'Impacto de um raio que caiu em abril', diz Paulo Guedes sobre queda do PIB

Publicação: 2020-09-02 00:00:00
O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta terça-feira (1) que não causa preocupação ao governo o tombo histórico de 9,7% do Produto Interno Bruto (PIB), no segundo trimestre na comparação com os três primeiros meses do ano.

"Isso é impacto do raio que caiu em abril", afirmou Guedes, no Palácio da Alvorada, em referência aos impactos da crise do coronavírus na economia brasileira. Depois, em audiência pública com os parlamentares, o ministro disse que o resultado do PIB é "som de um passado distante". "Nós humanos somos átomos que raciocinam. Economia não é uma ciência exata. Como a velocidade da luz é diferente da velocidade do som, você vê um raio muito cedo e o som chega depois. É a mesma coisa com a economia."

Ele completou dizendo que quem previu uma queda de 10% no PIB deste ano "viajou na velocidade da luz" e errou. "Chegou agora o som de uma queda inicial do PIB de 10%. Só que a realidade é outra. É um som de um passado distante. Como a luz das estrelas que nós vemos foram emitidas há bilhões de anos. O que você vê é um registro do passado. Foi esse som que chegou agora", completou.

Guedes disse que as estimativas agora para o PIB de 2020 estão em queda entre 4% e 5%, a metade da queda registrada no segundo trimestre. A projeção oficial é de retração de 4,7%. "O crédito, consumo de energia elétrica, notas fiscais estão todas voltando com dois dígitos. No fim do ano, a queda da economia brasileira pode ser 4% até um pouco menos", afirmou.

Com o desempenho, o Brasil entrou oficialmente em recessão técnica. "Isso é de impacto lá atrás. Estamos decolando em 'V'", disse Guedes usando a metáfora para explicar que após queda rápida da atividade, deve acontecer também uma alta na mesma intensidade.

Guedes afirmou que o crescimento da economia no próximo ano pode surpreender. Segundo a estimativa que consta da proposta de Orçamento do próximo ano, encaminhada na segunda-feira ao Congresso, o PIB deverá ter uma alta de 3,2% em 2021. "Ano que vem podemos ser surpreendidos com crescimento de 3%, 3,5%, 4% a 4,5%. Só depende de aprovarmos as reformas", completou.

Em nota informativa, a Secretaria de Política Econômica (SPE) ressalta que os indicadores mostram que a atividade econômica continua se recuperando e que analistas de mercado estão melhorando continuamente desde junho suas projeções para o desempenho da economia neste ano, diante de resultado positivos do varejo e da indústria

"Deve-se salientar que a queda da atividade neste trimestre deverá ser a mais severa da pandemia do coronavírus, uma vez que já é possível identificar sinais de recuperação nos meses posteriores", afirma a nota. A secretaria ressalta que, para que a retomada seja "consistente", é importante a continuidade da agenda de reformas estruturais e da consolidação fiscal.

A secretaria destacou ainda que a queda da atividade no Brasil está entre as menores em relação às principais economias e citou os países do G7 (grupo dos países mais industrializados do mundo, composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido), onde a queda chegou a 11,9%, quando comparado ao mesmo trimestre de 2019 e países emergentes como Chile, México e Índia, cujas quedas foram de 13,7%, 19% e 23,9%, respectivamente.

Levantamento sobre o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) em 48 países, feito pela Austin Rating,  mostra que em todo o mundo a pandemia fez com que apenas dois países - China (+11,5%) e Índia (+0,7%) - registrassem crescimento econômico ante o primeiro trimestre do ano. Em 2020, 92,9% de todas as economias do mundo deverão registrar quedas, segundo projeções do Banco Mundial.