Inframérica garante cronograma

Publicação: 2011-10-05 00:00:00
Andrielle Mendes - Repórter



Diretores do consórcio Inframérica, vencedor do leilão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, visitaram o Rio Grande do Norte ontem - um dia após a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) adiar a homologação do resultado. Eles se reuniram com a governadora Rosalba Ciarlini, almoçaram com a classe produtiva do RN e visitaram as obras do aeroporto, no fim da tarde. Durante a visita, Gerson de Mello Almada, diretor executivo da Engevix, se mostrou tranquilo com o recurso administrativo interposto pelo concorrente, o consórcio  Aeroportos Brasil (Grupo MPE), e afirmou que não há nenhum problema com a documentação entregue pelo Inframérica à Anac. Sem detalhar a ‘contrarrazão’ apresentada à Agência, Gerson afirmou que “todos os requisitos foram atendidos”. O consórcio não descarta a possibilidade de entrar na Justiça para tentar garantir o direito de explorar o aeroporto. “Se os motivos forem justos, não entraremos. Mas se não forem justos, entraremos. Nenhuma medida protelatória, porém, será tomada”, afirmou o executivo.

Gerson Mello Almada, com a governadora Rosalba Ciarlini, lembra que o cronograma prevê para agosto de 2012 o início das obrasO adiamento do julgamento,  previsto para a última segunda e transferido para a próxima sexta-feira, não preocupa. Pelo menos, não neste primeiro momento. Segundo ele, o cronograma inicial atrasaria se a assinatura do contrato, prevista para 20 de novembro, fosse adiada - o que ainda não ocorreu. “Esperamos, inclusive, que esta data seja mantida”, afirmou. Caso o contrato seja assinado em 20 de novembro, as obras dos terminais de passageiros e cargas, sob responsabilidade do consórcio vencedor, iniciam nove meses depois – agosto de 2012. O período, segundo Gerson, é necessário para elaborar projetos e aprová-los. A obra leva 24 meses para ser concluída. A Engevix, porém, se compromete a entregar antes da Copa. “Esse é o nosso compromisso. No entanto, não depende só de nós (o consórcio). O resultado da concorrência era para ter saído hoje (ontem), mas foi adiado. Há uma série de pontos que podem atrasar o cronograma”, ponderou.

Durante o almoço com lideranças das classes produtoras locais (leia texto, nesta página), alguns dos diretores do consórcio comentaram sobre a natureza do recurso, o que não fizeram no contato com a imprensa. Trata-se, segundo eles, de um questionamento sobre uma certidão que o grupo concorrente alega não ter sido entregue pela Inframérica. “Entregamos documentos similares e que atendem a todas as informações exegidas, como nos asseguramos junto a Anac durante a fase de inscrição. O próprio recurso não contesta esses documentos”, comentou um deles. Gerson de Mello acrescenta que “agora é aguardar o resultado da concorrência e partir para a assinatura”.

O diretor executivo da Engevix só se mostrou preocupado com a possibilidade do aeroporto de Parnamirim, o Augusto Severo, e o de São Gonçalo do Amarante, operarem voos comerciais simultaneamente. “Pode atrapalhar a operação do novo aeroporto”, justificou. Apesar de não estar prevista no edital, a possibilidade foi levantada pelo presidente da Infraero, Gustavo Vale, e defendida pela governadora Rosalba Ciarline, durante a visita dos diretores do consórcio ao RN. “O Rio Grande do Norte precisa dos dois aeroportos para atender a demanda. Parnamirim não pode perder o seu aeroporto”, afirmou Rosalba. O executivo relembrou, porém, que “o edital não prevê que os dois operem voos comerciais ao mesmo tempo”.

O consórcio também não descarta a possibilidade de ampliar a capacidade do aeroporto de São Gonçalo do Amarante. No entanto, afirma que a prioridade é concluir os terminais e começar a operar. A Engevix está interessada em participar das próximas privatizações e revela que “quem começa, leva vantagem competitiva”. O aeroporto de São Gonçalo do Amarante foi o primeiro a ser incluído no plano de desestatização dos aeroportos brasileiros e serve como modelo para as próximas concessões. O aeroporto de São Gonçalo está sendo construído há mais de dez anos pelo governo federal, que até o momento investiu cerca de R$15 5milhões, através da Infraero. As obras, segundo a Infraero, estão dentro do prazo. Os acessos até o aeroporto, segundo Rosalba Ciarline, vão começar a ser construídos até o final de 2011.



Anac divulgará  cronograma na próxima sexta

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que conduz o processo de privatização dos aeroportos brasileiros, divulga na próxima sexta-feira o novo cronograma. Além  de informar se o consórcio Inframérica, que venceu o leilão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, explorará a concessão, a Agência também informará os próximos passos do trâmite. A assessoria de comunicação da Anac afirmou que, mesmo com o novo cronograma, a Agência terá 45 dias para assinar o contrato. “Isso significa que o consórcio vencedor pode assinar o contrato em menos de 45 dias, pois é do interesse do ganhador acelerar o processo, bem como estar com o aeroporto funcionando na Copa de 2014”.

A assessoria também informou que está dando celeridade ao processo para que o julgamento não atrase os próximos prazos. “Caso, o primeiro colocado não seja autorizado, vamos voltar para o inicio do cronograma após o leilão”, diz a assessoria, em nota encaminhada à Tribuna do Norte. “O cronograma está disponível no site, porém as datas sofrerão alterações. 

Acreditamos que mesmo nesse caso, não teremos atrasos. Lembrando que é de interesse do ganhador acelerar o processo e cumprir todas as etapas antes dos prazos legais”, conclui a nota.



Consórcio é convidado a participar de debate

Diretores do consórcio Inframérica, formado pela brasileira Engevix e pela Corporación América, também participaram de um almoço com lideranças empresariais potiguares. O encontro foi uma iniciativa do jornal TRIBUNA DO NORTE. Na ocasião, o diretor administrativo do jornal, Ricardo Alves, oficializou o convite para o consórcio participar dos debates do próximo seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte (marcado para 28 de novembro), que terá como tema o projeto do novo aeroporto e as possibilidades de desenvolvimento para o estado, principalmente para a área da Grande Natal.

O diretor executivo da Engevix, Gerson de Mello Almada, ao saber dos detalhes do projeto considerou a ideia excelente e se mostrou entusiasmado. “Uma oportunidade como esta (o seminário) vem de encontro a nossa linha de atuação que é de sempre interagir em todas as etapas do projeto com a comunidade local”, destacou.  A intenção do consórcio Inframérica, segundo ele, é de envolver poderes públicos, comunidade e produtores locais em torno das discussões sobre o potencial de desenvolvimento econômico e oportunidades de negócios que o projeto do novo aeroporto representa, desde a fase de execução das obras físicas até  o período de exploração abrangido pela concessão.

O vice-presidente da Engevix, Wilson Viana, além de Martín Eurnekian e Ezequiel Barrenechea, representantes da Corporácion América, também comentaram o assunto. O primeiro assegurou que o grupo Inframérica chega ao Estado com a intenção de desenvolver um projeto a longo prazo, economicamente viável e potencialmente transformador da realidade local. Ezequiel Barrenechea fez uma breve exposição dos negócios que o grupo mantem em vários países, incluindo um projeto para o primeiro aeroporto ecologicamente auto sustentável nas Ilhas Galápagos (Chile) e o sucesso obtido com a operação do aeroporto na cidade de Trapani (Secilia/Italia) que, em dois anos, “passou de cerca de dois mil passageiros/ano para o segundo maior da Sicília.”

Um dos aspectos na futura exploração do novo aeroporto, segundo Martín Eurnekian, é fazer com que o fluxo de passageiros não seja caracterizado apenas por “turistas em trânsito”. “Há forma de agregarmos serviços e atrativos que podem fazer com o turista europeu que vai usar o aeroporto de São Gonçalo como portão de entrada para a América do Sul se decida a ficar dois, três dias em Natal”.

Quanto as parcerias locais, os diretores do consórcio ressaltaram  o desejo de trabalharem em conjunto com empresas e produtores locais. Fornecedores e mão de obra potiguar terão prioridade. “Queremos passar para as entidades de cada setor, como a Fiern e a Fecomércio, quais as necessidades que teremos de materiais e mão de obra, a cada etapa do processo, para que o benefício do investimento seja direcionado para a economia local”, acrescentou Wilson Viana.

No almoço estavam presentes o diretor administrativo da TN, Ricardo Alves; o presidente da Fecomércio, Marcelo Queiroz; o presidente eleito da Fiern, Amaro Sales; a reitora da UFRN, Maria Ângela Paiva Cruz; o presidente  do Conselho Deliberativo do  Sebrae RN; Sílvio Bezerra; o secretário estadual de Desenvolvimento, Benito Gama; o prefeito de São Gonçalo, Jaime Calado e vários outras lideranças empresariais e diretores do Senai, do Senac e do Sebrae.  O projeto Motores do Desenvolvimento é uma realização da TRIBUNA DO NORTE em parceria com a Fiern, Fecomércio UFRN e RG Salamanca Capital. O seminário de novembro próximo será o 11º do projeto.