Indústria brasileira reage e critica presidente do Ipea por proposta de desindustrialização

Publicação: 2021-01-21 00:00:00
Causou indignação na indústria de transformação a entrevista dada pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Carlos von Doellinger, ao Valor Econômico em que o economista defende a desindustrialização do Brasil ao sustentar que atividades de manufatura, com exceção do beneficiamento de recursos naturais, não são o melhor caminho para o País.

"Estamos assistindo a uma discussão estéril que despreza um ativo valioso do País. É como se os industriais fossem um bando de idiotas que dependem de subsídio para sobreviver", comenta Fernando Pimentel, presidente da Abit, entidade que representa a indústria têxtil nacional.

"Eu sou fã da agropecuária e tenho orgulho da posição do Brasil no mercado internacional de commodities agrícolas, mas o setor agrícola não será sozinho capaz de tracionar a economia brasileira", acrescenta o executivo.

Doellinger defendeu que o Brasil priorize setores onde tem vantagens comparativas - casos de agronegócio, mineração e energia - e citou a Austrália como exemplo, por o país ter decidido há mais ou menos 15 anos acabar com a indústria de transformação para dar foco a sua vocação na produção de minérios e agropecuária, tornando-se também uma potência em serviços e tecnologia. "Se isso fosse uma verdade, Japão e Coreia do Sul, que são países industrializados, não seriam economias desenvolvidas", rebate José Velloso, presidente da Abimaq, associação da indústria de máquinas e equipamentos.

Segundo Velloso, reduzir a indústria a setores em que há vantagem comparativa por abundância de recursos naturais, como sugeriu o presidente do Ipea, significaria desmontar parques de capital intensivo num País que investe pouco. "Se a gente fizer um estudo de impacto disso, certamente o saldo será negativo", afirma.