Natal
HWG recebe 50% dos medicamentos
Publicado: 00:00:00 - 05/09/2012 Atualizado: 22:36:21 - 04/09/2012
Carla França - repórter

O Hospital Walfredo Gurgel recebe semanalmente pouco mais de 50% dos medicamentos necessários para atender os pacientes. Entre os motivos para a deficiência no abastecimento da unidade estão a falta de alguns medicamentos na Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat) e a superlotação do hospital.
Na tarde de ontem, 69 pacientes estavam internados em macas pelos corredores do Walfredo Gurgel
Os medicamentos são solicitados as segundas-feira, quando é feita uma contagem dos pacientes do hospital. O pedido é feito com base nessa contagem, o problema é que, na maioria das vezes, quando os insumos chegam nas quartas-feiras, o número de pacientes é superior e acaba não sendo suficiente para toda a semana.

“Não é nem de longe a situação ideal, mas está um pouco melhor. Há dois meses, quando assumi o abastecimento era de 22%. O grande problema é a superlotação do hospital. Fica difícil conseguir planejar e adquirir todos os medicamentos utilizados sem que nunca haja faltas. Hoje podemos ter 60 pacientes no corredor e amanhã 100. Enquanto o problema da demanda não for resolvido, não haverá medicação suficiente”,disse a diretora do HWG, Fátima Pinheiro.

Com relação ao fechamento da UTI Cardiológica do Walfredo Gurgel, a diretora disse que não está fechada, apenas deixou de receber os pacientes. Atualmente só um, em estado mais grave, está na Unidade. Os outros cinco foram reacomodados em leitos do próprio hospital.

A expectativa é que os cardiologistas retomem as atividades na UTI o quanto antes, pois, de acordo com Fátima Pinheiro, todos os 14 itens questionados pelo corpo de cardiologistas do hospital como sendo fundamentais para garantir a assistência aos pacientes que estavam internos na UTI cardiológica, já foram repostos.

De acordo com documento assinado pelos médicos, faltavam  medicamentos como Omeprazol, Ranitidina, Amidorona, Heparina e Carvedilol. Ainda de acordo com a carta, o exame de Rx Torax vinha sendo realizado de forma inadequada com uma película improvisada.

A Secretaria Estadual de Saúde informou que, mesmo com a chegada de todas as drogas solicitadas, os cardiologistas agora questionam as quantidades fornecidas ao Walfredo Gurgel. Eles querem que, tanto a direção, quanto o Governo do Estado, garantam o abastecimento de todos os medicamentos por um período de, pelo menos, 30 dias.

“O chefe da UTI Cardiológica, George Fonseca, ficou de conversar com os outros médicos para que o atendimento seja retomado. Infelizmente, a solicitação dos médicos, atualmente, não corresponde a realidade do HMWG. Só conseguimos o abastecimento semanal”, explicou a diretora.

ESTADO DE EMERGÊNCIA

Passados 61 dias desde que o Governo do Estado decretou situação de calamidade pública da saúde, nada mudou no Hospital Walfredo Gurgel. Dos mais de R$4 milhões previstos no Plano de Enfrentamento de Urgências e Emergências do Governo do Estado cerca de R$100 mil foram repassados ao Hospital Walfredo Gurgel.

A direção do hospital espera receber o restante da verba nos próximos 30 dias – tempo que resta para completar os 90 dias de prazo dado pelo Estado. “Já fizemos a nossa parte, montamos uma planilha de como essa verba será investida. Precisamos que ela chegue para dar início”, disse o diretor administrativo do HWG, Josenildo Barbosa.

O planejamento foi feito da seguinte forma: R$300 mil será utilizado para abastecer o hospital, R$350 mil para manutenção da UTI; R$144 mil para manter o Programa de Internamento Domiciliar (PID); R$2,5 milhões para reforma do Clóvis Sarinho e R$1 milhão para a compra de equipamentos.

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