Hamilton Mourão e Congresso Nacional criticam fala de Carlos Bolsonaro

Publicação: 2019-09-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Brasília e São Paulo (AE) - O presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, e a cúpula do Congresso Nacional criticaram nesta terça-feira, 10, as declarações do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). Na noite de segunda-feira, 9, o filho "02" do presidente Jair Bolsonaro publicou mensagem em sua conta pessoal no Twitter na qual afirma que "por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos... e se isso acontecer". Para Mourão, as declarações de Carlos são "problema dele".

O presidente em exercício observou que, se não houvesse democracia, Bolsonaro não teria chegado ao comando do País. "A democracia é fundamental. É pilar da civilização ocidental", disse ele, ressaltando que é "lógico" que é possível fazer mudanças no País por meio do diálogo com o Congresso.

Mourão falou com jornalistas sobre o assunto na entrada do Palácio do Planalto, onde continua despachando do gabinete da vice-presidência na ausência de Bolsonaro - ele deve permanecer interinamente no cargo até quinta-feira, 12. "Temos que negociar com a rapaziada do outro lado da Praça (dos Três Poderes). É assim que funciona", disse. Perguntando sobre o conteúdo do tuíte do vereador, Mourão respondeu: "Isso é problema dele, pergunte a ele."

O tuíte de Carlos causou preocupação no núcleo militar do governo por se tratar de um momento em que o presidente Jair Bolsonaro enfrenta desgaste e tenta recuperar a popularidade perdida. Embora auxiliares de Bolsonaro tentassem desviar o foco da polêmica, o assunto imediatamente viralizou nas redes sociais, e muitos associaram a frase a um "viés autoritário" do governo. Segundo auxiliares de Bolsonaro, o vereador, apontado como o responsável pelo conteúdo do que é publicado nas contas do presidente nas redes sociais, não publica nada sem o conhecimento do pai.

O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, disse nesta terça que "o que é tuitado nas redes sociais pessoais é de responsabilidade de quem o fez", ao ser perguntado sobre a mensagem de Carlos. "Nosso foco é a recuperação do presidente", acrescentou, durante coletiva de imprensa, pela manhã. O porta-voz afirmou não saber se o presidente Bolsonaro tomou conhecimento do tuíte ou se comentou sobre o assunto. "Acredito que o vereador tenha conversado sim com o presidente da República", disse.

Congresso
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), manifestou "desprezo" pela declaração de Carlos e disse que a democracia está fortalecida no Brasil. "No Senado, o Parlamento brasileiro, a democracia está fortalecida, as instituições estão todas pujantes, trabalhando a favor do Brasil", disse. "Então, uma manifestação ou outra em relação a esse enfraquecimento tem da minha parte o meu desprezo".

Para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), agentes públicos precisam ter responsabilidade sobre o que falam porque declarações que questionam a democracia causam insegurança aos investidores nacionais e estrangeiros, e atrapalham o crescimento do País - o que, na avaliação dele, prejudica os mais pobres. "É uma declaração que não cabe num País democrático Frases como essa devem colaborar muito com a insegurança dos empresários brasileiros e estrangeiros de investir no Brasil. A conta das nossas frases quem paga é o povo mais pobre", afirmou. "Cada um de nós tem que refletir e tomar muito cuidado com o que diz."

No plenário da Câmara, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) saiu em defesa do irmão. Em um aparte, o parlamentar afirmou que as declarações de Carlos "não tem nada de mais". "As coisas em uma democracia demoram porque exigem debate. Ele falou só isso. Não temos condições de mudar o Brasil na velocidade que gostaríamos. Por nós, teria outra velocidade, mas o tempo do Congresso não é o tempo da sociedade", disse, sob protestos de deputados de oposição.

Após a repercussão negativa de suas declarações, Carlos recorreu ao Twitter em outras duas ocasiões para comentar a declaração. "Agora virei ditador", escreveu ele, cerca de três horas depois da primeira mensagem. Nesta terça, ele tentou explicar sua própria declaração, em meio a acusações e xingamento a jornalistas. "O que falei: por vias democráticas as coisas não mudam rapidamente. É um fato. Uma justificativa aos que cobram mudanças urgentes. O que jornalistas espalham: Carlos Bolsonaro defende ditadura. CANALHAS!", escreveu.

Carlos Bolsonaro pediu licença não remunerada da Câmara Municipal do Rio. O pedido, publicado no Diário Oficial desta terça, limita-se a dizer que o motivo é para tratar de "assuntos particulares" - uma das possibilidades previstas pelo regimento interno da Câmara. O vereador pode ficar ausente por até 120 dias. Após este período, o suplente é convocado.




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