Imaginário visual aberto ao público

Publicação: 2017-05-19 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Quem visita a Casa da Indústria, em Lagoa Nova, e transita pelas salas e corredores dos oito andares do prédio, talvez passe despercebido pelas obras de alguns dos nomes mais representativos das artes potiguares. Com o intuito de ampliar o acesso do público às peças e dinamizar a coleção, a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern) contratou a curadora e pesquisadora Ângela Almeida para estudar e expor o acervo.

‘Rendeiras’(1999)de Dorian Gray, em técnica mista
‘Rendeiras’ (1999) de Dorian Gray, em técnica mista

Depois de um ano de trabalho, em que foi feito um levantamento de todas as obras, além de serviços de restauração e de manutenção, incluindo ainda a aquisição de novas peças, o acervo atualizado e completo da Fiern será mostrado ao público em exposição no Solar Bela Vista (Cidade Alta). A abertura acontece nesta sexta-feira (19), a partir das 19h, com lançamento do catálogo da coleção. A entrada é gratuita. O evento marca o início da Semana da Indústria do RN, que vai até o dia 27 de maio.

São cerca de 70 obras, dentre pinturas, esculturas e fotografias – estas, adquiridas no último ano. Com exceção do pernambucano Francisco Brennand (que aparece com o painel vidrado “Cajus, Floral"), todos os outros artistas com trabalhos no acervo são potiguares ou residem no Estado. Por exemplo, Thomé Filgueira, com “Engenho”, Assis Marinho, com duas telas do “Algodoal”, Jomar Jackson, com “Ressaca” e “Marina”, Irineu Alves, com dois óleos sobre tela, além de Vicente Vitoriano, Carlos Sérgio, Ambrósio Córdula, dentre outros.

Newton Navarro, com os nanquins aquarelados "Vaqueiros" e "Pescador", também está presente, bem como Dorian Gray, o artista com mais obras na coleção. Juntos, os dois fora protagonistas, ao lado de Ivon Rodrigues, da primeira exposição modernista em Natal, em 1950. Dentre alguns dos novatos no acervo, estão os fotógrafos Marcelo Buainain (MS), Numo Rama (PB) e o potiguar Giovanni Sérgio.

Trespassing (2013), aquarela do artista Vicente Vitoriano
'Trespassing' (2013), aquarela do artista Vicente Vitoriano

Curadora da exposição, a fotógrafa e artista plástica Ângela Almeida ressalta a importância da coleção como registro do imaginário visual de Natal, já que grande parte das obras são sobre a capital potiguar. “Dá para olhar as obras e entender a cidade”, diz Ângela, fotógrafa e com obras no acervo. “Normalmente ocupando as paredes da Casa da Indústria, as obras agora ganham com a exposição um momento de apreciação concentrada, dentro de um espaço que mostra a abrangência do acervo”.

A coleção começou a ser montada em 1988, com a inauguração da Casa da Indústria, e desde então vem crescendo com o apoio dos presidentes da Fiern. Ano passado foram feitas novas aquisições, já com olhar curatorial. “Preenchemos algumas lacunas, como a falta de fotografias e de outras linguagens contemporâneas. A ideia é atualizar e dar dinâmica ao acervo”, comenta Ângela.

Apesar da diversidade de técnicas e olhares, algumas das peças apresentam aspectos ou temáticas correspondentes, o que foi levado em consideração no momento da categorização do acervo para o catálogo. As obras estão agrupadas nas categorias “Representação Humana”, “Cidades e Indústria”, “Abstração e Imaginário”, “Mitos, Religiosidade e Imagens Sacras” e “Fotografia Documental”.

‘Congos’ (1999), em técnica mista com relevo, de Dorian Gray Caldas
‘Congos’ (1999), em técnica mista com relevo, de Dorian Gray Caldas

O catálogo atual chega 14 anos após a publicação do primeiro: “Artes plásticas - Acervo Fiern 50 Anos", que contou com textos do marchand Antônio Marques e de Dorian Gray, sob a curadoria de Marques. O novo registro traz um olhar atualizado para a coleção, mostrando as novas aquisições.

Sobre a exposição do acervo, a terceira promovida pela instituição, Ângela conta que as obras estarão ocupando três salas centrais, um pequena e dois corredores do Solar Bela Vista – palacete de arquitetura modernistas que em 2017 completa 110 anos de existência. As outras duas mostras foram organizadas em 2003 e 2013, como parte das comemorações pelos 50 e 60 anos da Fiern, respectivamente.

No catálogo que registra o trabalho, a curadora descreveu o conjunto de obras: “Um Acervo de tamanha amplitude traz indiscutivelmente também a formação de um imaginário visual sobre a cidade de Natal, a representação de sua natureza, paisagens, personagens, questões sociais e culturais que sinalizam uma identidade. Sem o sentido de ser totalizante, ao contrário, é dinâmico, vivo, aberto a novas leituras e a reinvenção de cada novo olhar”

Serviço
Exposição “Acervo de Artes do Sistema Fiern”
Solar Bela Vista (Av. Câmara Cascudo, 417, Cidade Alta)
Abertura dia 19 de maio, a partir das 19h
Visitação até dia 27 de maio, no horário de funcionamento da galeria.


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