Hospital Infantil Varela Santiago oferece serviços de Ortopedia

Publicação: 2020-08-01 00:00:00
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Mariana Ceci
Repórter

Com um Ambulatório e Serviços de Ortopedia e Traumatologia em funcionamento desde dezembro de 2019, o Hospital Infantil Varela Santiago, principal referência para cirurgias neurológicas e tratamento oncológico infantil no Rio Grande do Norte, agora tenta garantir o credenciamento para poder realizar cirurgias de trauma e ortopedia de alta complexidade na instituição. Atualmente, pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado precisam ser enviados a Estados como Pernambuco e Ceará para fazer cirurgias complexas, como a de displasia do quadril, para a qual há cerca de 30 demandas judiciais pendentes na Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN). 

Créditos: Magnus NascimentoAtendimento ambulatorial e cirurgias de média complexidade de ortopedia e traumatologia são os novos serviços do Hospital InfantilAtendimento ambulatorial e cirurgias de média complexidade de ortopedia e traumatologia são os novos serviços do Hospital Infantil


O convênio para a instalação dos serviços foi assinado em agosto de 2019, em visita do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta a Natal. A unidade médica foi beneficiada com R$ 2,3 milhões, pagos em parcelas para o custeio dos novos serviços. Em dezembro do mesmo ano, o Ambulatório passou a funcionar plenamente, e a Prefeitura de Natal chegou a ceder especialistas para a instituição, onde a demanda por atendimento passou a ser maior do que em algumas Unidades Básicas de Saúde que possuíam médicos especialistas na área. 

O cirurgião responsável pelo setor, Ricardo Araújo, foi um dos profissionais cedidos inicialmente pela Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS Natal) para garantir o funcionamento da unidade. Ele conta que, ao observar o sucesso do Ambulatório, que estava recebendo uma grande quantidade de crianças encaminhadas de Natal e de outros municípios potiguares, verificou-se a possibilidade de instituir, também, alguns procedimentos cirúrgicos ortopédicos e traumatológicos no Hospital Infantil Varela Santiago.

“Nós fomos à direção do Hospital e sugerimos começar também a fazer cirurgias. Vimos que tipo de cirurgia poderíamos fazer aqui, para evitar enviar esse paciente a outras instituições, e constatamos que seria possível fazer as de média complexidade, que englobam o trauma", declara. De acordo com Ricardo Araújo, a unidade hospitalar já dispunha de grande parte dos aparatos necessários para garantir as intervenções cirúrgicas, como tomógrafo, radiografia e centro cirúrgico com aparelho intensificador de imagem. 

Paralelo a isso, teve início o processo de habilitação da unidade para realização de cirurgias de alta complexidade na área de Ortopedia. “Passamos a entrar na regulação do Município de Natal e da Secretaria Estadual de Saúde para captar os pacientes de trauma, para o qual o Hospital já possuía credenciamento, e a coisa foi crescendo. O Varela Santiago investiu na criação de uma sala de gesso, contratou um técnico de imobilização…”, elenca Ricardo Araújo. 

Ele afirma que os resultados da mobilização foram positivos. Em oito meses, foram feitas cerca de 300 cirurgias e 1,5 mil consultas no novo ambulatório da unidade. “Esse serviço de alta complexidade é inédito no Estado. Há uma carência e uma demanda muito grande por ele”, explica o ortopedista. De acordo com ele, o principal problema em fazer as cirurgias de grande porte nos demais hospitais da rede pública, atualmente, é o fato de que a criança precisa de um suporte maior após a cirurgia, disponível principalmente em hospitais infantis especializados, como é o caso do Varela Santiago. 

“Aqui no RN nós já temos profissionais qualificados e capacitados para realizar esses procedimentos. O que precisamos é garantir que as estruturas hospitalares com suporte para alta complexidade consigam ser habilitadas para poder fazer esses procedimentos aqui, não apenas para crianças, mas também para adultos, para que eles não tenham que ir a Estados como Ceará, Pernambuco ou Rio de Janeiro para fazerem os procedimentos”, afirma o médio. 

Análise
Atualmente, o processo do Varela Santiago encontra-se em fase de análise final na esfera Federal. O projeto já obteve aval tanto do Município de Natal como do Estado do Rio Grande do Norte. De acordo com o cirurgião Ricardo Araújo, terminado o trâmite burocrático, o Hospital terá capacidade de dar início às cirurgias de alta complexidade. “Nossa pendência hoje é burocrática. Calculamos que podemos chegar a uma equipe de até 20 ortopedistas aqui no Hospital, fazendo cirurgias de pé, joelho, quadril, mão…”, declara. 

Créditos: Magnus NascimentoRicardo Araújo coordena o Setor de Ortopedia e Traumatologia no Hospital Inf. Varela SantiagoRicardo Araújo coordena o Setor de Ortopedia e Traumatologia no Hospital Inf. Varela Santiago


O ambulatório atende crianças e adolescentes de até 15 anos que apresentem queixas relativas à Ortopedia e Traumatologia. No caso do atendimento ambulatorial, os pacientes são encaminhados a partir das Unidades Básicas de Saúde do município. Já no serviço de trauma, eles são encaminhados pelos pronto-socorros, no caso do Estado, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel ou o Hospital Maria Alice Fernandes. Os casos atendidos são principalmente de malformações congênitas, queixas relativas ao quadril, coluna, pés e pernas e também crianças com paralisia cerebral.

De acordo com pais ouvidos pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE, que estavam no local na manhã da última sexta-feira, 31, o encaminhamento tem sido eficaz. “Fomos à Unidade de Saúde de Nordelândia na quarta-feira, e hoje fomos atendidos aqui. Até agora, não houve problemas em relação à espera ou demora”, conta Mariane Carla da Silva, 28, mãe de Pedro Miguel, de 1 ano e 7 meses, que foi levado ao Hospital para tratar do pé, que é torto. 

Cynthia Fernanda, de 34 anos, foi outra que também foi encaminhada para o Hospital Infantil Varela Santiago para que seu filho, Hugo, com 21 dias de nascido, pudesse tratar também um problema no pé. “Fomos na UBS de Lagoa Seca na terça-feira, e hoje fomos atendidos aqui. Provavelmente, teremos de ser encaminhados para outro local para ele fazer a cirurgia”, explica Cynthia.

De acordo com Ricardo Araújo, é ideia é que pacientes como Hugo tenham que, cada vez menos, ser encaminhados a outras unidades para a conclusão do procedimento. “A nossa meta é garantir entre 200 e 300 cirurgias de média complexidade por mês, e oito procedimentos de alta complexidade mensais”, estima o médico.