Intenção de consumo tem declínio

Publicação: 2020-05-31 00:00:00
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A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), medida pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), registrou retração mensal de 13,1% em maio – a queda mais intensa desde o início da realização da pesquisa, em janeiro de 2010. Influenciado pelos impactos econômicos do novo coronavírus, o indicador chegou ao segundo resultado mensal negativo consecutivo. O índice caiu para 81,7 pontos e atingiu o menor patamar desde novembro de 2017, permanecendo abaixo do nível de satisfação (100 pontos), onde se encontra desde 2015. Em relação a maio de 2019, a retração foi ainda maior: -13,7%, a queda mais acentuada desde agosto de 2016.
Créditos: Adriano AbreuPelas ruas de Natal, os comércios que estão abertos registram pouca movimentação e queda nas vendasPelas ruas de Natal, os comércios que estão abertos registram pouca movimentação e queda nas vendas

O indicador referente ao acesso ao crédito foi o único entre os subíndices que apresentou variação anual positiva (+5,4%). Com 93,5 pontos, porém, o item registrou queda no comparativo mensal (-1,8%), após quatro meses seguidos de alta. O presidente da CNC, José Roberto Tadros, destaca que, apesar de a percepção das famílias em relação ao mercado de crédito continuar melhor do que no ano passado, os brasileiros já demonstram preocupação no curto prazo. “As taxas de juros cada vez mais baixas, com um nível inflacionário controlado, impactaram favoravelmente a percepção de acesso ao crédito. Contudo, o risco de maior inadimplência em virtude da crise provocada pela pandemia de Covid-19 contribuiu para a desaceleração do consumo”, afirma Tadros.

Perspectiva profissional

Os brasileiros nunca estiveram tão pessimistas com relação à perspectiva profissional. Com 88,1 pontos, o indicador atingiu em maio seu menor nível na série histórica, com queda mensal de 15,6% e anual de 18,2%. “Os resultados transparecem a incerteza das famílias em relação ao futuro profissional e representam a insegurança dos brasileiros com os próximos meses”, diz a economista da CNC responsável pelo estudo, Catarina Carneiro da Silva. Pela primeira vez desde janeiro de 2018, a maior parte das famílias demonstrou uma perspectiva profissional negativa: 51,5%, contra 42,5% no mês anterior e 40,7% no mesmo período do ano passado.

Influenciada pelo momento atual dos indicadores econômicos e pelo prolongamento do período de isolamento, a maioria dos brasileiros também acredita que vai consumir menos nos próximos meses. Em maio, 50,9% das famílias demonstraram essa insatisfação de forma mais intensa na expectativa de consumir – o maior percentual desde outubro de 2017 – ante 39,5% em abril e 37,6% em maio de 2019.

Assim como em abril, a aquisição de bens duráveis se destacou negativamente. A parcela de consumidores que acreditam ser um mau momento para compra de duráveis, como eletrodomésticos, eletrônicos, carros e imóveis, atingiu 70,1%, percentual acima dos 60,7% observados no mês anterior e dos 61,5% aferidos em maio do último ano. “Além dessa piora nas percepções, o indicador correspondeu à maior queda mensal e anual dentre os índices do mês, de -22,7% e -21,4%, respectivamente, caindo a 52,9 pontos e terminando maio como o menor subíndice da pesquisa”, conclui Catarina.

Movimento

O Indicador Movimento do Comércio, que acompanha o desempenho das vendas no varejo em todo o Brasil, cedeu 26,6% em abril na comparação mensal dessazonalizada, de acordo com dados apurados pela Boa Vista. Na avaliação acumulada em 12 meses, o indicador apresenta retração de 1,3%. No acumulado do ano, o indicador recuou 6,4% contra o mesmo período do ano passado. Já em relação ao mesmo mês de 2019, o varejo apontou queda de 26,3%.

Após iniciar o ano com alta, em abril o indicador registrou a terceira queda mensal consecutiva e passou para o campo negativo na análise em 12 meses. Reflexo de um mercado de trabalho bastante fragilizado e com fraco crescimento da renda, fatores que estão sendo duramente impactados pelos efeitos das restrições pela pandemia da Covid-19.

Ademais, dadas as adversidades provocadas pela chegada do novo vírus e pelas medidas de isolamento social, pode-se esperar uma piora no emprego e no nível de consumo em 2020. Cenário que aponta para queda da atividade econômica e do movimento do comércio nos próximos meses.

Na análise mensal, o segmento de “Móveis e Eletrodomésticos” apresentou queda de 83,3% em abril após já ter registrado baixa de 13,5% no mês anterior, descontados os efeitos sazonais.

Já nos dados sem ajuste sazonal, o segmento passou de vez para o campo negativo e recuou 7,9% no acumulado 12 meses.

A atividade de “Supermercados, Alimentos e Bebidas” foi a única que evitou perdas, registrando variação de 0,1% no mês na série dessazonalizada. Na série sem ajuste, a variação acumulada em 12 meses foi de 1,6% em relação ao ano anterior.

Já a categoria de “Tecidos, Vestuários e Calçados” recuou 2,9% no mês, expurgados os efeitos sazonais. Nos dados acumulados dos últimos 12 meses houve alta de 7%. Por fim, o segmento de “Combustíveis e Lubrificantes” apresentou retração de 18,2% em abril considerando dados dessazonalizados, enquanto, na série sem ajuste, a variação acumulada foi de queda de 2,5%.



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