Natal
Hospitais ficam lotados de pacientes com gripe e covid em Natal
Publicado: 00:00:00 - 18/01/2022 Atualizado: 22:20:23 - 17/01/2022
Hospitais privados de Natal estão com alta demanda de atendimentos para pessoas com sintomas gripais e a procura, em alguns casos, chegou a dobrar nos últimos dias. Segundo as direções das principais unidades particulares da capital, o aumento de atendimentos se deve à crescente de casos de covid-19, à chegada da variante ômicron e aos registros recentes da nova mutação da Influenza, a H3N2.

Alex Régis
Procura por atendimento médico no Hospital do Coração dobrou entre dezembro e janeiro

Procura por atendimento médico no Hospital do Coração dobrou entre dezembro e janeiro


No Hospital do Coração, a demanda no dobrou no mês de janeiro em relação a dezembro. Antes, a média era de 200 pacientes diários e agora a média saltou para 400 atendidos. A informação foi confirmada pelo Diretor Médico da Instituição, Elmano Marques, em entrevista à TRIBUNA DO NORTE.

“Como a demanda tem sido muito alta, precisamos fazer todo um processo. Os pacientes passam pela triagem, que faz as medições dos sinais vitais, queixas e encaminha para o clínico. Mas a demanda tem sido muito alta e isso naturalmente leva a um período de espera maior. O que está acontecendo, não só aqui, mas em todos os PSs da cidade, é que a demanda tem sido excessiva e isso leva a um período de espera mais longo do que vinha sendo registrado”. A urgência está funcionando normalmente seja na área química, de cardiologia ou de ortopedia, informa Marques.

A reportagem foi até as imediações do HC na tarde desta segunda-feira e conversou com pacientes e acompanhantes que aguardavam do lado de fora para serem atendidos. Em alguns casos, a espera após passar pela triagem e ser devidamente atendido chegava a quatro horas.

“Estou com sintomas desde sábado. Estou com tosse, dores nas juntas e febre no primeiro dia. Como hoje é o terceiro dia vim atrás do hospital para fazer o teste para Covid. Está demorando, cheguei aqui meio-dia”, explicou o professor de cursos técnicos, Silvano Munay Dantas, 42 anos, por volta das 16h.

A cuidadora de idosos, Amanda Arielle Lima, 36 anos, também esperava na calçada o  atendimento da avó, de 71 anos, que estava gripada. Ela tomou duas das três doses da vacina contra a covid-19 e tem um enfisema pulmonar, o que dificulta sua respiração. “Ela está com febre e cansaço e o enfisema pulmonar agrava isso”, cita a neta.

A rede de hospitais privados da Unimed em Natal teve números recordes de casos de covid-19 nos pronto atendimentos na última semana. Mesmo com a alta demanda, a direção do hospital informou que os casos não estão se agravando ao ponto de gerar internações.

Segundo a assessoria de comunicação da Unimed, há atualmente 23 pacientes internados por covid-19 nos hospitais da rede credenciada. O número global de internações está 30% inferior à média. 

Em entrevista à TN na semana passada, a infectologista e médica do comitê científico do Rio Grande do Norte, Marise Reis Freitas, disse que o aumento no número de casos de covid-19 pode ser decorrente de uma terceira onda da pandemia.

“Essa variante nova tem uma transmissibilidade maior e acaba, por isso, a vacina não dá o mesmo grau de proteção e mesmo indivíduos vacinados estão adoecendo. O que difere, no entanto, é que essas pessoas estão com a forma leve. Temos um aumento expressivo de casos sem ainda aumento de pressão em leitos de hospitais e de UTI”, aponta, acrescentando ainda que o aumento pode estar associado a eventos de massa e festas de fim de ano.

A infectologista Marise Reis também analisa o momento vivido com relação ao vírus da Influenza H3N2. “Temos também essa somatória de dois vírus respiratórios circulando e gera confusão: as pessoas quando pensam na covid, pensam em algo grave, que dá pneumonia e vai para o hospital, e não pensa como se fosse uma doença leve, como gripe ou resfriado. Isso faz com que gente que tenha covid de forma leve, não se preocupe, ache que é só uma gripe e contamina os outros. Isso explica esse aumento de casos”, diz.

A rede pública assistencial para sintomas gripais também está sentindo os efeitos do avanço da covid-19 e da nova variante da Influenza. Em Natal, por exemplo, o centro de enfrentamento às síndromes gripais aberto pela prefeitura, na Zona Oeste de Natal, estava com longas filas. O Ginásio Nélio Dias, na zona Norte, também registrou longas filas  nesta segunda.

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