Indústria opera no piso da série histórica, aponta IBGE

Publicação: 2020-06-04 00:00:00
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A queda de 18,8% registrada pela indústria em abril ante março aumentou a distância entre o patamar de produção atual e o ponto mais elevado já registrado na série histórica da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em abril, o patamar de produção estava 38,3% menor que o auge alcançado em maio de 2011.

"A indústria opera no patamar mais baixo da série histórica, está no piso da série", destacou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

Todas as categorias de uso da indústria tiveram queda recorde em abril ante março. Na comparação com abril do ano anterior, apenas bens intermediários não tiveram perda recorde: a queda na produção foi a mais intensa desde janeiro de 2009, quando tinha recuado 19,8%. "Todas as categorias econômicas (industriais) operam no ponto mais baixo da série", acrescentou André Macedo.

No mês de abril, a fabricação de bens de capital estava 67,9% abaixo do pico de produção registrado em setembro de 2013, enquanto os bens de consumo duráveis operavam 88,5% aquém do ápice de produção visto em junho de 2013. Já os bens intermediários estavam 31,4% abaixo do pico visto em fevereiro de 2011, e os bens de consumo semi e não duráveis operavam 31,8% aquém do auge registrado em junho de 2013.

Atividades
A queda na indústria em abril ante março foi disseminada, alcançando 22 das 26 atividades pesquisadas, sendo que 15 delas tiveram perdas recordes em meio à pandemia do novo coronavírus, segundo os dados do IBGE. A influência negativa mais relevante foi da produção de veículos automotores, reboques e carrocerias, que despencou 88,5%, a queda mais intensa da série histórica, devido a paralisações e interrupções de várias unidades produtivas em função da pandemia da covid-19. No mês anterior, a atividade de veículos já tinha recuado 28,0%. Em dois meses de perdas, a atividade de veículos encolheu 91,7%. Houve redução na produção de automóveis, caminhões, ônibus, carrocerias, autopeças. 

Na direção oposta, a fabricação de produtos alimentícios cresceu 3,3% em abril ante março, enquanto produtos farmoquímicos e farmacêuticos avançaram 6,6%. Ambos tinham recuado no mês anterior: -1,0% e -11,0%, respectivamente. O setor de perfumaria, sabões e produtos de limpeza avançou 1,3% enquanto as indústrias extrativas ficaram estáveis.

Os três setores com avanço na produção em abril ante março, na contramão do restante da indústria, foram impulsionados por hábitos de consumo decorrentes das medidas de isolamento social, com maior demanda por alimentos e produtos de higiene e limpeza.






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