Habemos papa em conflito

Publicação: 2020-01-15 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Numa reviravolta digna de roteiro católico do Fernando Meirelles, o cardeal ultraconservador Robert Sarah concordou na segunda-feira em mudar a assinatura do controverso livro que inicialmente disse que havia escrito a quatro mãos com o papa emérito Bento XVI. Ele atendeu a um pedido do próprio Joseph Ratzinger, como revelou seu secretário particular, Georg Gänswein, em entrevista a um veículo alemão com acesso ao Vaticano.

O arcebispo explicou que, por ordem de Bento XVI, ele próprio chamou o cardeal Sarah para entrar em contato com a editora e retirar o nome do papa emérito da capa. No Twitter, R. Sarah postou uma consideração onde diz que as controvérsias que provocaram a publicação do livro ficarão para futuras publicações, retira a parceria com Ratzinger, mas o texto completo permanece absolutamente inalterado.

Esta reviravolta foi apenas, talvez, o último capítulo do tsunami criado no Vaticano após ser informado que na data de ontem haveria o lançamento de um livro, originalmente assinado por Bento XVI, com revelações implicantes.

Uma delas, por exemplo, seria a pressão exercida sobre o atual Papa Francisco para não aceitar a ordenação de padres que sejam civilmente casados. E o cardeal R. Sarah, coincidentemente, é um prefeito de liturgia.

Jornalistas que cobrem o Vaticano afirmam que ele é quem mais faz críticas a Francisco e utilizou algumas difamações graves como se fossem com dupla autoria, dele e de Bento. Depois negou tudo, até aceitar assinar a obra sozinho.

Sarah também deu declarações desmentindo afirmativas anteriores sobre suas visitas a Castelgandolfo para conversas com Bento; ele achava que as idas e vindas ao palácio de verão seriam provas suficientes em favor da sua versão.

Ao final das pressões tanto da mídia quanto do próprio Ratizinger, ele acabou forçado a retirar a assinatura do papa emérito do livro. O teor central da obra é sobre questões do celibato, o tema que gerou fumaça entre Bento e Francisco.

Prefeito da Casa Pontifícia e secretário particular do papa emérito, Dom Ganswein esclareceu que Bento nada teve a ver com a introdução ou conclusão do livro, e que sua única contribuição está num texto escrito.

“É um texto sobre o sacerdócio que ele escreveu no verão passado e entregou a R. Sarah quando lhe foi solicitado”. Acrescentou que Bento sabia que seria utilizado num livro, mas em nenhum momento firmou contrato sobre isso.

Chamou o episódio de um mal-entendido sem querer questionar as boas intenções do cardeal Sarah, que por sua vez teve que retirar a assinatura papal e acrescentar apenas uma informação “com a contribuição de Bento XVI”.

“Faço isso considerando as controvérsias causadas pela publicação", disse Sarah, mas sem explicar se Bento realmente não tinha nada a ver com a redação da introdução e conclusão conjunta, como Gänswein sustenta.

Tais acontecimentos geraram muito desconforto no Vaticano, porque, entre outras coisas, eles disseram que não podiam permanecer calados sobre o celibato. Sem falar no delicado caso do Sínodo, no encontro na Amazônia.

O que surpreende muitos é que na idade de 93 anos, o papa emérito não tem mais disposições física e mental para escrever um livro, sequer consegue energia para mais de dez minutos de conversa. A não ser num roteiro adaptado ao cinema.

Que vexame
Melindroso, para não dizer perigoso, o começo do ano novo na Polícia Militar do RN. Há poucos dias um major foi às redes sociais e chamou um coronel de covarde. Agora surge um coronel comandando esquema de contrabando.

Previdência
O presidente Bolsonaro consultou Rogério Marinho sobre a contratação de militares da reserva para acelerar os processos no INSS. Pra arrumar a bagunça é preciso por em prática a teoria do cavalo-de-pau do transatlântico.

De Roger Scruton
“Conservadorismo significa encontrar o que você ama e agir para proteger isso. A alternativa é encontrar o que você odeia e tentar destruir. Certamente a primeira alternativa é um modo melhor de viver do que a segunda”.

Flor do lácio
A pressa desesperada pela paternidade de uma notícia na blogosfera não pode impor uma constante nos atropelos do vernáculo. São muitos os erros diários na maioria dos blogs. Imagine uma cobertura in loco de grande conflito bélico.

60 anos
Os sobreviventes dos Beatles, Ringo Starr e Paul McCartney, anunciaram uma turnê para comemorar em 2020 os 60 anos de fundação da lendária banda. O show vai se chamar “Again With the Beatles” (Novamente com os Beatles).

Liverpool
Durante o ano inteiro, a cidade berço dos Fab Four estará em clima de aniversário da banda, mas o ponto alto para os turistas será entre 26 de agosto e 1 de setembro, quando ocorre a tradicional “International Beatle Week”.

Bandagália
Será em 15 de fevereiro a saída da Bandagália numa folia de resgate histórico nas ruas de Petrópolis. Concentração no bar 294 e ponto alto no Largo do Atheneu, com animação assinada pelos músicos do maestro Bethoven.

Mau gosto
Entre janeiro de 2010 e dezembro de 2019, as 15 músicas mais tocadas no Brasil são todas do tom lacrimoso e das letras pueris do subgênero sertanejo, ou “sertanojo” como dizem as tribos do rock, do samba raiz e da MPB clássica.

Brasil tri
Os canais esportivos já começaram a fazer programas comemorativos aos 50 anos da melhor campanha da seleção numa Copa do Mundo, em 1970, no México, a última dos gênios Pelé, Tostão, Gérson e Carlos Alberto. Até junho/julho teremos muito material Brasil afora sobre a conquista.