Impactos do Youtube preocupam especialistas em educação

Publicação: 2019-01-26 00:00:00 | Comentários: 0
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Deparar-se com uma criança vidrada em celulares e tablets tornou-se cada vez mais comum. A cena, que antes era uma raridade, é vista hoje com naturalidade, ao passo que os questionamentos sobre esse uso, quase indiscriminado, são discutidos por especialistas em educação e pais. “A questão nos convida a compreender as formas de apropriação dessas novas tecnologias pelas crianças, pré-adolescentes, adolescentes, jovens e adultos diante das possibilidades proporcionadas”, destaca Cristina Arruda, psicóloga que coordenou um debate no Instituto Educacional Casa Escola, com a participação de pais, alunos e docentes.

Cada vez mais cedo crianças estão ligadas na internet sem que os pais vejam o conteúdo
Cada vez mais cedo crianças estão ligadas na internet sem que os pais vejam o conteúdo

Para a especialista, o fascínio pela tecnologia virtual alterou as formas de apreensão do conhecimento e de se relacionar do ser humano. Dentre os recursos digitais que mais proporciona o encantamento, principalmente nos jovens, está a plataforma de vídeos Youtube. Considerado um ambiente que reúne diversos conteúdos com os mais diferentes fins, a ferramenta se transformou em um mundo de possibilidades que, invariavelmente, traz benefícios. Por outro lado, seu uso indiscriminado incide sobre os modos de se relacionar refletindo na busca pela satisfação instantânea e na desmotivação das atividades que exigem esforço.

“O uso excessivo e/ou inadequado das redes sociais pelos jovens e crianças, como a publicação e o compartilhamento de vídeos, fotos de nudez, conteúdos de segregação e violência, dentre outros, são alguns exemplos de mau uso do espaço virtual”, pontua Cristina. Além da preocupação com os teores sexuais que chegam cada vez mais cedo e em grande volume às crianças, existe o entusiasmo com os youtubers e o modo como os usuários se identificam com o comportamento desses famosos, os quais colocados no lugar de ideal, expõem seus carros, casas de luxo, objetos de consumo etc. — uma oferta de sonhos prontos que parece afastar os seguidores da possibilidade de construir seus próprios sonhos.

Para ajudar no controle do consumo de conteúdos considerados inapropriados para a idade e o desenvolvimento emocional do jovem e da criança, os especialistas consideram que a escola faça o seu papel de auxiliar os alunos a melhor entender os objetos tecnológicos e, também, alinhar temas de cunho pedagógico à curiosidade dos estudantes. Já em casa, esse trabalho deve ser feito em conjunto com a família que, ao invés de apenas proibir e coibir, deve buscar entender o mundo online em que o jovem está inserido para conhecê-lo e melhor orientar. A tecnologia pode ajudar na conexão com o assunto, mas não substitui o contato físico. A moderação também é importante. “Geralmente os pais não conhecem e nem têm a curiosidade sobre os vídeos e os youtubers aclamados. A grande cartada é demonstrar interesse, curiosidade e deixar que os jovens apresentem o seu mundo em sua linguagem própria, cabe a nós adultos entendê-la”, explana a psicóloga.

Daí a importância de bem acolher o surgimento de novas gírias, novos termos, nomes dos jogos e personagens, músicas, ou seja, é no tropeço da linguagem que podemos ser testemunhas dessa apropriação, necessária, da internet. Sendo assim, escola e família são os espaços privilegiados e os mais apropriados para interagir com essas diversas influências.


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