IPCA de julho é o maior para o mês desde 2016, aponta IBGE

Publicação: 2020-08-08 00:00:00
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Agência Estado - A alta de 0,36% registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em julho foi o resultado mais elevado desde dezembro, quando aumentou 1,15%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa também foi a mais acentuada para meses de julho desde 2016, quando subiu 0,52%. Como resultado, a taxa acumulada pelo IPCA em 12 meses acelerou de 2,13%, em junho, para 2,31% em julho, ante uma meta de 4% perseguida pelo Banco Central este ano.

Créditos: Adriano AbreuFamílias brasileiras gastaram 0,78% a mais com Transportes em julho. Alta foi puxada pela gasolinaFamílias brasileiras gastaram 0,78% a mais com Transportes em julho. Alta foi puxada pela gasolina


Três dos nove grupos de despesas que integram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registraram deflação em julho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A maior variação negativa, -0,52%, foi do grupo Vestuário, que já havia recuado nos meses de maio (-0,58%) e junho (-0,46%). Em julho, ficaram mais baratos roupas masculinas (-1,40%), femininas (-0,61%) e calçados e acessórios (-0,31%), enquanto as roupas infantis subiram 0,18%. Já as joias e bijuterias aumentaram 1,04%, acumulando uma elevação de 7,61% no ano.

"Vestuário tem a terceira queda seguida, a gente pode imaginar que tem a ver com a pandemia. Teve queda na demanda, as pessoas têm ficado mais em casa", disse Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE. "Tem um componente dele que é a parte de joias e bijuterias que está em alta. Joias são muito influenciadas pelo preço do ouro, que é regulado pelo mercado internacional", completou.

Os demais recuos em julho ocorreram nos grupos Despesas Pessoais (-0,11%) e Educação (-0,12%). Entre as altas, a mais acentuada foi a de Artigos de Residência, 0,90%, sob influência dos artigos de TV, som e informática (2,87%), que contribuíram com 0,02 ponto porcentual para o IPCA de julho.

Os preços dos eletrodomésticos e equipamentos também subiram, 1,01%, enquanto os itens de mobiliário permaneceram em queda, -0,22%.

Também houve aumentos de preços em julho nos grupos Habitação (0,80%), Transportes (0,78%), Saúde e cuidados pessoais (0,44%), Comunicação (0,51%) e Alimentação e bebidas (0,01%).

Transportes sobe 0,78%
As famílias brasileiras gastaram 0,78% a mais com Transportes em julho, um impacto de 0,15 ponto porcentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta de julho foi puxada pela gasolina, que ficou 3,42% mais cara, item de maior pressão na inflação do mês, o equivalente a 0,16 ponto porcentual.
Os preços dos combustíveis subiram 3,12% em julho. Também ficaram mais caros o etanol (0,72%), gás veicular (0,56%) e óleo diesel (4,21%).

Por outro lado, as passagens aéreas caíram 4,21% em julho, após o tombo de 26,01% em junho. O item deu uma contribuição negativa de apenas 0,01 ponto porcentual no IPCA de julho, assim como o transporte por aplicativo, que passou de uma queda de 13,95% em junho para redução de 8,17% em julho.

Segundo Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE, a flexibilização das medidas de isolamento social adotadas no combate à pandemia da covid-19 ainda não se reflete nos preços das passagens aéreas.

"Para a passagem aérea, a coleta é com dois meses de antecedência. Então os preços foram coletados em maio para viagens em julho. A quantidade de voos tem aumentado mais agora em julho e agosto, então isso vai ter reflexo mais para frente, disse Kislanov. "Transporte por aplicativo tem oferta e demanda, mas também os custos. A gasolina tem subido, os combustíveis têm subido", completou ele, referindo às quedas menores em ambos os itens em julho ante o resultado de junho.

No ano, as passagens aéreas acumulam um recuo de 57,02%, enquanto o transporte por aplicativo cai 24,17%.

Ainda em Transportes, o metrô subiu 0,94% em julho, em função do reajuste de 8,70% nas passagens no Rio de Janeiro vigente desde 11 de junho.

Números
3,42% foi quanto a gasolina ficou mais cara no País durante o mês de julho 
4,21% foi o aumento no óleo diesel segundo dados do IPCA apurados pelo IBGE em julho