HUOL estuda aparelho que detecta dislexia

Publicação: 2013-04-07 00:00:00 | Comentários: 6
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Desenvolver um equipamento de baixo custo capaz de auxiliar o diagnóstico da dislexia. Esse é o objetivo do grupo de pesquisadores do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS) do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), da Universidade Federal do Rio Grande (UFRN).
Magnus NascimentoProjeto para desenvolver novo aparelho para detectar dislexia está sendo desenvolvido no HUOLProjeto para desenvolver novo aparelho para detectar dislexia está sendo desenvolvido no HUOL

O problema que atinge de 5% a 10% da população mundial em idade escolar é de difícil avaliação, porque afeta partes diferentes do cérebro e tem características diversas em cada paciente. A análise deve, portanto, ser realizada por uma equipe multiprofissional formada por neurologistas, psicólogos, fonoaudiólogos e pedagogos.

Pensando na importância de um diagnóstico precoce e correto, o professor do Departamento de Engenharia Biomédica Danilo Alves Pinto Nagem começou a estudar a questão no ano de 2011. A equipe coordenada pelo professor Nagem é formada pelas fonoaudiólogas Sheila Andreoli Balen e Michele Soltosky Peres e pelo mestrando em Engenharia Mecânica Alessandro Marinho de Albuquerque.

O foco do grupo é desenvolver um equipamento de fácil manipulação que vai custar 90% menos do que os utilizados atualmente. “Queremos ajudar a diagnosticar o maior número possível de pessoas que sofrem com a dislexia. O primeiro passo para massificar o exame é baratear o custo”, enfatiza Nagem.

Enquanto os métodos atuais ficam na faixa de U$ 50 mil, o que está sendo desenvolvido pela equipe deve custar dez vezes menos: em torno de U$ 5 mil. O sistema vai monitorar principalmente a posição do olho durante a leitura de textos, já que disléxicos possuem um padrão de movimentação ocular diferenciado.

O mestrando Alessandro Marinho está finalizando, o desenvolvimento do software que irá avaliar a posição do rosto, do olho e da íris durante o exame. O programa vai ser finalizado no mês de junho. “Com a conclusão do software, podemos começar a realizar testes que serão avaliados pelas fonoaudiólogas e por outros profissionais de saúde”, diz.

Como a dislexia envolve os sistemas auditivo e visual, o equipamento deve incluir microfones para gravar a leitura de textos. “Esses dois sistemas se integram. Há disléxicos visuais, fonológicos e mistos, por isso precisamos analisar várias vertentes”, esclarece a fonoaudióloga Michele Soltosky.

Com a finalização do programa, o foco será na estruturação de um hardware simples e barato. O coordenador Nagem explica que pretende desenvolver um sistema que possa ser utilizado com qualquer câmera, o que vai garantir o baixo custo do projeto. “A ideia é que o aparelho possa ser colocado dentro de uma van para sair pelas escolas fazendo testes com alunos e auxiliando o diagnóstico da dislexia”, afirma.

A equipe ressalta que o aparelho vai facilitar o diagnóstico da dislexia fornecendo dados que deverão ser analisados por profissionais da área de saúde. “É uma forma de auxiliar a detecção do problema, mas, por se tratar de uma doença complexa, o equipamento não pode ser utilizado isoladamente”, adverte Nagem.

A previsão de é que o sistema de triagem esteja pronto para utilização em até dois anos. “É uma iniciativa muito importante. Qualquer pessoa que tenha dislexia precisa saber que é capaz. Ela apenas tem uma dificuldade que pode ser tratada”, enfatiza a fonoaudióloga Sheila Balen.

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Comentários

  • averdadeiraanne2

    acho excelente a iniciativa e gostaria de inscrever meu filho de 11 anos nos testes.

  • andersonnunes05

    Parabéns aos pesquisadores, o fato é ... no período que a criança esta na alfabetização é que se percebe a dificuldade, e só assim com ajuda de uma equipe multidisciplinar a criança poderá desenvolver suas estratégias.

  • maria.amparo

    APROVEI PERFEITAMENTE A PREOCUPAÇÃO EM DETECTAR PRECOCEMENTE A DISLEXIA. MEU FILHO TEM 22 ANOS DE IDADE E SOFRE DESTE PROBLEMA, MUITA DIFICULDADE PARA ESCREVER, QUASE NÃO ENTENDE-SE O QUE ELE ESCREVE. NO ENSINO FUNDAMENTAL, A COORDENADORA ME CHAMOU E MANDOU QUE EU O LEVASSE PARA UMA PSICO PEDAGOGA . ASSIM FIZ, MAIS NÃO HOUVE MELHORA E HOJE A DIFICULDADE CONTINUA E ATÉ EMPREGO NÃO CONSEGUE E ESCREVER ´E DIFÍCIL.

  • semogjc17

    agora eu questiono se privatizar como o governo ta querendo teremos pesquisas

  • semogjc17

    agora eu questiono se privatizar como o governo ta querendo teremos pesquisa

  • isabelaine

    Parabens!aos pesquisadores, nossas crianças agradecem, pois quanto mais precoce o diagnostico, mais qualidade de vida poderemos oferecer a elas no futuro.