Identidade imortal

Publicação: 2020-09-15 00:00:00
Tádzio França
Repórter

O advogado e professor Armando Roberto Holanda Leite faz questão de dizer que “só fez nascer” em Minas Gerais. Veio para o Rio Grande do Norte aos dois anos de idade e construiu aqui toda sua vida, incluindo uma longa e prestigiosa carreira jurídica. Aos 73 anos, o mais novo certificado de potiguar na coleção do mineiro foi concedido pela Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANL): Armando é o novo imortal da instituição, ocupando a cadeira número de 16, que pertenceu a outro advogado, Eider Furtado. Um título que para ele é símbolo de identidade e amizade.

Créditos: Adriano AbreuAcademia Norte-rio-grandense de Letras (ANL) é uma das mais respeitadas instituições do Estado e reúne grandes nomes da intelectualidade local. Armando Roberto Holanda Leite é o mais novo membroAcademia Norte-rio-grandense de Letras (ANL) é uma das mais respeitadas instituições do Estado e reúne grandes nomes da intelectualidade local. Armando Roberto Holanda Leite é o mais novo membro


Armando Holanda foi colega e grande amigo de seu antecessor na ANL, razão que o deixou particularmente feliz pelo resultado. “Eider Furtado foi um amigo e também uma referência. Tivemos carreiras bastante parecidas, chegamos a ocupar os mesmos cargos. Fui professor de direito de dois filhos dele. Eu fiz questão de concorrer a essa cadeira, sem demérito das outras, é claro. Ocupar a cadeira dele tem um significado especial para mim”, afirma. Eider faleceu em novembro do ano passado, deixando sua cadeira vaga desde então.

Créditos: Alberto Leandro/Arquivo TNAcademia Norte-rio-grandense de Letras (ANL) é uma das mais respeitadas instituições do Estado e reúne grandes nomes da intelectualidade local. Armando Roberto Holanda Leite é o mais novo membroAcademia Norte-rio-grandense de Letras (ANL) é uma das mais respeitadas instituições do Estado e reúne grandes nomes da intelectualidade local. Armando Roberto Holanda Leite é o mais novo membro

Potiguar honorário e abecedista
A trajetória profissional de Armando Holanda é essencialmente ligada ao meio jurídico. São 50 anos ininterruptos de advocacia. Foi graduado pela UFRN e mestre em Direito Civil pela PUC (SP). Armando escreveu três livros para a área jurídica. Ocupou cargos de Procurador da República, Procurador Regional Eleitoral e Consultor-Geral do Rio Grande do Norte. 

Ele foi também Presidente do Conselho Seccional da OAB no estado, membro titular da Condição de Anistia do RN, e é integrante da Academia de Letras Jurídicas do RN.

O advogado transmitiu seu conhecimento durante 19 anos como professor (hoje aposentado) do curso de Direito da UFRN, assim como na UnP, e também na Escola de Magistratura do RN. O engajamento no meio potiguar lhe rendeu títulos de cidadão honorário de diversos municípios do estado, com destaque para os de Mossoró, Natal, e Macaíba – que é a sua terra de coração no RN. “A minha vida, a minha essência, o tudo da minha família é Macaíba. Eu sou de Macaíba!”, afirmou. 

Armando também recebeu o título de cidadão potiguar pela Assembleia Legislativa. “E claro, sou torcedor do ABC com muito orgulho! Isso é importantíssimo pra mim enquanto potiguar”, brinca.

Apesar de ter uma carreira essencialmente ligada ao Direito, Armando também chegou a se conectar com alguns segmentos culturais do estado. Ele presta uma assessoria jurídica informal ao Instituto Histórico e Geográfico do RN, tendo sido um dos responsáveis pelo encaminhamento da reforma do prédio que esteve pendente alguns anos atrás. Armando também teve uma breve passagem pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico – Iphan – como superintendente local. Na ocasião, ele debateu a volta da Fortaleza dos Reis Magos para a administração do estado.

Armando afirma que pretende ser para a ANL um sucessor à altura do velho amigo Eider Furtado. “Sei que ele representou muito para a Academia, e apesar de achar que não tenho a mesma densidade cultural dele, vou contribuir da melhor forma que eu puder”, afirma ele, com modéstia. O presidente da ANL, Diógenes da Cunha Lima, atesta que a eleição de Armando não foi uma surpresa, devido a conexão que ele tinha com o antigo colega. “É um homem com longos serviços prestados ao RN, de ótimo texto e grande inteligência. A academia sempre cresce com pessoas dessa qualidade intelectual”, diz.

Após a ocupação da cadeira 16 na ANL, estão vagos os espaços do jornalista Paulo Macedo (cadeira 10); o advogado, jornalista e escritor Murilo Melo Filho (cadeira 19), e o historiador e poeta João Wilson (cadeira 25). Armando Holanda concorreu na ocasião com o dramaturgo Racine Santos e a escritora Naide Gouveia.