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Natal
'Há um desmonte na saúde estadual'
Publicado: 00:00:00 - 19/04/2017 Atualizado: 22:39:56 - 18/04/2017
Bate-Papo com Simone Dutra Veras - Vice-coordenadora geral do Sindsaúde/RN

O concurso resolve?

De jeito nenhum, a quantidade de vagas proposta pelo governo é suficiente para suprir a necessidade de servidores na Sesap. Na prática, o governo vem fechando postos de trabalho, porque quando analisamos a situação, vários servidores se aposentaram de um tempo para cá e o estudo feito em 2015 já apontava em cerca de 3 mil a necessidade. Significa que 400 vagas abertas não é nem um terço da necessidade de servidores. Então, esse concurso é apenas para cumprir uma determinação judicial, do ano passado, decorrente de nossa greve.
Ana Silva
‘Há um desmonte na saúde estadual’

‘Há um desmonte na saúde estadual’


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E a terceirização dos médicos?
Estamos caminhando para termos a grande maioria de médicos terceirizados, através das cooperativas. Ou seja, será uma força de trabalho precarizada, sem as garantias mínimas, e muito cara. Muitos estão se aposentando e voltando através das cooperativas e o Estado não tem mecanismos para reverter essa situação. Então, a saúde vai ficando cada vez mais cara, com relações de trabalho inseguranças, como a gente viu na semana passada, quando tivemos paralisação por parte dos médicos, por falta de pagamento há quatro meses à cooperativa.

E as demais categorias?
Nós temos hospitais, como o Deoclécio Marques, que tem setores que não tem enfermeiros. Isso não pode acontecer. É obrigatória a permanência de, pelo menos, um enfermeiro por setor. Muitas vezes, fica um enfermeiro para dois, três e até quatro setores. Isso faz com que haja uma fragilização muito maior da assistência. Da mesma forma, é a situação dos técnicos de enfermagem, que vivem uma sobrecarga histórica, sobretudo nos hospitais maiores, mas também no interior, onde há muito tempo não tem renovação de quadros efetivos. Há um desmonte na saúde estadual. Aquilo que já se tem dificuldade de fazer pela falta de condições de trabalho, vai se tornar ainda mais difícil, e isso pode resultar em fechamento de serviços.  E nós não vemos nenhuma capacidade, nenhuma vontade do governo Robinson de enfrentar de forma correta essa situação. Isso vai jogar a saúde em uma situação de precariedade ainda maior daqui para frente.


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