Inadimplência sobe 5,5% no mês de junho ante maio

Publicação: 2010-07-09 00:00:00
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Brasília (AE) - A taxa de inadimplência subiu em junho tanto na comparação com maio (5,59%) quanto em relação ao mesmo mês do ano passado (1,17%), segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em conjunto com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). No acumulado do ano até junho, a taxa de inadimplência registra uma queda de 1,51% ante o primeiro semestre do ano passado, conforme dados divulgados ontem. As entidades informaram também que o número de consultas para compras a prazo e para pagamentos com cheques (índice relacionado com o volume de vendas) caiu 5,43% na comparação com maio, mas subiu 9,24% em relação a junho de 2009. No primeiro semestre do ano, o número de consultas subiu 7,88% ante idêntico período do ano passado.

Telefonia é o setor que possui o maior volume de calotes dos consumidores em junhoA realização da Copa do Mundo de futebol e a forte base de comparação de maio, em função do Dia das Mães, levaram os números de junho a serem mais fracos para o varejo, segundo o economista da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Fernando Sasso. Enquanto foi registrado aumento da inadimplência no mês passado ante maio (5,59%), houve redução do volume de consultas (-5,43%), termômetro usado para medir as vendas do setor. “Sempre ocorre movimento mais cauteloso em anos de Copa. E junho foi fraco, apesar do Dia dos Namorados”, salientou Sasso. Além de o consumidor apresentar menos disposição para as compras durante o mundial, nos dias de jogo o comércio, de forma geral, costuma fechar as portas ou, pelo menos, trabalhar em horários reduzidos.

O economista lembrou que a comparação dos números com o mês anterior também fica prejudicada porque a segunda melhor data do ano para o comércio é o Dia das Mães, em maio. Além disso, ele comentou que o dado de junho sofreu também com o chamado “efeito calendário”, já que o mês contou com dois dias a menos do que maio. “Mas este é um movimento sazonal, atípico”, garantiu. Na comparação feita com idêntico período do ano passado, no entanto, houve aumento do volume de consultas, segundo dados da CNDL, de 9,24%. A inadimplência seguiu em alta de 1,17%. No ano, os números continuam favoráveis para o setor, com aumento das consultas de 7,88% no primeiro semestre do ano e queda de 1,51% na inadimplência ante idêntico período de 2009.

Telefonia lidera lista de maiores calotes no mês

Os setores do comércio que receberam em junho o maior volume de calote dos consumidores foram os de telefonia, eletroeletrônicos, escolas e planos de saúde. A lista foi divulgada por Sasso. Para ele, parte das causas para o aumento da inadimplência no mês passado é a existência de um contingente de novos consumidores que ainda não estão maduros para comprar a crédito. Sasso salientou, no entanto, que pesquisa da entidade revelou que a principal resposta para a inadimplência é o desemprego, seguido de falta de planejamento financeiro e empréstimo do nome para compras com pagamento parcelado. “A maior parcela dos endividados é da classe C, D e E. Existe uma demanda reprimida gigantesca nessas camadas, e com nível de exigência da classe A”, comparou.

Perfil

Em junho, a maioria (54,9%) das pessoas registradas no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) foi do sexo feminino. Por faixa etária, 26,78% dos registros pertencem a consumidores com idade entre 30 e 39 anos. No mesmo mês, a entidade detectou que 78,42% possuem dívidas atrasadas nas faixas abaixo de R$ 250,00 - a grande maioria está compreendida no valor de R$ 0,01 a R$ 50,00, com 35,79%. “Isso é explicado pela grande disponibilidade de crédito a juros baixos, o que favorece os parcelamentos das compras”, disse o economista.

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