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Natal
Hospitais do RN recebem pacientes de Manaus
Publicado: 00:00:00 - 19/01/2021 Atualizado: 10:09:53 - 19/01/2021
Mariana Ceci
Repórter

Após desembarcarem em Natal na madrugada desta segunda-feira (18), os 12 pacientes de Manaus com Covid-19 que vieram se tratar no Rio Grande do Norte já se encontram estabilizados, e notícias foram repassadas às famílias por volta das 7h da manhã. Dos 12 pacientes, 10 foram alocados no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) e 2 no Hospital Giselda Trigueiro. 

Elisa Elsie
Operação de recebimento dos pacientes contou com complexa estrutura que envolvia PM, STTU, Samu Natal e RN, UFRN, Sesap e HUOL

Operação de recebimento dos pacientes contou com complexa estrutura que envolvia PM, STTU, Samu Natal e RN, UFRN, Sesap e HUOL


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O transporte dos pacientes de Manaus para Natal foi feito pela Força Aérea Brasileira (FAB), e a operação contou com o apoio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) e Polícia Militar (PM). As tratativas para que os Estados pudessem atender ao pedido de ajuda do governador do Amazonas tiveram início na semana passada, e envolveram a articulação do Ministério da Saúde, do HUOL, da UFRN e da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), responsável por administrar o HUOL.

No fim da manhã desta segunda-feira (18), o superintendente do HUOL, Stênio Gomes da Silveira, participou de uma coletiva de imprensa na qual deu detalhes sobre o quadro clínico dos pacientes e o processo de transferência. Até o momento da coletiva, a direção do hospital não possuía maiores informações sobre o perfil dos pacientes internados, tendo em vista que isso foi definido apenas após o embarque em Manaus. 

“O que temos até agora é que são pacientes em sua maioria mais velhos, adultos com mais de 50 anos”, disse o superintendente. Segundo ele, apenas um dos pacientes apresentou uma queda na saturação de oxigênio ao longo da viagem que demandou maior atenção, mas seu quadro também já foi estabilizado e ele, como os demais, encontra-se em um leito de enfermaria. Não  havia nenhum paciente dentre os que chegaram no RN necessitado de leito de UTI até a tarde desta segunda-feira. 

O superitendente do HUOL ressaltou que, caso o quadro de algum dos pacientes se agrave, o Hospital terá condições de ofertar cuidados intensivos dentro da própria ala destinada aos pacientes Covid, que já possui leitos preparados para isso. 

Diferente de outros hospitais de Natal, como é o caso do Giselda Trigueiro, o Onofre Lopes atuou na retaguarda de enfrentamento à pandemia, garantindo a continuidade do acompanhamento de pacientes de alta complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS) que poderiam ter tido seus tratamentos afetados pela sobrecarga dos demais hospitais da cidade. 

Foi o caso de pacientes com problemas vasculares graves, transplantados e pessoas com obesidade mórbida que, antes da pandemia, já eram atendidos pela equipe do Hospital, que possui a experiência e o aparato técnico para lidar com casos mais complexos. “Foi uma decisão que tomamos a partir da orientação do município, que viu que precisaria desse apoio na retaguarda”, disse Stênio Gomes. 

O Hospital, no entanto, não deixou de receber casos Covid. Foi montada uma ala em um dos andares do complexo hospitalar que dispõe de 25 leitos, sendo 19 de enfermaria e 6 de UTI. A prioridade do HUOL é de receber, nesta ala, pacientes que possuam alguma das condições de alta complexidade que costumam ser atendidas pelo hospital e estejam com Covid-19. Com a chegada dos 10 pacientes de Manaus, a ocupação saiu de 3 para 13 pacientes, e ainda restam vagas caso surja a necessidade de novas internações. 

De acordo com a direção do hospital, entre os meses de dezembro e janeiro, quando foi registrado o aumento no número de casos no RN, a média de ocupação dos leitos do hospital foi de 5 pacientes por dia, e o máximo atingido pelo Hospital foi de 9 pacientes. “Ou seja, ainda temos uma pequena folga caso seja necessário internar mais pessoas, para que o município de Natal não fique desassistido”, disse o superintendente do HUOL.

Monitoramento
Uma das questões levantadas com a vinda dos pacientes para o Rio Grande do Norte foi a possibilidade de inserção da nova cepa do coronavírus no Estado, tendo em vista que já há provas de que ela está circulando no Amazonas. Sobre isso, o superintendente do HUOL afirmou que o Instituto de Medicina Tropical da UFRN fará a investigação para saber se há, entre os pacientes, algum que apresente a versão do vírus nesta cepa que pode ser transmitida mais rapidamente, segundo especialistas.

Apesar do monitoramento que será feito pelo IMT tanto para os pacientes como para a equipe que teve contato com eles, o superintendente do HUOL, Stênio Gomes, ressaltou que a variante em questão possivelmente já está circulando no Rio Grande do Norte, e teve chegada por outras vias, tendo em vista que aeroportos, portos e rodoviárias não estão tendo fluxo de controle de passageiros. 

“Descobriu-se que essa nova cepa estava circulando em Manaus a partir de um paciente em Tóquio, no Japão, que chegou de viagem do Amazonas e apresentava o vírus. Se ele chegou até o Japão, podemos pensar que certamente ela já está em circulação em todo país considerando que não houve controle de fluxo de pessoas em portos, aeroportos e rodoviárias”, destacou. 

Além do monitoramento que será feito pelo IMT, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também vai acompanhar a situação dos pacientes internados para garantir que as famílias recebam informações sobre a evolução do seu quadro de saúde. 

Não há risco de falta de oxigênio no RN, diz Sesap
Diante do cenário crítico de falta de oxigênio para os pacientes observado no Estado do Amazonas, a TRIBUNA DO NORTE questionou a Secretaria do Estado de Saúde Pública do RN (Sesap) sobre os estoques de oxigênio locais e a possibilidade de falta na rede hospitalar.

Por meio da Assessoria de Comunicação, a Sesap informou que esse é um risco que não existe no Estado. “O Rio Grande do Norte está com todos os leitos de suas unidades hospitalares devidamente abastecidos com oxigênio, suficientes para nossa capacidade”, disse a Secretaria.

Segundo a pasta, isso acontece porque o RN dispõe de usinas e tanques de oxigênio em todas as suas unidades hospitalares e, desta forma, uma empresa é contratada apenas para repor os cilindros.

“Tivemos uma decisão precavida, lá no início da pandemia, de instalarmos tanque de oxigênio em toda rede hospitalar do Estado.  Só tem um hospital que não tem e já estamos providenciando a instalação. Portanto, não temos risco imediato a não ser que haja problema de grande proporção”, explicou o titular da Sesap, Cipriano Maia. 

Mas, mesmo com disponibilidade de leitos e com a chegada da vacina, ele fez um alerta para a população manter os cuidados de prevenção, como uso da máscara, álcool 70º e distanciamento social.

Apoio
O secretário Cipriano Maia (Sesap) estava presente na chegada do voo e deu as boas-vindas oficialmente aos amazonenses.

“Trata-se de uma operação humanista, de amor ao próximo, de grande relevância para a saúde pública na defesa da vida dos amazonenses, que aqui chegam e que são bem acolhidos para serem atendidos”, declarou. Inicialmente seriam 10 pacientes, mas a Secretaria do Amazonas solicitou mais duas vagas à rede estadual hospitalar do RN. Os dois enfermos adicionais foram transferidos para o Hospital Giselda Trigueiro e 10 estão no HUOL.

“Tudo está preparado para que os pacientes recebam o tratamento da melhor forma possível. Aqui no Rio Grande do Norte, teremos todo apoio tanto da equipe do HUOL como do Giselda e da Sesap para garantir informações aos familiares e o devido apoio à distância com a secretaria de saúde do Amazonas”, afirmou Cipriano Maia. 












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