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Quadrantes
Hábitos e funções semidesaparecidas
Publicado: 00:00:00 - 01/05/2022 Atualizado: 15:19:56 - 30/04/2022
Diogenes da Cunha Lima  
Escritor, advogado e presidente da Academia Norte-rio-grandense de Letras (anL) 

As mulheres brasileiras costumavam cumprimentar com dois ou três beijinhos no rosto. Essa prova de afetividade natural surpreendia os estrangeiros que aqui chegavam. A pandemia fará desaparecer também a ternura? 

Herdamos dos tupis o hábito de tomar um ou vários banhos por dia. A globalização e a carência de tempo estão diminuindo a frequência dessa saudável higiene corporal. 

A Lei concede licença de paternidade, o que nos faz relembrar um ritual tupi: Logo depois de parir, a mulher ia trabalhar, enquanto o pai da criança, sentindo-se exausto, deitava-se na rede e recebia parentes e amigos. O filho era apenas semente do pai.

A tecnologia e as novas profissões aboliram antigas formas de estudar. A escola de datilografia de Dona Glorinha de Seu Heráclito conferia aos habilitados solenes diplomas. Havia forte demanda de um bom datilógrafo.

O leiteiro entregava as garrafas de porta em porta. Tive o privilégio de ser substituto de leiteiro, quando ele faltava ao serviço. 

Telegramas e telegrafistas perderam o prestígio. As cartas comunicavam emoções de literatura. 

Galena, ancestral improvisada do rádio, funcionava. As emissoras de rádio faziam programas de auditório, exibiam novelas e contratavam bons cantores. 

As missas eram celebradas em latim. Quase toda igreja tinha o seu sacristão. Alguns ganhavam, apenas, quando badalavam os sinos. Na Semana Santa, os sinos tenores calavam dando lugar ao baixo das matracas. 

Nas mãos dos doentes terminais colocavam-se velas acesas, que talvez evitassem o escuro da morte. Anoitecia na casa de Tambaú. O escritor apontou para a Estrela D’alva recitando: “Quando partir dessa vida / não precisa vela, não / pois esta estrela querida / é vela na minha mão. ” 

O calendário era diariamente consultado. Retirava-se uma folhinha com o nome do santo do dia.

 As lojas de tecidos tomavam conta do comércio, não faltava trabalho para as costureiras, até que surgiram as roupas feitas. 
No tempo da locomotiva maria-fumaça, havia a profissão de foguista, que punha lenha para alimentar o fogo e fazer fumaça. O chefe da estação mandava o guarda-trilhos conferir a limpeza da linha. O funcionário acionava o trolley com uma longa vara. 

As crianças produziam seus próprios brinquedos: bois de barro ou de cactos, bozós (dados) de batata, bolas de meia. Jogavam castanhas, com tila e castelo. Capa de carteira de cigarro era dinheiro, colecionado. 

A cultura era difundida em saraus, partilhando-se poemas e músicas. 

O Homem faz mudanças, adaptações. Criaram a teoria do retorno. Se voltarem funções e hábitos, voltarão repaginados. 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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