, que segundo ele é uma função nobre. Disse também que quer que a pressão do teto de gastos seja usada para se criar um novo ambiente fiscal no Brasil. "Queremos criar um novo regime fiscal".

O ministro voltou a afirmar que o auxílio emergencial vai terminar em 31 de dezembro e que a partir desta data, os gastos sociais do governo vão aterrissar no Bolsa Família.

Sobre a criação de um novo programa de renda, Guedes disse que não haverá populismo e que ele não será criado se não tiver responsabilidade fiscal. "Vamos travar despesas, pagar pela crise. Não vamos deixar dívidas para nossos filhos e netos", disse.

O ministro se comprometeu em acelerar o programa de privatizações para derrubar a relação dívida/PIB e fazer as reformas. "Esse é o plano A. Tudo o mais são hipóteses", disse. Ainda de acordo com ministro, existe uma preocupação no governo com a oneração da folha de pagamento porque ela é uma arma de destruição em massa de empregos.











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