Inflação acumulada em 12 meses é a maior desde 2017

Publicação: 2018-08-09 00:00:00 | Comentários: 0
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A inflação de 0,33% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em julho fez a taxa acumulada em 12 meses avançar de 4,39% em junho para 4,48% no mês passado. O resultado é o mais elevado desde março de 2017, quando a taxa em 12 meses estava em 4,57%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em julho do ano passado, o IPCA do mês ficou em 0,24%.

Energia elétrica ficou 5,33% mais cara e tendência é de aumento superior à inflação no próximo ano
Energia elétrica ficou 5,33% mais cara e tendência é de aumento superior à inflação no próximo ano

O aumento na conta de luz em julho foi o que mais pesou na inflação medida pelo IPCA de julho. As famílias gastaram 1,54% mais com Habitação em julho, uma contribuição de 0,24 ponto porcentual para o Índice. O item energia elétrica ficou 5,33% mais caro. Apesar da desaceleração em relação à alta de 7,93% registrada em junho, a energia elétrica foi o item de maior impacto na inflação de julho, o equivalente a 0,20 ponto porcentual.

Além da continuidade da vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 2, com a cobrança adicional de R$ 0,05 por KWh consumido houve reajustes nas tarifas cobradas por concessionárias em Porto Alegre, Brasília, Curitiba e São Paulo.

A conta de luz recuou apenas em Belém (-0,01%), Goiânia (-1,83%) e Vitória (-0,30%), por conta da redução na alíquota de PIS/Cofins. Ainda no grupo Habitação, a taxa de água e esgoto subiu 0,69% em julho, com reajustes nas tarifas de São Paulo, Salvador, Porto Alegre e Goiânia.

O item gás de botijão ficou 0,18% mais barato em julho, apesar do reajuste de 4,38% para o botijão de 13 quilos nas refinarias, autorizado pela Petrobras em 5 de julho.

O grupo Alimentação e Bebidas registrou um recuo de 0,12% nos preços em julho, após a alta de 2,03% em junho. Entre as regiões pesquisadas, os preços variaram desde uma deflação de 1,72% em São Luís até um aumento de 1,07% em São Paulo.

O grupo Alimentação, que responde por 25% das despesas das famílias, passou de uma contribuição de 0,50 ponto porcentual sobre o IPCA de junho para um impacto de -0,03 ponto porcentual para a inflação de julho.

“A deflação no grupo em julho refletiu um aumento na oferta de itens alimentícios, beneficiados pela entrada da safra, mas também do realinhamento de preços após as altas exacerbadas decorrentes da paralisação dos caminhoneiros no final de maio”, disse Fernando Gonçalves, gerente na Coordenação de Índices de Preços do IBGE.

Os preços dos alimentos para consumo no domicílio caíram 0,59% em julho, após terem subido 3,09% em junho. As principais quedas foram registradas na cebola (de 1,42% em junho para -33,50% em julho), batata-inglesa (de 17,16% para -28,14%), tomate (de 0 94% para -27,65%), frutas (de 1,61% para -5,55%) e carnes (de 4 60% para -1,27%).

Por outro lado, as famílias pagaram mais pelo leite longa vida (11,99%) e pelo pão francês (2,22%).

Já a alimentação fora de casa acelerou de 0,17% em junho para 0,72% em julho. Ficaram mais caros no último mês o lanche fora de casa (1,40%) e a refeição fora de casa (0,39%). “Teve férias e Copa do Mundo (de Futebol). O que aumentou mais foi a refeição e o lanche fora. É porque as pessoas vão para a rua comemorar", justificou Gonçalves.

Custo maior da energia se prolongará
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Luiz Eduardo Barata, disse que 2018 está repetindo o comportamento de 2017 no setor energético, e que a redução das chuvas deve manter a operação cara até o final do período seco. Segundo Barata, até o final do período seco (outubro) os consumidores devem continuar pagando mais caro pela energia, com a Bandeira 2 acionada.

“Vamos ter 2018 de novo com atenção, mas temos tranquilizado o governo, não corremos risco de desabastecimento de energia, mas sabemos que vamos ter custo alto da energia", declarou ele, durante debate no Brazil Windpower 2018.

Barata informou ainda que o mês de julho foi o pior em termos de chuvas do histórico do ONS, que vem desde 1931.





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