Hospital mantem alerta sobre soro antirrábico

Publicação: 2019-07-19 00:00:00 | Comentários: 0
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Apesar de ter recebido no final da tarde desta quinta-feira (18) uma remessa de soro antirrábico, suficiente para 66 atendimentos em adultos, o diretor geral do Hospital Giselda Trigueiro, infectologista André Prudente, mantém alerta feito à Secretaria Estadual de Educação, orientando as escolas a evitar passeios em trilhas e parques, mesmo nos urbanos. O hospital é referência em atendimento de pessoas atacadas por animais peçonhentos e o motivo do alerta é o baixo estoque da substância.

Apesar de remessa de soro ter sido enviada ao RN pelo Ministério, quantidade é baixa
Apesar de remessa de soro ter sido enviada ao RN pelo Ministério, quantidade é baixa

Mesmo ainda contando com um pequeno estoque de antiveneno, para atendimento de oito pacientes graves e tendo o Ministério da Saúde informado que enviará uma nova quantidade desse soro, mas ainda sem data prevista, não significa que tenha acabado o estado de alerta, pois não há certeza de continuidade em novas remessas para normalizar o estoque.

O ofício direcionado à Secretaria de Educação e Cultura do Estado, foi encaminhado pelo Hospital Giselda Trigueiro, na última terça-feira (16), antes do novo estoque de soro antirrábico ser expedido pelo Ministério e consiste numa medida preventiva para evitar novos acidentes tendo em vista a situação nacional vivenciada de estoque crítico e desabastecimento dos soros.

 O ofício foi enviado na última terça-feira (16) e solicita que a Secretaria Estadual de Educação do RN recomende aos gestores de escolas públicas e particulares do Rio Grande do Norte que evitem atividades pedagógicas em locais onde haja maior risco de ataques por animais peçonhentos ou transmissores da raiva. A razão é a falta de soro antiofídico, e soro antirrábico.

O documento é assinado pelo diretor do Giselda Trigueiro, o médico André Prudente. “Preocupa-nos o fato de recebermos frequentes questionamentos de pais relatando que a escola de seus filhos está organizando visitas ecológicas, piqueniques, passeios ou quaisquer outras modalidades pedagógicas em matas ou parques, incluindo os urbanos. Entendemos que, apesar de importantes, estas atividades expõem os alunos a um maior risco de contato com os supracitados animais, justamente em um momento onde não há garantia de tratamento contra suas agressões”, escreveu, no ofício número 2/2019/Sesap – HGT.

De acordo com o diretor, enquanto redigia o documento, o estoque de soros contra a cobra jararaca, ofídio peçonhento que mais provoca acidentes em no Nordeste, estaria zerado, assim como o antirrábico. André Prudente afirma que não há previsão de reabastecimento pelo Ministério da Saúde, único órgão competente para adquirir os componentes. A Secretaria Estadual de Educação informou, nesta quinta-feira (18), através da assessoria de imprensa, que encaminhou a recomendação às Diretorias Regionais de Educação, e que essas são responsáveis por repassar a recomendação às escolas da rede pública estadual. Quanto à rede particular, a Seec não sabe informar se o documento foi repassado a alguma instituição que as representa.

O documento, além de externa a necessidade de alerta às instituições de ensino, expõe os motivos porque a rede de saúde está sem esses soros. Justifica que o Brasil enfrenta um grave desabastecimento de soros antivenenos e antirrábicos, algo amplamente divulgado e oficializado pelo Ministério da Saúde através da Nota Informativa nº 40/2019.

A falta das substâncias se deve à diminuição da produção pelos três laboratórios responsáveis, por não terem se adaptado em tempo hábil às “Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos”, que são normas editadas pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na RDC nº 17 de 16 de abril de 2010.

A raiva é uma doença viral com letalidade muito próxima a 100%. É transmitida por mamíferos (exceto os roedores), onde se incluem os morcegos, saguis, raposas, equinos, bovinos, suínos, cães, gatos e outros tantos. Após o ser humano ser exposto ao vírus, por mordedura, arranhadura ou lambedura de qualquer animal infectado, não há outra maneira eficaz de se evitar o óbito que não seja a aplicação de soro e vacina para impedir a instalação da doença.

Em maio deste ano 20 pessoas precisaram do soro antiofídico, e até o dia 23 de junho foram atendidas 25 pessoas no Giselda. Durante todo o ano de 2018, exatas 3.234 pessoas foram agredidas por animais peçonhentos, mas perto de 90% das vítimas não precisaram receber doses do soro. “O número maior de acidentes é com escorpiões.

A Sesap orienta a população para os cuidados necessários para prevenção de acidentes com serpentes e escorpiões e animais que podem transmitir o vírus da raiva:

Prevenção de acidentes com serpentes

Evitar acúmulo de lixo ou entulhos que possam atrair ratos (um dos principais alimentos das serpentes) ou outros pequenos animais

Não colocar as mãos desprotegidas em buracos e cupinzeiros, folhas secas, monte de lixo, lenha, palhas etc.;

Usar luvas de couro ao manejar locais onde as serpentes possam estar presentes, tais como matas, tocas, troncos e lenhas árvores;

No amanhecer e no entardecer, evitar a aproximação da vegetação muito próxima ao chão, gramados e jardins, pois é nesse momento que serpentes estão em maior atividade;

Usar sapatos fechados de cano alto ao andar e caminhar na mata ou entre folhas secas.

Prevenção de acidentes com animais que podem transmitir a raiva
Evite o contato com animais silvestres como saguis e raposas

Ao encontrar um morcego caído ou morto, não toque no animal

Cães ou gatos que forem encontrados em contato com morcegos devem ficar em isolamento

Não faça contato com cães e gatos de rua





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