Insatisfeito, Bolsonaro quer demitir presidente do BB

Publicação: 2021-01-14 00:00:00
O anúncio do plano de reorganização do Banco do Brasil, com previsão para fechar 112 agências e desligar 5 mil funcionários abriu uma crise no governo e deve levar à demissão do presidente do banco, André Brandão. Se a demissão se concretizar, ele sairá do comando da instituição menos de quatro meses após sua posse. O Estadão apurou que o presidente Jair Bolsonaro decidiu demiti-lo pelo desgaste provocado com o anúncio, mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, tenta demovê-lo da ideia.

Créditos: Alan Santos/PR

Embora a reestruturação do banco tenha agradado investidores e tenha sido considerada positiva pela equipe econômica para um reposicionamento do banco com enfoque no digital, o anúncio foi considerado inoportuno neste momento em que o Palácio do Planalto negocia apoio para os comandos da Câmara e do Senado.

Em campanha por Arthur Lira, Bolsonaro recebeu em um só dia oito deputados e ouviu reclamações sobre o fechamento de agências do BB em cidades menores. No ano passado, em um evento, o presidente já tinha sido cobrado por um manifestante para reabrir uma agência. Agora, com o anúncio do fechamento de mais de uma centena, foi considerado um desgaste inoportuno.

Com os rumores sobre a demissão de Brandão, as ações do Banco do Brasil na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fecharam com queda de 4,71% nesta quarta. A saída de Brandão seria mais um desgaste para Guedes, já que o enxugamento do banco é uma orientação da equipe econômica. Próximo do presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, o presidente Bolsonaro sempre tem feito comparações na atuação entre os dois bancos. 

No País, o plano de reorganização prevê ganhos de eficiência e otimização em 870 pontos de atendimento, com a desativação de 361 unidades (112 agências, sete escritórios e 242 postos de atendimento), a conversão de 243 agências em postos de atendimento e oito postos em agências, transformação de 145 unidades de negócios em Lojas BB, sem guichês de caixa, relocalização compartilhada de 85 unidades de negócios e criação de 28 unidades de negócios (14 agências especializadas no agronegócio e 14 escritórios leve digital). No Rio Grande do Norte, o plano prevê fechamento de três agências - em Natal, Parnamirim e Mossoró - e de um posto de serviço em Tangará, com a absorção dos serviços em outras agências e correspondentes bancários.
 
Desde o início do governo, Bolsonaro tem se mostrado sensível às críticas de parlamentares e prefeitos sobre fechamento de agências do BB e da Caixa. A pressão aumentou com o anúncio do BB, visto também pelos políticos como a abertura de caminho para privatização do banco. A Frente Parlamentar em Defesa dos Bancos Públicos programa convocar o presidente do BB para ir ao Congresso explicar o plano de reestruturação.