Investigação aponta DNA de petróleo venezuelano nas praias do Nordeste brasileiro

Publicação: 2019-10-09 00:00:00 | Comentários: 0
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Luiz Henrique Gomes
Repórter

A análise feita pela Petrobras do petróleo encontrado em praias do Nordeste, incluindo 43 pontos do Rio Grande do Norte, indicam que o material tem semelhanças com o petróleo da Venezuela. A informação é do procurador da República, Victor Mariz, que coordena pelo Ministério Público Federal as investigações do crime, junto com a Polícia Federal e a Marinha. Segundo o procurador, a análise chegou a essa conclusão ao comparar marcadores biológicos de amostras com um banco de dados.

Victor Mariz, procurador federal, coordena investigação
Victor Mariz, procurador federal, coordena investigação

Apesar do laudo, Victor Mariz ressaltou que ainda é cedo para concluir que a origem do petróleo e os culpados pelo crime ambiental são do território venezuelano. “Confiamos no laudo da Petrobras, mas não fechamos nenhuma porta. Ainda estamos muito no início da investigação para considerarmos a existência de verdades absolutas. Não descartamos nenhuma hipótese”, afirmou.

A declaração do procurador da República reforça a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que as investigações têm um país no radar “que pode ser da origem do petróleo”, dada na noite desta segunda-feira (8) após uma reunião com o Ministério da Defesa. No entanto, não houve especificação de qual seria o país. No fim de setembro, a Petrobras já havia informado que o petróleo não era nacional por se tratar de um “óleo cru”, diferente do tipo que é produzido no Brasil.

Outras hipóteses consideradas no inquérito, aberto no dia 17 de setembro, é o óleo ter vazado de algum navio que passou próximo à costa nordestina no último mês ou ser algum navio afundado. A investigação faz a análise de todos os navios que passaram no litoral nos últimos meses. De acordo com o presidente Jair Bolsonaro, foram identificados cerca de 140.

Questionado sobre a possibilidade de ser consequência de algum acidente, Mariz também não descartou a hipótese, mas ressaltou que não houve nenhum aviso neste sentido feito às autoridades brasileiras. “Estamos diante de um crime. Não houve notificação, não temos notícia, mas a materialidade do crime ambiental está muito clara”, destacou.

Para auxiliar na investigação, considerada complexa pelo Ministério Público Federal, o procurador Victor Mariz vai solicitar informações à UFRN sobre o movimento das correntes marítimas. Ele se reúne nesta quarta-feira (9) com o Departamento de Oceanografia da universidade. Desde meados de setembro, a Universidade Federal de Pernambuco faz um trabalho semelhante.

O Rio Grande do Norte é o Estado com mais locais atingidos pelas manchas de petróleo. São 43 pontos, identificados desde o dia 2 de setembro, segundo o Ibama. Nesta terça-feira, o MPF solicitou ao órgão federal qual o volume do material que atingiu o Estado e foi recolhido.

A solicitação foi feita após o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmar no Twitter que 10 toneladas do óleo já foram retirados da costa. “Mas até agora eu não fui notificado oficialmente pelo Ibama sobre isso. Eu pedi os detalhes à autarquia, para saber quanto o impacto em cada Estado”, afirmou Victor Mariz.

Ainda segundo o procurador do MPF, o esforço dos órgãos é identificar a origem e os culpados pelo vazamento por se tratar de um crime ambiental. “A materialidade do crime ambiental está muito clara. O que se é necessário descortinar é a autoria, quem são os responsáveis. Essa descoberta há um reflexo não só na responsabilidade criminal, mas também na civil. Aquele que for identificado também será responsabilizado por indenizações, pagamento de multas e adoção de medidas compensatórias ao dano provocado ao meio ambiente”, afirmou.

Localidades afetadas pelo petróleo no Rio Grande do Norte

Areia Preta
Baia Formosa
Barra do Cunhaú
Barra do Rio
Barreira do Inferno
Barreta
Búzios (Rio Doce)
Cabo de São Roque
Calcanhar
Camurupim
Caraúbas
Cotovelo
Foz do Rio Catu
Foz do rio Pirangi/Pium
Jacumã
Jenipabu
Maracajaú
Muriú
Perobas
Pipa
Pirambu
Pirangi do Sul
Pirangi do Norte
Pirambúzios
Praia de Alagamar
Praia do Amor
Praia do Giz
Praia do Forte
Ponta Negra
Redinha
Rio do Fogo
Rio Punaú
Sagi
Santa Rita
Simbaúma/das Minas
Tabatinga/Tartarugas
Touros
Via Costeira
Zumbi

Número de áreas atingidas na região nordeste

Alagoas:     13
Ceará:     10
Maranhão:     11
Paraíba:     16
Pernambuco:     19
Piauí:     2
Rio Grande do Norte:     43
Sergipe:     10
Bahia:     2
Fonte: Ibama

Recomendações

Evite contato com o resíduo;
Se ocorrer contato com a pele, higienize a área afetada com gelo e óleo de cozinha;
Em caso de ingestão ou reação alérgica, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima;
Entre em contato com a prefeitura para informar a localização da mancha;

Ao encontrar um animal contaminado:

Evite contato com o mesmo;
Proteja-o do sol;
Não devolva o animal contaminado para o mar;
Informe o paradeiro do animal ao Projeto Cetáceos Costa Branca (99943-0058, WhatsApp e 24h)


Atualizada às 14h50

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