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Gutson diz que políticos ficavam com 60% de recursos desviados do Idema e acusa deputado
Publicado: 12:34:00 - 22/02/2016 Atualizado: 13:33:48 - 22/02/2016
O ex-diretor administrativo do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) Gutson Johnson Giovany Reinaldo Bezerra relatou como ocorria a divisão dos recursos desviados no órgão. Réu no processo investigado na Operação Candeeiro, Gutson afirmou que ficava com 20% do dinheiro desviado, enquanto os operadores do esquema ficavam com 20% e políticos ficavam com os 60%.
Gutson Reinaldo prestou depoimento nesta segunda-feira

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Durante o depoimento, Gutson só citou o deputado estadual Ricardo Motta como beneficiário do esquema. Segundo o réu, ele permaneceu no cargo após convite do parlamentar, que era o único dos envolvidos com foro privilegiado que recebia os recursos. O réu chegou a afirmar que Ricardo Motta o procurou porque precisava de "R$ 8 milhões ou R$ 10 milhões" para pagar dívidas feitas durante eleições passadas. O juiz que conduz o depoimento, no entanto, explicou que o nome do parlamentar não deveria ser citado novamente porque ele, por ter foro privilegiado, não poderia ser julgado na 1ª instância.

Segundo Gutson, a parte operacional era realizada por Clebson Bezerril, ex-chefe da unidade instrumental de Finanças e Contabilidade do Idema. Gutson afirmou que Clebson, que também é réu, repassava 80% do valor recolhido através das fraudes para Gutson, que ficava com 20% e repassava os outros 60% para os demais envolvidos no esquema - segundo ele, políticos.

"Clebson quem fazia a parte operacional, fazendo com que o dinheiro chegasse às empresas. O que me interessava era repassar os 60% e receber os meus 20%. Como eles (Clebson e os outros) dividiam os outros 20%, eu não sei", disse Gutson, que afirmou ter recebido R$ 4,5 milhões no esquema e que não foi procurado por nenhum político desde que foi preso.

Delação

Mais uma vez, o advogado de Gutson Reinaldo, Fábio Hollanda, declarou que a delação premiada do réu ainda não foi acatada pelo Ministério Público e que Gutson possui provas documentais sobre o envolvimento de políticos no esquema. O MP, por sua vez, criticou a postura da defesa.

"Não fomos procurados pela defesa do senhor Gutson até a última segunda-feira (15). O que não entendemos é por que constranger o MP por causa de uma delação, se ele está preso há mais de cinco meses", disse o promotor Paulo Lopes Batista, que atua no caso.


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