Homem preso não é o motorista que atropelou e matou 19 pessoas no carnaval de 84 em Natal

Publicação: 2021-01-27 00:00:00
O morador de rua preso na manhã desta terça-feira (26), em Neópolis por agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE/PMRN) não se trata do motorista de ônibus Aluízio Farias Batista, que atropelou e matou 19 pessoas no carnaval de 1984 em Natal, no episódio que ficou conhecido com Tragédia do Baldo. A confirmação de que não se tratava dele veio após a comparação de digitais feita no Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep-RN) em exame de papiloscopia.

Créditos: ARQUIVO/TNA Polícia Militar chegou a divulgar que o morador de rua preso era Aluízio Farias Batista desaparecido desde o dia do acidente, o sábado de carnaval em Natal de 1984A Polícia Militar chegou a divulgar que o morador de rua preso era Aluízio Farias Batista desaparecido desde o dia do acidente, o sábado de carnaval em Natal de 1984

Nesta terça-feira, no início da tarde, a Polícia Militar havia informado que o BOPE rinha prendido o homem que seria o culpado pelas mortes  há quase 37 anos. O morador de rua foi preso em Neópolis, na zona Sul de Natal. O homem detido não teve a identificação confirmada. As digitais dele não constam no sistema do Itep/RN. O instituto suspeita que ele seja registrado em outro Estado.

Relembre o caso
O próximo dia 25 de fevereiro marcará os 37 anos de uma das maiores tragédias já registradas no Rio Grande do Norte até hoje: a morte de 19 foliões durante o sábado de carnaval nas proximidades do Viaduto do Baldo, na Cidade Alta. Eles foram atropelados por um ônibus desgovernado, cujo motorista era Aluízio Farias Batista. Ele estava embriagado, segundo relatos colhidos pela Polícia à época, e trabalhava além do período inicialmente estabelecido pela empresa de ônibus a qual pertencia. Desde a fatídica madrugada do dia 25 de fevereiro de 1984, ele está desaparecido.

O carnaval de 1984, em Natal, tinha tudo para ser mais um período festivo. Não fosse o acidente que tirou a vida de 19 foliões e feriu gravemente outros 12. Todas as vítimas faziam parte do Bloco Puxa Saco, como músicos ou brincantes. Na subida da ladeira da Avenida Rio Branco, o ônibus dirigido pelo motorista bêbado perdeu o controle e atropelou parte dos brincantes. A maioria das vítimas morreu na hora. O cenário no local era desolador e entrou para a história, com repercussão nacional.

Conforme reportagem de capa da TRIBUNA DO NORTE em 26 de fevereiro de 1984, a maioria das vítimas fatais e que ficaram feridas no acidade pertencia à banda de música que animava o bloco e que tinha sido desviada da sua programação original. “O motorista, após o acidente, saiu do ônibus com poucos ferimentos e desapareceu”, relata a matéria.

Entre os 19 mortos, jovens estudantes e músicos, além de figuras importantes para a Natal dos anos 1980. No mesmo dia, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) emitiu nota lamentando o ocorrido.

“A Universidade Federal do Rio Grande do Norte manifesta o seu pesar pelo infausto acontecimento, ocorrido na madrugada de ontem (25 de fevereiro de 1984), quando faleceram, dentre outros. integrantes do seu corpo discente. Expressa, na oportunidade, a solidariedade da Instituição às famílias dos seus inditosos alunos, extendendo-a aos familiares das demais vítimas. Natal, RN, 25 de fevereiro de 1984. GENIBALDO BARROS Reitor”, dizia o conteúdo.

No mesmo jornal, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio Grande do Norte se posicionou sobre o caso “lamentando o pesaroso acidente de ontem, envolvendo ônibus de uma nossa filiada, dirige-se, por esta nota, a toda a comunidade natalense, compartilhando a tristeza e o luto que cobre os familiares e amigos  das pessoas vitimadas”.

O ônibus dirigido por Aluízio Farias Batista pertencia à Empresa Guanabara, uma das mais tradicionais no ramo de transporte de passageiros. Em nota, a Guanabara se solidarizou com as famílias dos mortos e feridos. “A TRANSPORTE GUANABARA LTDA., constrangida com o trágico acidente ocorrido na madrugada de ontem, vem, de público, solidarizar-se com a dor das famílias enlutadas e de toda a sociedade natalense, que sempre prestigiou esta empresa, a qual, por sua vez, só tem a lamentar que tão funesto acidente haja envolvido veículo de sua propriedade -- embora, obviamente, por motivos totalmente alheios à sua vontade”, destacava a nota assinada pela diretoria da empresa à época.










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