Hotéis potiguares esperam ‘pior réveillon da década’

Publicação: 2011-12-07 00:00:00 | Comentários: 6
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Renata Moura - editora de Economia

Enquanto o comércio vibra com medidas de estímulo ao consumo que prometem impulsionar as vendas neste fim de ano, os hotéis do Rio Grande do Norte esperam que o período seja “o pior da década”. Uma mostra do pessimismo é apontada em pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Estado (ABIH RN), realizada junto a 40 hotéis localizados em Ponta Negra, na Via Costeira, na Praia do Meio e em Pipa. De acordo com o levantamento, haverá queda de no mínimo 20% nas taxas de ocupação em dezembro, em relação à média anual. Em relação ao mesmo período do ano passado – quando a média no mês foi de 85% de leitos ocupados - a redução projetada é de no mínimo 15%. Os número foram revelados à TRIBUNA DO NORTE ontem.
Adriano AbreuPara hoteleiros, taxa de ocupação será, no mínimo, 15 por cento menor que a do mesmo período de 2010Para hoteleiros, taxa de ocupação será, no mínimo, 15 por cento menor que a do mesmo período de 2010

“Teremos o pior Reveillon dos últimos dez anos”, desabafou o diretor comercial e de marketing do hotel Ocean Palace, Ruy Gaspar, por meio do microblog Twitter. O desempenho será registrado, segundo ele, em um segundo semestre já “catastrófico”, com taxa de ocupação média de 53% - abaixo dos 57% registrados nos primeiros seis meses do ano. “E o segundo semestre, historicamente, é em torno de 20% a 30% superior ao primeiro”, calcula.

A falta de uma campanha agressiva de divulgação do destino é apontada como principal razão da desaceleração . “Enquanto  o RN é pouco divulgado, outros estados como Ceará, Pernambuco e até a Paraíba ganham cada vez mais força”, diz o gerente financeiro do hotel Parque da Costeira, Flávio Alexandre de Pontes e Silva.

O presidente da ABIH RN, Habib Chalita, reforça o coro de que o problema é a falta de uma política constante e mais forte de divulgação do estado. O dólar, que favorece viagens a outros países, segundo ele, não foi suficiente para atrapalhar a média ocupacional no ano, puxada pelos brasileiros. A crise no exterior também não, considerando que é o fluxo nacional e não internacional que vem sustentando o movimento no setor.

O resultado do que chamam de pouca agressividade em promoção tem sido menos movimento nos estabelecimentos e, reforçam, nas diversas atividades que faturam mais com a chegada de turistas. Para se ter ideia do cenário nos hotéis, o Ocean Palace – que no ano passado já estava lotado no início do mês – está hoje com metade dos leitos preenchidos. “O que vendemos foi para o público brasileiro, mas agora não está mais havendo procura”, conta o diretor, Ruy Gaspar.

No Parque da Costeira, o movimento também está fraco. “Temos uma perspectiva de ocupação em torno de 50% para o Reveillon. Geralmente alcançamos esse índice entre outubro e novembro, mas este ano isso não aconteceu”, diz o gerente. Nem a redução no valor da diária, que segundo afirma chega a 20% em relação ao ano passado, tem aquecido a procura.

No Hotel Rifóles, em Ponta Negra, a taxa de ocupação, que chegou a 95% em 2010, agora está em torno de 50% e as perspectivas para os próximos dias não são tão promissoras. “Se chegarmos a 70% estaremos satisfeitos porque quem compra Reveillon compra com  antecedência e acreditamos que as vendas para o período já foram feitas”, diz o diretor, Geraldo Magela. Para os hoteleiros, em curto prazo não há mudança prevista no cenário. Eles esperam, entretanto, garantir uma fatia a mais de recursos para divulgação no próximo ano, por meio de emendas parlamentares.

O secretário estadual de Turismo e presidente da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur), Ramzi Elali, foi procurado no final da tarde de ontem para falar sobre os investimentos em divulgação e o cenário que se desenha, mas participava de uma reunião e não atendeu nem retornou as ligações.

Para o “Hotel BRA”, futuro ainda é incerto

Andrielle Mendes - repórter

Enquanto os hotéis preveem baixa ocupação, um outro empreendimento continua sem previsão de quando sequer terá as obras retomadas e concluídas. A audiência de conciliação que definiria o destino do hotel BRA, marcada para ontem na 5ª Vara da Fazenda Federal, na Justiça Federal, foi remarcada para o dia 14 de dezembro a pedido do Ibama, do Ministério Público Federal (MPF) e do Município de Natal. Segundo o MPF, a audiência foi adiada porque as modificações no projeto ainda estão sendo negociadas.

A obra, na Via Costeira, está embargada desde 2005. O grupo HWF, dono do hotel, construiu um pavimento acima da altura permitida pelo Plano Diretor de Natal à época e enfrenta uma disputa judicial desde então. Segundo Kaleb Freire, advogado do grupo, os clientes entregaram à Justiça um estudo técnico, apontando modificações do ponto de vista ambiental e de edificação, na data determinada, e estão dispostos a entrar em acordo. O estudo ainda está sendo analisado pelo juiz federal

Ivan Lira de Carvalho, titular da 5ª Vara Federal. Nem a Justiça nem o grupo divulgaram o conteúdo.

O grupo ainda não sabe que modificações o projeto sofrerá ao final do processo, e por isso, não sabe informar quanto deverá investir no empreendimento. A ideia é que a obra seja concluída antes da Copa. O hotel levará três anos para ficar pronto, segundo Kaleb Freire. O projeto inicial estava orçado em R$ 100 milhões. Humberto Folegatti, presidente do Conselho de administração do grupo HWF, adiantou que o hotel não será vendido. “Admitiremos outro sócio, no máximo”.

O acordo, segundo Kaleb,  antecipa o desfecho do caso e permite que as obras sejam retomadas após cinco anos de paralisação. De acordo com o último levantamento realizado pelo grupo, o prejuízo com a interrupção da obra chegava a R$47 milhões - quase metade do valor do projeto. Tanto Humberto quanto Kaleb afirmaram que o grupo está disposto a demolir a ala norte do oitavo andar (4º andar, tomando por base o meio-fio da Via Costeira no trecho do hotel).  A audiência, marcada para o dia 14, definirá quando as obras serão retomadas e quando o ‘pavimento da discórdia’, como ficou conhecido o oitavo andar, será demolido.

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) para saber se já havia encaminhado as modificações propostas à Justiça, mas não obteve resposta até o fechamento da edição. O secretário-adjunto, que trata do assunto, estava em reunião e não pôde atender as ligações.

A construção do Hotel BRA, na Via Costeira, foi embargada pela Semurb, mas a obra continuou por força de uma liminar judicial. Na época, a Procuradoria da República ingressou com uma ação civil pública, exigindo a paralisação da obra. Em 2007, a Procuradoria enviou uma petição à Justiça Federal, exigindo a demolição do pavimento irregular. A Justiça determinou a demolição. O grupo, que havia paralisado as obras em 2006, recorreu da decisão. Em 2008, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) concedeu liminar autorizando a retomada da obra, mas a Procuradoria-Geral do Município se opôs à decisão, afirmando que a decisão suspendia a demolição dos pavimentos, mas não suspendia o embargo. Com o possível acordo, o grupo espera por fim a o embate e concluir o hotel.

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Comentários

  • natalfamainternacional

    muito facil a resposta pra isso.............a crise na europa está afetando os turistas e fazendo com que a queda na rede hoteleira caia em todo o mundo............não adianta investir fora do Brasil, tem que ser no Brasil agora................e Natal é uma cidade voltada pra ricos..........principalmente a via costeira................fica o aviso

  • phnm13

    As praias centrais de Natal estão tão esquecidas que nem críticas ruins recebem mais. Estão literalmente mortas. Graças ao desleixo das autoridades, nasceu, cresceu e desenvolveu ali, às custas de invasão de um imenso terreno da Aeronaútica em frente à praia do Forte, uma grande favela. Com ela, em consequência da miséria e falta de oportunidades, vieram a violência e a prostituição entre outros males. A única solução a curto prazo: remoção da favela. Alguém (candidato) se habilita?

  • karlamarthinna

    Segundo Rosalba e Micarla, não existe dinheiro p/ nada neste estado, imagine p/ turismo! Outra, coisa quem espantou o turismo aqui em Natal foi a prostituição causada pela grande publicidade de Natal pela Europa, fora os valores de diárias e serviços cobrados neste estado que são exorbitantes! Já que querem turismo, tirem do próprio bolso de vocês (empresários) e invistam, afinal são ricos, milionários e possuem mt dinheiro pra gastar c/ propagandas. Isso n é função do governo. O governo tem que prestar atenção aos serviços essenciais e nem isto está fazendo.

  • vivian

    Já me hospedei em um hotel da Via Costeira e foi péssimo. Quarto com cheiro forte de mofo, péssimo atendimento. De noite, precisei esquentar a mamadeira da minha filha, que era bebê naquela época, e acho que andei uns 3km dentro do hotel até conseguir encontrar um local onde pudesse esquentar o leite. Na Praia de Ponta Negra, além do esgoto correndo bem ao lado de onde estávamos, meus filhos estiveram brincando por um bom tempo ao lado de um pedaço de garrafa. Um vidro enorme enfiado na areia, com a parte cortante para cima. Difícil.

  • felipearthurpaz

    Como estudante de Economia e Auditor noturno de hotel digo. Natal tem belezas naturais, bons restaurantes, mão de obra formal hospitaleira. Isso são características que podem impulsionar o turismo da cidade, mas elas sozinhas são apenas características. O parque das Dunnas poderia ser melhor explorado, como os museus, Teatros e parte histórica da cidade, não só com informações e sim com atrações. Natal tem uma deficiência que é não oferecer serviços 24h, Em vários segmentos, os básicos como alimentação, hospitais e farmácias são precários, mobilidade urbana é necessária e investimento privado.

  • romulosartoretto

    Infelizmente os governantes não levam o turismo a sério no RN. Uma rápida volta pelos locais turísticos já revela muita coisa. Querem que o turismo ande por si só, mas turismo demanda investimentos! A questão não é só de propaganda! Tem de melhorar acessos aos locais turísticos, a limpeza e infraestrutura dos locais e tentar qualificar a mão de obra que trabalha nesse ramo, conscientizando de que é melhor ganhar pouco vendendo muito, do que enfiar a faca no pescoço do turista. Turista que é bem recebido volta sempre, e indica o local para os amigos e familiares!