Idosos superam isolamento com ajuda da tecnologia

Publicação: 2020-05-31 00:00:00
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Idosos em Natal que estão em isolamento devido à pandemia de Covid-19 estão vencendo a distância de amigos e parentes por meio da tecnologia. Na capital potiguar, cerca de 400 deles vivenciam aulas remotas de língua estrangeira, memória, pintura e até ginástica. São pessoas que venceram o desafio de aprender a lidar com ferramentas digitais e mostrado que nunca é tarde para aprender coisas novas.
Créditos: CedidaCom 92 anos, o aposentado Sebastião Figueiredo estuda Espanhol por webconferência desde abrilCom 92 anos, o aposentado Sebastião Figueiredo estuda Espanhol por webconferência desde abril

Desde a segunda quinzena de abril, os alunos da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI) – projeto de extensão da UnP, integrante da rede Laureate – participam de encontros on-line em oito cursos. Os idosos têm, em média, 72 anos de idade e tiveram que, com paciência e apoio de familiares e professores, se habituarem ao “novo normal”.

“Nesse período de pandemia, a UnATI tem desenvolvido um trabalho incrível com seus alunos promovendo a integração dos idosos com seus colegas e permitindo que eles continuem sua rotina de atividades mesmo distantes fisicamente. A tecnologia tem sido uma ferramenta especial para nos ajudar nessa missão com eles”, explica o Reitor da UnP, Prof. Dr. Breno Schumaher.

Com o avanço da idade, naturalmente, a neuroplasticidade é perdida e manter a mente e o corpo ativos é uma maneira de retardar patologias como explica a Especialista em Neuropsicologia da UnP, Profa. Emannuelle Araújo.

Segundo ela, a aprendizagem continuada ajuda a melhorar a vida social e intelectual. “É muito bom ver que esses idosos, mesmo em período de isolamento, estão tendo a oportunidade de continuar suas atividades. Esse é um grupo que, devido aos riscos do coronavírus, ficará ainda em isolamento social por muito tempo, provavelmente, será o último a poder voltar às ruas”.

A docente acrescenta que, mesmo de forma virtual, as atividades físicas e intelectuais ajudam a estimular a criatividade e o intelecto, pois os alunos têm muito a crescer com a continuidade dos cursos. “Muitos idosos ficam tristes com o isolamento e utilizar os recursos de tecnologia para manter a rotina é um caminho para ajudá-los”.

A importância do tempo

Com 92 anos, o aposentado Sebastião Figueiredo estuda Espanhol por webconferência desde abril quando as aulas foram retomadas na modalidade remota. Ele, que sempre usou a internet para a leitura e pesquisas, teve sua primeira experiência de aprendizado on-line com a UnATI.

De acordo com ele, a experiência tem sido muito positiva. “Estudava Espanhol de forma presencial desde o ano passado, mas tenho gostado bastante de estudar pela internet. É sempre muito bom se deslocar, conviver com os colegas, porém tenho achado a aula pela internet até mais cômoda para os idosos”, avalia.

Morando só, para os primeiros acessos, ele contou com a ajuda inicial das filhas, mas hoje já consegue fazer todo o processo sozinho. “O isolamento veio nos ensinar sobre o valor do tempo, a importância de meditar e refletir sobre a vida. Porém, a pior coisa da pandemia é não poder ter contato com ninguém. Tenho participado de reuniões com parte da família que mora em São Paulo e no Rio Grande do Sul e isso alivia o isolamento”.

Ginástica para programar a mente

Quem também se desafia é a aposentada Miriam Padilha, 72 anos, que é aluna de Ginástica com Consciência Corporal. Portadora de comorbidades que aumentam os riscos de gravidade no caso de Covid-19, ela adotou o isolamento como medida de saúde e fazia pequenas caminhadas em seu condomínio evitando contato com as pessoas.
Créditos: CedidaA aposentada Miriam Padilha, de 72 anos, que é aluna de Ginástica com Consciência Corporal, se exercitado com ajuda de aulas virtuaisA aposentada Miriam Padilha, de 72 anos, que é aluna de Ginástica com Consciência Corporal, se exercitado com ajuda de aulas virtuais

Ela confessa, entretanto, que não tinha tanta disciplina para fazer a atividade física sozinha. “Teria sentido muita falta de ter uma atividade programada. E, mesmo online, a gente se prepara mentalmente para a aula, organiza o espaço para abrir a câmera, se arruma um pouquinho e encontra as colegas”.

Miriam reconhece que a aula virtual necessita de adaptações pois nem todos têm os equipamentos com faixas elásticas e bolas, mas conta que a professora dribla as situações com objetos que os alunos têm em casa, sempre observando e orientando sobre os exercícios.

“A gente afasta os móveis, modifica o que pode no espaço e, mesmo com limitações, dá para fazer boa parte das práticas”, comemora.




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