Hemonorte faz apelo por doações de sangue no RN

Publicação: 2021-01-13 00:00:00
Cláudio Oliveira
Repórter

O estoque de sangue no Hemocentro do Rio Grande do Norte Dalton Cunha (Hemonorte), está em estado crítico e pode comprometer a segurança transfusional hospitalar. Por isso, necessita que mais pessoas se apresentem para doação. No início desta semana, o Hemonorte contava com apenas 304 bolsas, o suficiente para apenas três dias. Um estoque que garanta tranquilidade no sistema de transfusões necessita de 600 a 800 bolsas.

Créditos: Adriano AbreuNo final da semana passada, o Hemonorte só tinha uma bolsa do tipo sanguíneo B NegativoNo final da semana passada, o Hemonorte só tinha uma bolsa do tipo sanguíneo B Negativo

Historicamente, ao longo do ano, há períodos de maior baixa em doações.  Diante disso, o Hemonorte tem se antecipado e promovido parcerias e ações de divulgação e conscientização sobre a importância da doação. Diariamente, centenas de vidas são salvas por causa do sangue disponibilizado por doadores. A chefe do Departamento de Apoio Técnico do Hemocentro, Miriam Mafra, explicou que a pandemia do novo coronavírus agravou a situação. 

“Com o isolamento, os doadores se afastaram, mas os transplantes não deixaram de acontecer, nem o tratamento de algumas patologias ou a realização de algumas cirurgias eletivas em que se fazem necessárias as transfusões sanguíneas", disse Mafra.

Foram pensadas, então, alternativas com planos de contingência, parcerias com empresas e instituições, além da adoção do modelo de agendamento para os doadores, com a finalidade de garantir a segurança sanitária a esses em meio à pandemia. Mas neste período, além da disseminação do novo coronavírus, com mais casos confirmados e óbitos pela covid-19, as férias também impactaram. 

“O doador se ausentou por esses fatores. Nossa média é atender 200 doadores por dia, mas nem todos estão aptos porque passam pela avaliação onde se analisa se dispõem das condições em equilíbrio para realizar a doação. Hoje, nossa média diária está pela metade. Temos que nos antecipar para não correr risco e, para isso, constantemente revemos planos de contingência e capacitação emergencial para sensibilizar as pessoas a verem a doação como algo prazeroso que salva vidas", ressaltou Miriam Mafra.

Apesar das dificuldades, o Hemonorte não deixou de atender a demanda, justamente por tentar se antecipar à completa falta de sangue. Sabendo dessa dificuldade, a vendedora Bianca Araújo, 24, decidiu realizar sua primeira doação. “Vi uma reportagem falando da falta de doadores e a importância de doar para ajudar outras pessoas. Sempre me coloco no lugar das outras pessoas e, por isso, estou aqui pela primeira vez", disse a nova doadora. 

A iniciativa de Bianca foi espontânea, mas o Hemocentro também aposta na conscientização de familiares de pacientes que estão prestes a realizar cirurgias ou que estão internados. Nesses casos, as famílias ajudam na divulgação direcionando pedidos para a tipagem do paciente, ressaltando que qualquer tipo sanguíneo é aceito. Foi numa dessas situações que o pedagogo Pedro Fonseca Guedes, 37, se tornou doador. 

“Há quatro anos, um familiar meu precisou e eu vim doar pela primeira vez e não parei mais. Hoje, estou doando novamente e mais uma vez vai ajudar outro parente que está prestes a realizar uma cirurgia e precisa de sangue", disse o doador.

Tipos
Como os tipos A Positivo e O Positivo são os mais comuns na população, essas são as duas tipagens mais procuradas, contudo, todos os tipos sanguíneos estão em falta. Do tipo B negativo, por exemplo, havia apenas uma bolsa no estoque do Hemocentro no final da semana passada. 

Aqueles que doam pela 1ª vez somam 38% entre os doadores de sangue no Hemonorte, enquanto 60% são doadores de reposição. Salliny Genuíno, 21, está nesse grupo há dois anos. “Comecei quando vi um apelo na internet de uma pessoa que estava precisando de sangue. Desde então me tornei doadora e, graças a Deus, deu tudo certo e estou aqui para ajudar a salvar vidas, já que uma doação salva até quatro pessoas", destacou a jovem que é estudante de enfermagem.

Veja como se tornar doador e ajude ao próximo
O Hemonorte continua recebendo voluntários por livre demanda, mas a orientação é para que procure fazer o agendamento para melhor controle do fluxo no local e evitar filas de espera. O agendamento pode ser feito pelo site www.hemonorte.rn.gov.br ou através do telefone 3232-6733.

Outra observação para o momento é, se possível, não ir acompanhado para reduzir a quantidade de pessoas no local e garantir o distanciamento social.

Para ser um doador, a pessoa tem que estar  saudável, ter  entre 16 e 69 anos de idade (quem for menor de 18 anos precisa estar acompanhado do responsável legal),  pesar acima de 50kg, ter dormido bem na noite anterior, evitar alimentos gordurosos quatro horas antes da doação, não ingerir bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores, ir alimentado e portar um documento oficial com foto.

Os interessados em doar sangue em Natal podem se dirigir à sede do Hemonorte, localizado na Avenida Alexandrino de Alencar, 1800, Tirol. Todo o processo da doação é feito em segurança e cumprindo todos os protocolos de higienização contra a Covid-19.

Para ser doador:
à Ter entre 16 (com autorização dos responsáveis) e 69 anos;
à Pesar 50 kg, no mínimo;
à Estar em boas condições de saúde;
à Ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas;
à Estar bem alimentado (evitar alimentação gordurosa nas 4 horas que antecedem a doação);
à Apresentar documento original com foto recente.











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