Investimentos na Ribeira somam mais de R$ 85 mi

Publicação: 2009-11-08 00:00:00 | Comentários: 1
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Karla Larissa - repórter

Aquela Ribeira “velha de guerra”, dos prédios antigos e movimentado centro comercial, aos poucos dá lugar a canteiros de obras de grandes empreendimentos. O bairro que há muito tempo esteve esquecido agora é a grande aposta das construtoras em Natal. Prova disso é que, para os próximos anos, estão previstos pelo menos sete novos empreendimentos, que juntos somam mais de 800 unidades habitacionais. Somente o investimento feito no bairro por três grandes construtoras, Capuche, Moura Dubeux e Paiva Gomes, totalizam  R$ 85 milhões. Mas grandes investimentos como o Mirante João Olímpio Filho elevam ainda mais essa cifra.
Prédios em construção despontam perto da “ladeira de Marpas”
A procura pela Ribeira tem sido tanta, que o preço médio do metro quadrado, R$ 2.700, já se aproxima dos valores praticados em bairros nobres, como Lagoa Nova e Capim Macio, R$ 2.900 e R$ 2.800, respectivamente. Mas, em alguns empreendimentos, pode passar dos R$ 3.200.

Um levantamento feito pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) em 2007 apontou que 15 mil pessoas tinham interesse em adquirir residência na Ribeira.

O interesse pelo bairro ressurgiu com a Lei de Operação Urbana da Ribeira, de 1997, que foi revisada em 2007. Esta lei concede uma série de benefícios fiscais e construtivos afim de reabitar o bairro, restaurar prédios históricos e atrair novos investimentos. O secretário-adjunto de licenciamento e fiscalização da Semurb, Daniel Nicolau, lembra que junto com a lei foram feitas várias campanhas de reurbanização da Ribeira.

Nicolau afirma que o crescimento da cidade e o “inchaço” de algumas regiões também fizeram com que as construtoras voltassem o olhar para o bairro. “Por muito tempo, as construtoras estiveram voltadas para a Zona Sul. Mas de uns tempos para cá, começaram a enfrentar problemas de licenciamento em razão da falta de estrutura, como saneamento e drenagem em Ponta Negra e Capim Macio, por exemplo”, diz.

Segundo o secretário-adjunto, ao contrário desses bairros, a Ribeira tem uma infraestrutura sub-utilizada. “Durante muito tempo houve uma fuga de moradores da Ribeira, e o bairro é drenado e saneado”, acrescenta. 

Mas o interesse das construtoras e dos investidores pelo bairro, vai além da infraestrutura oferecida.

Na opinião do presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Sílvio Bezerra, com a construção da ponte Forte-Redinha, a Ribeira deixou de ser a ponta da cidade de Natal para ser um bairro central. “A Ribeira é próxima da praia, do comércio, dos serviços, do centro. Além disso, tem uma estrutura toda pronta”, aponta.

Empreendimentos têm recebido boa aceitação

A procura por apartamentos na Ribeira tem acompanhando o ritmo dos lançamentos feitos pelas construtoras. O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Rio Grande do Norte (CRECI/RN), Waldemir Bezerra, aponta que os empreendimentos no bairro tem tido boa aceitação. “Estamos tendo resultados bastante positivos nos últimos dois anos, o mercado vem respondendo bem”.

De acordo com Bezerra, a procura por imóveis na Ribeira já pode ser comparada a de bairros como Lagoa Nova e Nova Parnamirim.

Isso se deve também ao preço do metro quadrado que vem sendo praticado no bairro, que é de R$ 2.700, abaixo de valores como Ponta Negra, R$ 4.000, Petrópolis, R$ 3.200, Lagoa Nova, R$ 2.900, Capim Macio, R$ 2.800.

Para ele, o mercado irá aquecer ainda mais a partir do próximo ano. “Em 2010, a ocupação do bairro estará mais bem definida”, aposta.

Apesar de não ter dados, o presidente do CRECI/RN acredita que ainda há muitos espaços que podem ser explorados no bairro. “Na Ribeira há muitas estruturas antigas, abandonadas, que os proprietários não tem interesse em utilizar e que podem ser vendidos”, sugere.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo também não possui um levantamento sobre os terrenos e espaços ociosos no bairro.

Mas, segundo o presidente do CRECI/RN, há informações sobre várias negociações de construtoras com proprietários de terrenos na área.

Ribeira é como Petrópolis, só que mais “barata”

Adquirir um empreendimento na Ribeira é usufruir dos mesmos benefícios de morar em Petrópolis, pagando por um metro quadrado mais barato. A constatação é das  construtoras e imobiliárias.

O presidente da construtora Capuche, Edson Matias, argumenta que a Ribeira oferece  belezas naturais, vista para o mar e rio Potengi, localização e infraestrutura de Petrópolis.

Matias afirma que por essa razão,  a Ribeira tem sido muito procurada. “A Ribeira estava adormecida e agora voltou a ser ‘moda’, com empreendimentos de alto padrão”, garante.

Com apenas 30 dias de lançamento, o empreendimento do grupo Capuche, Sun River, que será erguido no bairro, teve 60% dos apartamentos da primeira torre comercializados. O empreendimento compreende 3 torres, com 240 apartamentos, de três quartos, com o preço médio de R$ 190 mil.    “É um investimento de R$ 45 milhões”.

O diretor-técnico da Construtora Paiva Gomes, Ricardo Paiva, também concorda que a proximidade com o bairro de Petrópolis contribuiu para a valorização da Ribeira.

“Pela escassez de grandes áreas e altos preços de terrenos, os novos empreendimentos tendem a se localizar cada vez mais longe. Os incorporadores têm procurado novas áreas economicamente viáveis, antes não percebidas, que permitam rápido e fácil acesso dos moradores. A Ribeira se encaixa perfeitamente neste tipo de situação. Além da localização central, conta a seu favor estar próxima de todos os serviços e lazer oferecidos na cidade do Natal”, salienta. 

O empreendimento da Paiva Gomes, o residencial Luis de Barros, já está em construção e representa um investimento da ordem de R$ 22 milhões.

São 167 apartamentos de dois quartos,  distribuídos em 03 torres, com 15.480,44m2 de área construída . “Os apartamentos são dirigidos para o padrão classe média e classe média alta e há  poucas unidades ainda  disponíveis”, afirma e diz “a entrega está prevista para 2010”.

Investimentos se concentram na ladeira

Assim como o Sun River e o Luís de Barros, a maioria dos novos empreendimentos previstos para a Ribeira estão localizados na avenida General Gustavo Cordeiro de Farias, a ladeira que liga Petrópolis à Ribeira.

É na avenida que estão também o Soneto do Potengi, da Moura Dubeux, e o Mirante João Olímpio Filho, da Montana Construções. “A Gustavo Cordeiro de Farias será a nova Getúlio Vargas”, aposta o superintendente da Moura Dubeux no Rio Grande do Norte e Ceará, Fernando Amorim, se referindo a avenida onde estão os mais valorizados prédio de Petrópolis.

Para Amorim, a avenida Gustavo Cordeiro de Farias proporciona a mesma paisagem da Getúlio Vargas e boa localização. “A vista é maravilhosa”, garante.

O Soneto do Potengi será lançado em dezembro e já está com 25 dos 28 andares vendidos. “Restam apenas os três primeiros andares”.O prédio tem um apartamento por andar, com 215 metros quadrados e preço médio de R$ 600 mil.

Para o diretor-técnico da Montana Construções, Benvenuto Guimarães, a valorização da Gustavo Cordeiro de Farias muito se deve à construção do Mirante João Olímpio Filho, iniciada há quatro anos.

O arranha-céu de 44 pavimentos pode ser considerado um dos maiores do país.

São 35 apartamentos, com pelo menos 368 metros quadrados e preço médio de R$ 1,4 milhão. A previsão de conclusão é para ainda este ano. “O terreno do Mirante tem as mesmas características que os terrenos de Petrópolis”, valoriza Guimarães.

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Comentários

  • gusmaorn

    Desconheço o conteúdo da Lei de Operações Urbanas da Ribeira, que concede benefícios fiscais e construtivos para reabitar o bairro. Porém, o que me parece justo é que boa parte dos incentivos deveriam ser direcionados para empreendimentos habitacionais voltados para pessoas de baixa renda, já que são as mais penalizadas com o déficit habitacional do país que gira em torno de 7 milhoes de unidades. Além disso, a Ribeira por estar próxima do centro da cidade que ostenta uma gama de comércio e serviços, seria um atrativo a mais para esse público demandante por trabalho. Pelo teor da reportagem, percebe-se que a Ribeira está sendo aproveitada para acomodar grandes torres, com o intuito de atender um público de alto padrão de renda. Já os planos habitacionais de interesse social cada vez mais são localizados na Grande Natal, longe dos centros urbanos e com uma infraestrutura precária em diversos aspectos que impactam negativamente no bem-estar dos cidadãos situados naquela localidade.