Infectologista alerta para risco a que pacientes curados e assintomáticos estão expostos

Publicação: 2020-03-31 00:00:00
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Mariana Ceci
repórter

Apesar de o Rio Grande do Norte possuir 10 casos de pessoas que foram infectadas pelo coronavírus e que estão em fase "assintomática" ou aqueles “fora do período de transmissão”, infectologistas alertam para os riscos aos quais esses pacientes podem estar sujeitos, que vão desde serem acometidos por outras enfermidades respiratórias, à possibilidade de voltar a contrair o vírus uma segunda vez.

Créditos: Magnus NascimentoLuiz Roberto: se o coronavírus seguir a tendência dos demais vírus a tendência é que seja resistente Luiz Roberto: se o coronavírus seguir a tendência dos demais vírus a tendência é que seja resistente


A  TRIBUNA DO NORTE entrou em contato com o infectologista Luís Alberto Marinho, que ressaltou que muitos dos aspectos relativos ao novo coronavírus ainda são desconhecidos, incluindo o comportamento do vírus uma vez que a pessoa que o contraiu seja considerada “curada”. “A primeira coisa que temos que ter em vista é que se trata de um vírus novo para a espécie humana. Tudo que está acontecendo é aprendizado para quem está estudando o comportamento dele no organismo, ainda não há respostas definitivas ou cientificamente comprovadas”, explica o infectologista. 

Até o momento, o que se sabe no meio científico é que a covid-19 não se trata apenas de uma gripe. Além de ser muito mais transmissível e letal do que um vírus comum da gripe, o coronavírus provoca um processo inflamatório grande nas pessoas infectadas, e tomografias pulmonares revelam cicatrizes (fibroses) com aparência antiga no tecido pulmonar das pessoas acometidas pela doença.

Além de não terem, ainda, estudos conclusivos que apontem os efeitos e a reversibilidade dessas sequelas, a comunidade científica ainda não pode responder se o vírus poderá ser contraído uma segunda vez por uma pessoa que já foi infectada previamente. “Essa resposta ainda não existe com respaldo científico. Se seguir a tendência dos demais vírus respiratórios, a tendência é que ele seja resistente, mas não se sabe por quanto tempo”, explica Luís Alberto. 

De acordo com o infectologista, apesar da expectativa da comunidade científica ser de que, após a doença e uma vez recuperado, o indivíduo se torne resistente, ainda não há comprovações que sustentem essa teoria. "A questão de saber por quanto tempo esse indivíduo será resistente também é uma incógnita", destaca.

Na última sexta-feira (27), a National Public Radio (NPR), dos Estados Unidos, revelou que pacientes de Wuhan, na China, que comprovadamente tiveram a  doença e foram considerados “recuperados”, inclusive com resultados de testes negativos depois de um período de isolamento, em um terceiro teste, feito semanas depois, voltaram a apresentar resultados positivos para o COVID-19. 
De acordo com os profissionais ouvidos pela NPR, a situação poderia ter algumas explicações, que vão desde a eficácia do teste aplicado pelas autoridades chinesas na detecção do vírus, que podem ter dado um “falso negativo”, à possibilidade das pessoas terem contraído a doença uma segunda vez.

“O que podemos afirmar com certa segurança, mas não com certeza científica, é que os pacientes que se recuperaram de COVID-19, devem permanecer em torno de 14 dias em isolamento, no mínimo. Alguns especialistas até recomendam entre 14 e 20 dias, depois da recuperação, para poder voltar ao convívio com as demais pessoas”, explica Luis Alberto Marinho. De acordo com ele, após o período de 20 dias, as chances da pessoa infectada ser capaz de transmitir para outras é mínima. 

Além disso, o fato de ter chances mínimas de transmitir não significa que a pessoa que foi infectada não deve ter cuidado para evitar o contato com o vírus novamente. “A recomendação é que essas pessoas não devem se expor a um novo contato com o mesmo vírus que ele teve, independente das chances de estar resistente”, destaca. 

Outro ponto ressaltado pelo infectologista é o aumento das chances da pessoa que está recém-recuperada da doença ser acometida por outra enfermidade, não apenas viral, mas também bacteriana. “Há semelhanças entre os vírus que já conhecemos: o rinovírus, a Influenza, os adenovírus e outros vírus respiratórios já conhecidos que podemos traçar. As pessoas que ficaram doentes graças a algum desse vírus, nos primeiros dias que seguem a recuperação, ficam com déficit em suas defesas imunológicas, por isso que uma pessoa sai de uma virose como essas e pode ter uma infecção por bactéria, por exemplo.”, afirma Luís Alberto. 








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