Honras ao Conselheiro Brito Guerra

Publicação: 2018-10-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Daladier Pessoa Cunha Lima
Reitor do UNI-RN

Em seu romance “A imortalidade”, Milan Kundera cita Goette a contemplar o palco de um teatro de Leipzig, no qual estava representado, em uma cortina, o Templo da Glória, com grandes dramaturgos ao derredor. No meio deles, sem dar atenção aos outros, um homem estava em destaque, era Shakespeare, que, “indiferente aos grandes modelos, caminhava sozinho ao encontro da imortalidade.” Parece nonsense, mas morte e imortalidade formam um par indivisível. Aqui, não se trata da imortalidade da alma, mistério próprio dos ungidos pela fé.  Trata-se da imortalidade daqueles que, depois de mortos, permanecem na memória dos pósteros, conforme seus feitos durante a vida. Sob esse prisma, ninguém é mais exemplar do que William Shakespeare.

As Academias de Letras têm o condão de preservar as memórias de quantos conseguem ter seus nomes no rol restrito de ocupantes de suas cadeiras. Na sucessão dos ocupantes, bem como em datas que resgatam fatos significativos de suas vidas, as Academias evocam os perfis humanos dos seus membros, vivos ou mortos. Assim, elas cumprem uma de suas missões, ao manterem viva a memória dos seus acadêmicos, os quais compõem a galeria dos seus imortais.

A exemplo da Academia Brasileira de Letras, a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, fundada em 1936, compreende 40 cadeiras e seus 40 ocupantes em trânsito, eleitos por seus pares durante os processos de sucessão. Assim, no decorrer do tempo, com a morte de um titular e a posse de outro, por uma mesma cadeira passarão sequentes imortais. Vale relembrar o escritor Mário Moacyr Porto, no seu discurso de posse na ANRL:  “... a cadeira se preenche, mas o lugar continua devoluto”. No entanto, existem 40 nomes fixos, imutáveis, são os Patronos das respectivas cadeiras. Desde novembro de 2017, tenho a honra de ocupar a Cadeira 3, da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, cujo Patrono é Luiz Gonzaga de Brito Guerra.

Conselheiro Brito Guerra – Luiz Gonzaga de Brito Guerra – nasceu a 27 de setembro de 1818, na fazenda Coroas, no município de Campo Grande, província do Rio Grande do Norte, e faleceu a 06 de julho de 1896, em Caraúbas-RN. Dessa forma, a 27 de setembro passado, ocorreu o bicentenário de nascimento desse insigne norte-rio-grandense, data a ser celebrada, em breve, pela Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Quando jovem, Brito Guerra recebeu apoio  do seu tio Padre Francisco de Brito Guerra e se formou em Ciências Jurídicas na Faculdade de Direito de Olinda-PE. Exerceu o cargo de juiz de Direito em várias cidades do RN e, por decreto imperial, foi nomeado Desembargador da Relação de Ouro Preto-MG, onde, em 1874, ao lado de outros magistrados, instala e passa a ser o primeiro Presidente da Corte de Justiça de Minas Gerais. Além dessa e de outras funções relevantes, consta a de Ministro do Supremo Tribunal de Justiça. Seu ilustre neto, imortal Otto de Brito Guerra é o fundador da cadeira 3 – primeiro ocupante – da ANRL. Ao fazer a saudação a Otto Guerra, durante a posse na Academia, o escritor Hélio Galvão assim se reportou ao Des. Luiz Gonzaga de Brito Guerra: “Exerceu de fato a magistratura, naquele nobre sentido primitivo, do que julga e do que ensina”. Afora os cargos decorrentes de decretos imperiais, ele ainda recebeu de Dom Pedro II os títulos de Conselheiro, de Cavaleiro da Ordem da Rosa, da Ordem de Cristo e de Barão do Açu.




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