Inimigos íntimos 1

Publicação: 2019-05-26 00:00:00 | Comentários: 0
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Lauro Jardim
Com Guilherme Amado e Mariana Alvim

Desconfiado por natureza, Jair Bolsonaro não tem fé nem na inteligência do governo. Está convencido de que a Abin está loteada de simpatizantes de esquerda. Bolsonaro acredita, inclusive, que seus arapongas produzem relatórios fajutos, alarmistas. Costuma citar um produzido às vésperas de uma viagem presidencial ao Rio de Janeiro em que a Abin previa fervorosas manifestações contra ele, mas nada aconteceu, e as recomendações para que não pisasse em Israel.

Inimigos íntimos 2
Bolsonaro nutre uma penca de outras desconfianças em relação a aparentes aliados. Até Major Olímpio, líder do PSL no Senado, está entre eles. Em conversas recentes, Bolsonaro se referiu ao correligionário como um "ingrato", incapaz de reconhecer que só se elegeu de carona no seu sucesso eleitoral.

Expulsão com delicadeza
Bruno Araújo será eleito presidente do PSDB na sexta-feira, e uma de suas missões para o segundo semestre é dar cabo do processo de expulsão de Aécio Neves, Beto Richa e quantos estiverem encrencados até a medula na Lava-Jato. Mas, de acordo com um graúdo tucano, a ideia é que o processo seja feito "com delicadeza e sem espalhafato" - seja lá o que isso signifique quando se vai tirar alguém à força do partido.

Vai passar 1 
Pelas contas do Palácio do Planalto, a reforma da Previdência já teria 270 votos favoráveis na Câmara. Faltariam, portanto, 38 votos para aprovar o projeto mais importante do governo Bolsonaro. Entre esses 270 deputados, há dúvidas em relação às suas posições em relação ao BPC, capitalização e aposentadoria rural. Mas esses são tópicos que o próprio governo sabe que pode flexibilizar.

Vai passar? (2) 
Já nas contas de Rodrigo Maia, que conhece a alma da Câmara como a palma da mão, a Nova Previdência ainda não tem 200 votos. Maia está pessimista quanto à possibilidade de botar o projeto para votar em junho.

Passa a régua 
O casal João Santana e Mônica Moura, enfim, começou a acertar suas pendências pecuniárias com o Estado. Depositaram no mês passado R$ 77 milhões à União. Foram duas transferências: uma de R$ 74 milhões, de Santana, e o outra de R$ 3 milhões, em nome de Mônica.

O que é isso, companheiros? 
O petista Jaques Wagner tem sido interlocutor frequente de Flávio Bolsonaro no Senado.

Mudança de patrono
Com o avanço das investigações do Ministério Público, Flávio Bolsonaro deve mudar sua defesa, hoje a cargo da discreta advogada brasiliense Nara Nishizawa. Há uns 15 dias, pessoas próximas ao 01 andaram conversando com criminalistas renomados do Rio de Janeiro e de São Paulo para assumir o caso. Esses contatos não prosperaram, mas a decisão de chacoalhar sua defesa está tomada.

Pé no jato 1
O governo já desembolsou este ano R$ 177 milhões em passagens aéreas e diárias. Sabe quem são os campeões de gastos? Jaíton dos Santos e Leandro Anderson, dois sargentos lotados na Presidência e que hoje fazem a segurança de Dilma Rousseff. Os gastos com a dupla somam R$ 162 mil.

Pé no jato 2 
Rodrigo Maia está disposto a desembolsar até R$ 5,8 milhões para bancar as viagens de colegas e servidores por um ano. Este é o valor previsto no edital de contratação da agência que ficará responsável pela emissão das passagens na Casa.

O Dia D da Odebrecht
A Odebrecht passa por uma prova de fogo nos próximos dias. Na sexta-feira, terá que pagar R$ 800 milhões aos credores em razão do vencimento dos juros de uma dívida. Ainda que o grupo imagine que os bancos possam empurrar a pendência com a barriga por mais uns meses, como já fizeram outras vezes, a deterioração financeira é patente - o endividamento total beira a R$ 70 bilhões. Emílio Odebrecht desembarca nesta semana em São Paulo, depois de um longo período na Bahia, para definir se a empresa começa a se preparar para pedir recuperação judicial. Esse planejamento incluiria, por exemplo, conversas com os credores. Emílio, de natureza tradicionalmente otimista, sempre foi peremptoriamente contra tal solução, mas a água está subindo nos seus calcanhares.

R$ 10 bilhões 
Henrique Meirelles estima que São Paulo seja dono de um rombo de R$ 10 bilhões em seu orçamento em 2019. Mas já sabe como pretende zerar o vermelho. Vai apertar o torniquete nos gastos e, assim, economizar R$ 5,7 bilhões. O restante quer conseguir numa operação de securitização dos royalties do petróleo extraído no estado - uma solução que o Rio de Janeiro já usou, mas até agora inédita na unidade da federação mais rica do país.

Empresários, tremei 
A delação do banqueiro Eduardo Plass está quase fechada com o MPF. O que ele conta na colaboração pega basicamente empresários e quase nada de políticos. O acordo de Plass, que no ano passado pagou uma fiança de R$ 90 milhões para deixar a prisão, envolve o pagamento de muito, muito dinheiro.










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