Inflexíveis

Publicação: 2019-07-19 00:00:00 | Comentários: 0
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Rubens Lemos Filhos
rubinholemos@gmail.com

Morte e matemática, além das iniciais em comum, são inexoráveis: não há como driblá-las, enganá-las, adiá-las, emendá-las. São exatas e inflexíveis. O jogo do ABC amanhã em João Pessoa. Se perder para o Botafogo, o ABC cai para a Série D. Morte e matemática também não rimam com milagre.

Poucas vezes , diretoria e time foram tão parecidos na inércia. Na letargia paquiderme do conformismo. Que não combina com o técnico Roberto Fernandes, nitroglicerina pura. A diretoria acocorou-se a um tal Giscard Salton, uma dessas novidades que empolgam os ingênuos. Natal gosta de visitantes de boa conversa. Chiou, está dentro.

E Salton, com a complacência dos que deveriam mandar nele, passou a tutelar uma gestão com jeito de quem está numa terça-feira, às 14h45. Ou quinze para às três da tarde, horário convidativo ao marasmo, a uma rede lá do Seridó, a um sono depois de uma panelada. Um estilo tudo bem aconteça o que acontecer, foi assim mesmo, não deu certo, fazer o quê?

A história do ABC não perdoa os incompetentes. São varridos para o lixo do esquecimento e pagam pelo ostracismo com  a antipatia pública. A rejeição infinita. Foram montando um arremedo de time como quem estivesse consertando um carro a 120 quilômetros. Acelera, troca o pneu, reduz, muda o motor, pega a reta, troca o vidro dianteiro.

Na cartilha do ABC Futebol Clube, ousar é o caminho da glória. Temer é sinônimo de fracasso. Paciência demais é preguiça.

Band transmite
Boa sacada a da Bandeirantes em transmitir ao vivo para Natal, o jogo do ABC contra o Botafogo de João Pessoa, amanhã, 17 horas. O diretor Carlinhos Bastos me confirmou.  É uma chance para o povão, afastado dos estádios por não ter dinheiro para comprar ingresso, ver o alvinegro. A massa, a humilde e invisível, mas imensa, é o coração da torcida do ABC.

Moisés  Quem danado é Moisés? Um perna de pau que o ABC contratou e que foi para a mídia denunciar salários atrasados. O clube o desmentiu. Moisés é o culpado? Verdade pela metade . Culpado é o ABC, que contrata com a perícia de um Rubinho. Eu não, o Barrichello.

Flamenguista
Os flamenguistas estão sob fogo cerrado dos adversários. Montaram um time caro(o que não significa que é a 8 a maravilha do mundo) e não ganharam nada. O flamenguista possui uma peculiaridade. Para ele não basta vencer. É preciso pisar, humilhar o adversário. Há exceções. Em tudo, a exceção reina soberana sobre a precariedade geral. A exceção é primeira. Diferenciada quando é qualidade.

Nem Denner
Nem Denner, o Augusto dos Anjos da bola, morto asfixiado pelo cinto de segurança enquanto dormia no banco do passageiro em 1994, escapou do veneno. Denner era o camisa 10 do Vasco e jogava por um batalhão de Neymares. No primeiro clássico seguinte , Denner enterrado seis dias antes, a torcida do Flamengo entoou: “Ô vascaíno por que estás tão triste? / Mas o que foi que te aconteceu?/ Foi o Denner que bateu no carro/Quebou o pescoço e depois morreu”. De uma nobreza medieval, concordam?

Vinicius
Jamais espere de alguém aquilo que não pode dar. O caso do lateral-direito Vinicius, do América, diagnosticado com um tumor no tórax, ilustra a indiferença de tantos que têm tanto. O mal da saúde não escolhe classe social. Vinicius precisa de ajuda. Quem for de gesto, pode contar comigo. Vamos fazer uma campanha para Vinicius ser operado. Criar uma conta, sei lá. Vamos nos mobilizar. O mais breve possível. O tempo cuida do resto.

Vital e sua vitória 
A vitória de Roberto Vital para a Academia de Medicina realça uma figura querida por todo meio esportivo. E lava, de banho de cachoeira, a injustiça que um dia cometeram com ele, demitido do ABC  por um forasteiro trazido pela cartolagem insensível(redundância): o tal Rodrigo Pastana. Que foi embora sem bater pestana. E Roberto  Vital voltou. Tranquilo e sereno.

Precursor 
Por justiça, é preciso lembrar que a Medicina do Esporte potiguar ultrapassou fronteiras internacionais graças ao médico do América, Maeterlinck Rêgo, pioneiro e obstinado. Aprendeu e ensinou a todos, sem ressalvas, os caminhos do ofício.

Os melhores 
É um deleite a edição de 25oaniversário da FourFourTwo, a mais respeitada revista sobre futebol no mundo. Quem me trouxe foi o memorialista e vanguardista(Jovem Guarda)  Fred Sizenando. A revista é mais realista sobre o Brasil do que os desvairados fanáticos.

Pelé e Sócrates
Pelé é endeusado. Lógico. É extraterreno. Sócrates, tratado como a inteligência da seleção de 1982. Xavi e Iniesta, compositores do Barcelona artístico, descritos com esmero. Maradona dá entrevista com suas contradições. A inteligência dele foi concentrada na canhota. E Neymar não aparece nem em rodapé de página. É um subproduto da pobreza de virtude atual.

Alecrim hoje 
Uma cutilada nas suas tradições. O Alecrim entrou em coma e comodismo, acostumou-se com o fracasso, enamorou-se da mediocridade.  De clube tradicional, virou um retrato amarelado pela subserviência ao inglês que o destruiu e a quem entregaram o Verdão. Beijando a mão. Dele. Do Poderoso Chefão de circo hoje sumido do mapa. Mundi. Série B de Estadual é calabouço.




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