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Inflação disseminada e endividamento recorde das famílias brasileiras
Publicado: 00:00:00 - 14/05/2022 Atualizado: 00:21:17 - 14/05/2022
Custódio Arrais
Presidente do Sicoob Potiguar

O endividamento dos brasileiros alcançou novo recorde em abril. De acordo com os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência dos Consumidores, realizada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) desde 2010, o percentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer alcançou os 77,7%. São mais de dez pontos percentuais de diferença em relação à abril de 2021, quando a parcela foi de 67,5%.

Outra máxima histórica registrada pela pesquisa foi a da proporção de famílias com dívidas ou contas em atraso: 28,6% do total de famílias consultadas. Desse montante, 10,9% declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e, portanto, vão permanecer inadimplentes.

A inflação alta e disseminada é a grande vilã dessa história. É ela que tem corroído o orçamento das famílias, principalmente as de menor renda, e empurrado a tomada de crédito. Para se ter uma ideia local do problema, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da cidade do Natal registrou para o mês de abril um aumento de 1,48% em relação ao mês anterior. Se observarmos os últimos doze meses, a alta é de 10,34%. O levantamento é do Idema, por meio da Coordenadoria de Estudos Econômicos.

O grupo Alimentação e Bebidas, que responde por 32,43% do índice geral em termos de participação no orçamento das famílias potiguares, apresentou uma elevação de 2,35% em relação ao mês anterior. Neste mesmo período, o grupo Saúde e Cuidados Pessoais cresceu 2,17% e o Transporte apresentou aumento de 1,62%. Não tem outra saída: com o preço dos produtos e serviços mais altos, as famílias acabam precisando de mais dinheiro à disposição para conseguir manter os custos de vida. 

É aí que entra em cena outro vilão. Os juros no Brasil vêm numa escalada enorme que encareceu o crédito. Segundo a CNC, as taxas de crédito para pessoas físicas passaram de 39,4% em janeiro de 2021 para 46,3% em janeiro de 2022. É uma espremida tremenda no bolso das famílias.

Outro dado que corrobora com esse cenário é o do endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro, que chegou a 52,6%, de acordo com levantamento do Banco Central. O percentual é o mais alto da série histórica. Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento ficou em 33% em 2021, ante 26,9% do ano anterior.

Percebe-se o quanto a inflação tem dificultado o pagamento das contas do mês. Com isso muitas famílias têm adiado seus sonhos de casa própria, carro novo, viagem, aquisição de novos bens de consumo. Nessa conjuntura, adiam-se também os novos investimentos. Assim o mercado não avança, nem novos postos de trabalho são criados. É um ciclo que deve seguir afetando negativamente a economia brasileira enquanto medidas mais eficazes não forem tomadas.

* Artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor

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